Há sonhos que ficam esquecidos na infância. Outros acompanham uma pessoa durante toda a vida, esperando apenas pelo momento certo para começarem a ganhar forma.
Em Lamosa, no concelho de Sernancelhe, distrito de Viseu, um desses sonhos transformou-se numa construção que surpreende quem percorre a estrada entre Vila Nova de Paiva e Sernancelhe.
Entre torres, ameias, torreões, muralhas e jardins, ergue-se o chamado Castelo do Adriano, uma construção invulgar que nasceu da vontade de Adriano dos Santos, um homem fascinado desde criança pelas fortalezas e construções medievais.
O mais surpreendente? Este castelo não foi levantado há centenas de anos. Começou a ser construído há cerca de duas décadas e resulta sobretudo do trabalho do próprio Adriano e dos seus dois filhos.
É uma história de persistência, imaginação e determinação. Uma história em que a expressão “o homem sonha, a obra nasce” parece ganhar uma dimensão particularmente concreta.

Onde fica o Castelo do Adriano?
O Castelo do Adriano fica em Lamosa, no concelho de Sernancelhe, distrito de Viseu, numa zona do interior norte de Portugal marcada por paisagens rurais, pequenas aldeias e património religioso e histórico.
A construção encontra-se na zona do lugar do Carregal, na freguesia de Lamosa, e fica a cerca de 4 quilómetros do Santuário de Nossa Senhora da Lapa. O castelo é visível a partir da estrada de acesso ao santuário, o que ajuda a explicar a curiosidade que desperta entre quem visita a região.
A localização é, aliás, parte importante do encanto desta história. Não se trata de uma construção escondida no centro de uma cidade ou integrada num grande complexo turístico.
Surge no meio da paisagem beirã, quase como se tivesse sido transportada de um conto medieval para o Portugal contemporâneo.
Quem é Adriano dos Santos?
O homem por detrás deste projeto chama-se Adriano dos Santos. Adriano nasceu em Leomil, no concelho de Moimenta da Beira, e acabou por se fixar na zona de Lamosa, em Sernancelhe, depois de casar. Foi neste território que decidiu transformar um sonho antigo numa obra de grandes dimensões.
Desde criança que tinha uma verdadeira fascinação por castelos, fortalezas e construções amuralhadas. Colecionava livros e figuras relacionados com este universo e alimentava a ideia de, um dia, construir algo que se aproximasse dos castelos que conhecia dos livros e da imaginação.
A diferença é que Adriano não deixou esse sonho ficar apenas na memória.
Quando surgiu a oportunidade, começou a desenhar, planear e construir.
Um sonho de infância transformado em pedra
Há uma característica particularmente fascinante nesta história: o castelo nasceu primeiro na imaginação.
Adriano tinha ideias para diferentes partes da construção e, segundo os relatos publicados sobre o projeto, costumava desenhar aquilo que imaginava antes de escolher a solução que pretendia executar.
O processo era simples na essência, mas extraordinariamente exigente na prática: imaginar, desenhar, escolher e construir.
E depois repetir.
Durante anos.
O resultado foi crescendo lentamente. Primeiro surgiram estruturas, depois torres e pináculos, mais tarde a muralha e outros elementos que deram à propriedade o aspeto de uma verdadeira fortificação.

Um castelo construído ao longo de décadas
As primeiras estruturas começaram a ser levantadas há cerca de 20 anos, segundo relatos recentes sobre o projeto.
Não foi uma obra feita de uma só vez, nem nasceu de um grande investimento inicial. Foi sendo construída gradualmente, à medida que Adriano encontrava condições para avançar.
Essa lentidão acabou por se tornar parte da própria identidade do castelo.
A obra cresceu pedra após pedra, num processo marcado por períodos de maior avanço e outros de paragem ou dificuldade.
Em 2026, fontes que voltaram a contar a história do Castelo do Adriano continuam a descrevê-lo como uma obra com cerca de duas décadas de evolução.
