Num tempo em que abastecer o carro pesa cada vez mais no orçamento das famílias portuguesas, milhares de condutores procuram formas de reduzir despesas sem comprometer a segurança do veículo. Entre as opções mais procuradas surgem os combustíveis low cost — mais baratos, acessíveis e cada vez mais presentes em Portugal.
Mas a dúvida persiste: será que abastecer em postos low cost pode prejudicar o motor? Ou trata-se apenas de um mito alimentado por perceções erradas?
A resposta, apoiada por especialistas e estudos independentes, pode surpreender até os condutores mais desconfiados.
Preços altos levam portugueses a procurar alternativas
O aumento persistente dos preços da gasolina e do gasóleo tem sido impulsionado por fatores internacionais, incluindo conflitos geopolíticos, instabilidade nos mercados petrolíferos e oscilações no preço do crude.
Perante esta realidade, os postos low cost tornaram-se uma solução tentadora.
A diferença de preço pode ultrapassar vários cêntimos por litro. Ao fim de um mês, essa poupança representa dezenas de euros — e ao longo do ano, centenas.
Mas será esta poupança feita à custa da durabilidade do motor?
O que distingue realmente os combustíveis low cost?
A principal diferença não está no combustível base — mas nos aditivos.
Todos os combustíveis comercializados legalmente em Portugal obedecem às mesmas normas europeias de qualidade, segurança e controlo.
Isto significa que:
- A gasolina e o gasóleo base vêm, muitas vezes, das mesmas refinarias;
- O produto cumpre requisitos legais rigorosos;
- A qualidade mínima é garantida em qualquer posto certificado.
O que muda nos combustíveis premium são os aditivos extra, que podem:
- melhorar a limpeza do motor;
- reduzir depósitos de resíduos;
- otimizar a combustão;
- diminuir ligeiramente o consumo.
Já os combustíveis low cost contêm apenas os aditivos mínimos obrigatórios por lei.
E isso não significa, por si só, menor segurança.
O estudo da DECO que desmonta o mito
Um dos testes mais esclarecedores sobre este tema foi realizado pela DECO Proteste.
Durante 12 mil quilómetros, quatro veículos foram monitorizados:
- dois abastecidos com combustível low cost;
- dois com combustível premium.
Resultado surpreendente:
Não foram encontradas diferenças relevantes em:
- desempenho do motor;
- consumo médio;
- estado mecânico dos depósitos;
- desgaste interno.
A conclusão foi clara: não existe prova de que combustíveis low cost prejudiquem os automóveis.
Então porque são mais baratos?
Os preços mais baixos explicam-se sobretudo por:
- custos operacionais reduzidos;
- menos investimento em marketing;
- postos automatizados com menos funcionários;
- margens comerciais menores.
Ou seja: o preço inferior não resulta de combustível “pior”, mas de estruturas de negócio mais económicas.
Há situações em que o premium pode compensar?
Sim — em certos casos específicos.
Os combustíveis premium podem trazer benefícios adicionais em:
1. Veículos de alta performance
Motores potentes ou desportivos podem beneficiar dos aditivos avançados.
2. Condução intensiva
Quem percorre muitos quilómetros diariamente poderá notar vantagens na manutenção a longo prazo.
3. Carros modernos com tecnologia avançada
Motores recentes e sofisticados podem tirar partido da fórmula premium.
Ainda assim, estes benefícios não são universais nem indispensáveis para a maioria dos condutores.
O verdadeiro perigo não está no low cost
O risco real surge apenas quando o combustível é adulterado ou vendido fora das normas legais — algo raro em postos licenciados.
Por isso, a regra essencial é simples:
Abastecer sempre em postos certificados e regulamentados.
Se o posto for legal, o combustível cumpre padrões obrigatórios.
A perspetiva internacional confirma o mesmo
Entidades internacionais, como a Automobile Association no Reino Unido, reforçam esta conclusão:
- combustíveis premium podem melhorar ligeiramente o rendimento;
- combustíveis low cost não causam danos comprovados ao motor.
A diferença existe, mas não ao nível da segurança mecânica.
Vale a pena poupar?
Para a maioria dos automobilistas portugueses, sim.
Num contexto económico difícil, escolher combustível low cost é uma decisão racional, segura e financeiramente inteligente.
Na prática:
- poupa-se dinheiro;
- mantém-se a segurança do veículo;
- evita-se pagar mais por benefícios marginais.
Conclusão: mito ultrapassado ou receio legítimo?
A ideia de que combustíveis baratos “estragam o carro” não encontra sustentação sólida na evidência disponível.
A realidade é clara:
- combustíveis low cost são seguros;
- cumprem normas rigorosas;
- não prejudicam o motor em condições normais.
Num país onde cada euro conta, esta é uma das raras situações em que poupar pode mesmo compensar — sem riscos escondidos.





Pode ser tudo real e verdadeiro. Não discuto. Uma coisa sei, não por experiência própria, pois abasteço sempre no mesmo fornecedor, mas sei, de quem alterou e, não era low cost, mas o automóvel “sentiu” a diferença, para melhor.
Algo não funciona, com a normalidade exigida.