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D. Pedro II, um imperador caloteiro

Em mais uma História Portuense, Germano Silva conta pormenores de uma das passagens do imperador do Brasil, D. Pedro II, pelo Porto.

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Com o parecer favorável do tribunal a hoteleira dirigiu-se ao consulado do Brasil, no Porto, a exigir o pagamento da conta em atraso. Mas o cônsul não pagou. Perante esta recusa, a hoteleira tomou uma resolução, no mínimo arrojada: ir ao Brasil para exigir do próprio imperador o pagamento da conta.

E foi. Só que no Brasil novas dificuldades surgiram e a mais complicada era a que impossibilitava D. Maria Henriqueta de se aproximar da pessoa do imperador.

D. Pedro II

Constatando que pela via do entendimento não conseguia alcançar os seus objetivos, a hoteleira começou a usar a praça pública para chamar a atenção para o caso que a levara até ao Rio de Janeiro. Os jornais viram no assunto matéria de interesse público e, a breve trecho, a situação começou a atingir foros de escândalo.

Foi então que dois portugueses endinheirados, que residiam no Rio, tomaram a iniciativa de pôr termo à situação que começava a atingir as raias do ridículo. Chamaram D. Maria Henriqueta a quem não só saldaram a conta do hotel mas ainda lhe pagaram a viagem de regresso a Portugal.

Grande Hotel do Porto

D. Pedro II voltaria ao Porto, dezassete anos depois, mas agora na condição de exilado. Após a implantação da República no Brasil, em 15 de Novembro de 1889, o imperador e a esposa foram forçados a tomar o caminho do exílio e foi para o Porto que se dirigiram.

sala D. Pedro II, Grande Hotel do Porto
Retrato de D. Pedro II, Grande Hotel do Porto

Desta vez hospedaram-se no Grande Hotel do Porto, ainda existente, na rua de Santa Catarina. E foi num quarto deste hotel que, na manhã de 28 de Dezembro de 1889, a imperatriz D. Teresa Cristina Maria morreu.

Autor: Germano Silva
Fonte: Visão
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4 COMENTÁRIOS

  1. Sinceramente, sem questionar a veracidade da narrativa, mas não acho adequado o termo atribuído, ao imperador brasileiro. Isto porque, o fato deste contestar o valor apresentado, não o faz desonesto, e sim, crítico, contestador, e deve ter tido motivos para isso. Podem dizer que, após a análise da autoridade competente, e constatado que o valor era justo, não o poderia negar-se a pagar. Mas, a própria narrativa faz referência, que a tal cobrança de dívida, não foi entregue ao devedor, seja por qual motivo fosse. E isto, não fica difícil de entender, uma vez que, naquela ocasião, a situação da família imperial, não era das melhores, atravessando por dificuldades, não unicamente financeiras, que a impedissem de pagar seus débitos, mas política, com inúmeros ataques promovidos pelos apoiadores da república, que como sabemos, acabou acontecendo. Pagar tal valor, promovido pelos imperadores, independentemente da vontade destes, com certeza que não deve nem ter sido cogitado, dada a crise se que já enfrentavam. Certamente pelo mesmo fato, a aproximação da proprietária do hotel, foi impedida. E pelo mesmo motivo, certamente o pagamento tenha sido feio por portugueses, com posses, em apoio a família imperial, sabedores do que estes estavam a passar. Se a dívida foi no final paga, em nome do imperador, por aqueles que lhe entendiam as razões, porque o rotularem de “caloteiro”? Por certo, este não o merecerá, por tantos feitos, que lhe são atribuídos. Sendo assim, sua memória digna de respeito e admiração.

  2. Pois o Problema e que o Imperador, esqueceu uma coisa,
    pedir um orcamento de estadia!
    Imagino tambem, que como Imperador, e pessoa inteligente que era..
    deveria ter uma ideia dos custos!
    Portanto a alcunha de caloteiro ate lhe fica bem.

  3. Essa tal Maria Henriqueta deveria agradecer ao monarca sua estadia mesmo que fosse por uns minutos no seu hotel… Isso lhe valeu o nome na História, Sinhá Dona! E vocês fofoqueiros, vão se queixar ao Papa, pra ver o que é bom escutar!

  4. Naquela altura ainda não havia os low Costa e os Booking senão teria pago com antecedência mas diga se em boa verdade que a tal dita D. Maria Henriqueta de Mello Lemos e Alvelos não era mulher para brincadeiras. Faz me lembrar a minha princesa…

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