Adriano contou com a ajuda dos filhos
Embora o sonho tenha partido de Adriano, a construção não foi exclusivamente uma obra individual.
Os seus dois filhos ajudaram na construção, participando num projeto que acabou por se transformar numa espécie de empreendimento familiar.
A ligação familiar ganhou ainda um significado especial quando um dos filhos de Adriano se casou no próprio espaço, tendo sido realizado um banquete no local.
O castelo deixou, assim, de ser apenas uma construção. Tornou-se também parte da história da própria família.
Torres, ameias e uma grande muralha
Mesmo sem estar concluído, o Castelo do Adriano impressiona pela quantidade de elementos que evocam uma fortaleza medieval.
A propriedade apresenta torres, pináculos, torreões e uma muralha, além de jardins e da residência da família.
É precisamente essa combinação que faz com que, à distância, seja fácil imaginar que se está perante um antigo castelo português.
Mas existe uma diferença fundamental: trata-se de uma construção contemporânea, criada por iniciativa de um particular e inspirada no imaginário medieval.
Não é, portanto, um castelo histórico medieval no sentido tradicional.
É o castelo de Adriano.
E essa diferença torna a história ainda mais curiosa.

As dificuldades não foram poucas
Construir uma obra desta dimensão nunca seria simples.
Ao longo dos anos, o projeto enfrentou dificuldades relacionadas com a construção e com os processos administrativos. Relatos publicados sobre o castelo referem que a obra chegou a ser embargada várias vezes e que Adriano teve de lidar com intervenções dos serviços municipais.
O próprio Adriano terá contado que chegou a deslocar-se à Câmara Municipal para apresentar a situação e procurar uma solução.
Independentemente das dificuldades encontradas, a obra continuou.
E talvez seja precisamente essa persistência que mais impressiona nesta história: não se trata apenas de alguém que teve uma ideia invulgar. Trata-se de alguém que continuou a trabalhar nela durante anos.
Quanto já custou o Castelo do Adriano?
Os valores divulgados ao longo dos anos são impressionantes.
Segundo relatos publicados sobre o projeto, o investimento já ultrapassou os 350 mil euros, sendo contabilizado nesse valor também o trabalho realizado por Adriano e pelos filhos.
É importante, contudo, apresentar este valor como uma estimativa atribuída ao proprietário e divulgada em fontes jornalísticas, e não como uma avaliação oficial atualizada do imóvel.
Além disso, a obra ainda não estava concluída nas fontes mais recentes encontradas.
Isso significa que o custo final poderá ser superior.
O castelo ainda não está terminado
É talvez uma das características mais curiosas do Castelo do Adriano.
Apesar de já apresentar uma imagem exterior bastante marcante, o projeto não está concluído.
A própria dimensão do sonho ajuda a explicar o tempo necessário.
Construir torres, muralhas, interiores e espaços de utilização pública exige recursos, mão de obra, materiais e, naturalmente, capacidade financeira.
Adriano reconheceu em relatos anteriores que ainda seria necessário investir bastante para terminar e equipar o espaço.
Por isso, o castelo continua a ser uma obra em evolução.
A ideia de transformar o castelo num restaurante
Uma das ideias mais interessantes associadas ao futuro do projeto passa pela possibilidade de transformar o Castelo do Adriano num restaurante.
O conceito já foi descrito pelo proprietário: um espaço mais informal no rés-do-chão, uma sala de restaurante num piso superior e uma zona de esplanada junto à torre de menagem.
A ideia seria aproveitar a singularidade do espaço para criar uma experiência diferente da restauração convencional.
Contudo, esta deve ser apresentada como uma intenção ou plano anteriormente divulgado, e não como um restaurante atualmente em funcionamento.
É possível visitar o Castelo do Adriano?
Aqui está um detalhe essencial para quem pretende conhecer o local.
O Castelo do Adriano é identificado como propriedade privada e as informações disponíveis não indicam que seja uma atração turística aberta regularmente ao público. Uma avaliação publicada em 2023 refere expressamente que não era visitável por se tratar de propriedade privada.
