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Reis de Portugal: D. Pedro I, o Rei Salomão português!

Uma série de episódios revelam que D. Pedro I é uma espécie de Rei Salomão português. Mas terá sido um rei justo?

D. Pedro I
Reis de Portugal: D. Pedro I, o Rei Salomão português!

Uma série de episódios revelam que D. Pedro I é uma espécie de Rei Salomão português. Mas terá sido um rei justo?

Na História de Portugal, existiram mais de 3 dezenas de reis, tendo havido quatro dinastias. Estes reis que foram decidindo os destinos do reino revelaram que não eram exemplares em tudo.

Ao longo de quase 900 anos, muitos foram os reis e as rainhas idolatrados como autênticos deuses. Contudo, não faltam provas de que eram pessoas comuns, de carne e osso, com virtudes e defeitos.

Estes reis e rainhas apenas estavam numa posição privilegiada. Eles magoavam-se, magoavam, choravam, sofriam, faziam sofrer, sangravam, faziam sangrar…. Há ainda diversos episódios que revelam que eles também não eram seres superiores em termos morais….

Muitos episódios comprovam como os reis e as rainhas eram pessoas que cometiam erros e que, como nós, tinham virtudes e defeitos.

Para dar o devido destaque a isso mesmo, o NCultura tem vindo a publicar diversos artigos que revelam episódios sobre reis e rainhas que todos devem conhecer. Neste artigo, centramos a nossa atenção em D. Pedro I.

Reis de Portugal: D. Pedro I, o Rei Salomão português!

D. Pedro I
Reis de Portugal: D. Pedro I, o Rei Salomão português!

Contexto Real

A Dinastia Afonsina começa em D. Afonso Henriques, “O Conquistador”, que reinou entre 1143 e 1185. Seguiram-se vários reis até chegar a D. Pedro I, o “O Justiceiro”. O pai de D. Pedro I foi D. Afonso IV, “O Bravo”. A mãe foi D. Beatriz de Molina e Castela.

D. Pedro I nasceu no dia 08 de abril de 1320, em Coimbra. Ele uniu-se primeiro a D. Branca, depois a D. Constança Manuel, mas foi com D. Inês de Castro que viveu um amor trágico que ficou para a história. Ele reinou sem a mulher que tanto amou, entre 1357 e 1367, tendo falecido no dia 18 de janeiro, em Alcobaça.

Um dos seus filhos, D. Fernando I, assumiu o trono, aquele que ficou conhecido pelo cognome d’ “O Formoso” e que reinou entre 1367 e 1383, tendo sido o último rei da Dinastia Afonsina.

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Episódio bíblico

O episódio bíblico em que o rei Salomão dá a ordem de que um bebé seja cortado ao meio, é um momento famoso, que visava repartir a criança pelas duas mulheres que reclamavam a maternidade da criança.

Essa cruel sentença permitiu tornar claro que uma das mulheres aprovava a ação, enquanto a outra rejeitava horrorizada a sentença, preferindo perder a sua criança para outra mulher. Ao fazê-lo, demonstrou ser a verdadeira progenitora do bebé. Este é um momento que inspirou a expressão “justiça salomónica”.

D. Pedro I, o Rei Salomão português!

Sabia que Portugal também teve um Rei Salomão? Não, não é um rei chamado Salomão, mas sim um Rei capaz das mesmas sentenças, embora tenha demonstrado não ser tão sagaz quanto o “original”.

D. Pedro I, que ficou para a história pela polémica e trágica relação com Inês de Castro, percorreu o País, realizando justiça pelas suas próprias mãos.

D. Pedro I
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Um episódio em Santarém

O Rei D. Pedro estava por Santarém, onde um lavrador rico que por lá habitava foi protagonista de um episódio insólito. O lavrador era alguém com quem o rei se relacionava.

Ora, num determinado dia, estando na cidade, o rei perguntou por ele, pois ainda não o tinha visto. Ao que apurou, tinha sido o filho que o tinha atacado à facada, deixando-lhe uma feia cicatriz na cara. O rei deu então ordem que o chamassem.

O esclarecimento

O rei pediu-lhe que contasse como se tinham passado as coisas. O lavrador rico narrou a discussão que teve com o filho e deu detalhes sobre a agressão de que fora vítima, afirmando que tal ocorreu na presença da mulher.

O rei, ao ouvir essa preciosa informação, ordenou: “Ora, manda-me cá a tua mulher e o teu filho.” Depois da mulher chegar, o Rei perguntou: “Ouve lá, de quem é o filho?” A mulher primeiro gaguejou. Depois, lá afirmou: “Meu e do meu marido, senhor.” O rei, depois de afagar a barba, afirmou: “Hum… Não acredito! Se o teu marido fosse o verdadeiro pai, ele não o teria acutilado daquele modo.”

Conclusão do episódio I

A lavradora acabou por relatar uma história trágica, admitindo que o rapaz, na verdade, era filho de um padre confessor. D. Pedro escutou atentamente a mulher e, no dia seguinte, foi ouvir missa na igreja onde a violação ocorrera.

Depois da cerimónia estar concluída, o Rei mandou chamar o religioso. Houve uma breve troca de palavras. Posterior, o rei D. Pedro mandou colocar o violador num caixote e serrá-lo ao meio. Este momento pode ter inspirado alguns ilusionistas para alguns números de magia, mas não foi nenhum momento mágico, mas sim uma morte horrorosa e, muito provavelmente, dolorosa…

D. Pedro I
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Um episódio no Porto

Há outro episódio que ficou famoso e que retrata na perfeição D. Pedro I enquanto juiz executante. Este episódio tem como protagonista um bispo do Porto.

Mesmo sem ter provas, que é algo essencial no conceito de justiça que temos atualmente, constou ao Rei D. Pedro, que o prelado mantinha relações íntimas com uma mulher casada. Essa informação foi mais que suficiente para que ele entrasse pelo paço episcopal com um chicote, indo direto ao homem para o punir pessoalmente.

Houve ainda outros episódios, nomeadamente um momento em que soube que uma mulher enganava o marido. Apesar de o marido enganado implorar ao rei de joelhos o perdão pelo ato da esposa, pois ele amava-a tanto que perdoava a traição; o rei mesmo assim condenou-a à morte.

Este é o rei que ficou conhecido como O Justiceiro, embora possa aparentar ser mais injusto que justo.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Dom Pedro I de Portugal, um Justiceiro atroz que pela infame decapitação da Dona Inês de Castro, arrancou em vida os corações dos algozes decapitantes.
    Dom Pedro I do Brasil e IV de Portugal, um Guerreiro ferrenho que tornou a maravilhosa cidade do Porto em A INVENCÍVEL. . . Esses foram Homens com H GRANDÃO, muito bem cantado em prosa e verso pelo Vaz de Camões em seus LUSÍADAS.

    • Luís de Camões não “cantou” D. Pedro IV de Portugal, I do Brasil porque já tinha morrido há mais de 200 anos. Quanto à prosa não foi arte literária que Camões praticasse e os “Lusíadas” são, totalmente, em verso.

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