Por isso, quem viajar até à região deve ter em atenção que ver o castelo a partir da estrada não significa ter autorização para entrar na propriedade.
O mais prudente é admirar a construção a partir dos locais públicos e respeitar a propriedade privada.
Uma atração que desperta curiosidade
Mesmo sem funcionar como um monumento turístico convencional, o castelo tornou-se uma curiosidade da região.
A sua localização, junto ao percurso para o Santuário da Lapa, faz com que seja facilmente avistado por quem circula na zona.
Durante os períodos de romaria, o interesse aumenta. Há relatos de pessoas que fazem um desvio para passar junto ao castelo e admirar a construção.
É uma daquelas construções que provocam uma reação imediata.
Primeiro, surge a pergunta:
“Mas este castelo é mesmo antigo?”
Depois vem a surpresa.
Não é.
É o resultado de um sonho pessoal que começou a ser construído já no final do século XX e que continua a marcar a paisagem de Lamosa.
O castelo que nasceu de um sonho
Portugal está repleto de castelos históricos. Alguns têm centenas de anos, outros foram palco de batalhas, outros estão associados a reis, nobres, ordens religiosas e episódios decisivos da História portuguesa.
O Castelo do Adriano é diferente.
Não tem séculos de história.
Não foi construído por um rei.
Não nasceu de uma ordem militar.
Nasceu da vontade de um homem que, desde criança, imaginava ter um castelo.
E talvez seja precisamente essa simplicidade que torna a história tão poderosa.
Adriano não se limitou a admirar os castelos que via nos livros. Decidiu construir o seu.
Uma obra que mudou a paisagem
O impacto de uma construção deste género vai muito além das pedras utilizadas.
O castelo passou a fazer parte da paisagem de Lamosa e tornou-se uma referência visual para quem percorre aquela zona de Sernancelhe.
É impossível passar perto sem reparar nas torres e na muralha.
É uma construção que desperta perguntas, curiosidade e, sobretudo, imaginação.
Num território onde o património histórico e natural assume grande importância, o Castelo do Adriano acrescenta uma camada completamente diferente: um património contemporâneo criado a partir de um sonho individual.
O futuro ainda está por escrever
O destino final do Castelo do Adriano continua ligado à capacidade de Adriano e da família para levar o projeto até ao fim.
A ideia de criar um restaurante poderá dar uma nova vida ao espaço, mas essa possibilidade depende de vários fatores e não deve ser apresentada como uma realidade já concretizada.
O que existe, por enquanto, é uma obra singular, construída ao longo de muitos anos e que continua a despertar a curiosidade de quem passa.
E talvez esse seja um dos aspetos mais fascinantes.
O castelo ainda não chegou ao ponto final.
Uma história sobre persistência
Há sonhos que parecem demasiado grandes para uma vida.
Um castelo é, sem dúvida, um deles.
Mas a história de Adriano dos Santos mostra que alguns sonhos não precisam de nascer prontos. Podem crescer lentamente, uma pedra de cada vez.
Podem avançar durante anos.
Podem sofrer interrupções.
Podem enfrentar dificuldades.
Podem até parecer impossíveis em determinados momentos.
E, ainda assim, continuar a nascer.
É essa a força da história do Castelo do Adriano, em Lamosa.
Mais do que uma construção invulgar, é o testemunho físico de uma ideia que se recusou a desaparecer.
Castelo do Adriano: principais informações
O Castelo do Adriano localiza-se em Lamosa, no concelho de Sernancelhe, distrito de Viseu, na zona do lugar do Carregal. Fica a aproximadamente 4 quilómetros do Santuário de Nossa Senhora da Lapa e é visível a partir da estrada de acesso ao santuário.
A construção começou há cerca de duas décadas e inclui torres, pináculos, torreões, muralhas, jardins e a residência da família. O projeto foi desenvolvido por Adriano dos Santos com a colaboração dos dois filhos.
O castelo é uma propriedade privada, pelo que não deve ser tratado como um monumento aberto à visitação regular.




