No dia 12 de agosto, Portugal estará no centro de um dos fenómenos astronómicos mais impressionantes do século. Um eclipse solar total colocará o território nacional sob a sombra da Lua, num alinhamento raro que não se repetirá em solo português durante mais de cem anos.
Durante breves minutos, o céu escurecerá de forma abrupta. A luz desaparecerá. O ambiente mudará. E milhões de pessoas poderão testemunhar um dos espetáculos mais extraordinários da mecânica celeste.
Não se trata apenas de um evento científico. Trata-se de um momento histórico.
Porque este eclipse é tão especial para Portugal?
Eclipses solares ocorrem algures no planeta a cada 18 meses, em média. No entanto, a totalidade — quando o Sol é completamente ocultado — só é visível numa faixa muito estreita da superfície terrestre.
Essa faixa raramente coincide com o mesmo país.
O último eclipse solar total visível em Portugal ocorreu em 1912. Desde então, passaram-se mais de cem anos sem que o território continental voltasse a mergulhar na totalidade.
Após 2026, será necessário aguardar até 2144 para um novo eclipse total visível no país.
Isto significa que esta é, para a maioria da população, uma oportunidade única numa vida.
Como acontece um eclipse solar total?
Um eclipse solar total ocorre quando:
- A Lua entra na fase de Lua Nova.
- A sua órbita a posiciona exatamente entre a Terra e o Sol.
- O alinhamento é suficientemente preciso para que o diâmetro aparente da Lua cubra totalmente o disco solar.
Quando essa coincidência ocorre, forma-se no solo terrestre uma “sombra” chamada umbra. Apenas quem estiver dentro dessa faixa estreita poderá observar a totalidade.
A maioria das regiões fora dessa linha verá um eclipse parcial, onde parte do Sol permanece visível.
Onde será total em Portugal?
A totalidade será visível no nordeste transmontano, particularmente:
- Bragança
- Parque Natural de Montesinho
- Zonas próximas da fronteira com Espanha
Nestas áreas, o Sol será ocultado a 100%.
No restante território continental, o eclipse será parcial, com níveis de ocultação que poderão atingir valores muito elevados (entre 92% e 99%), dependendo da localização.
Mesmo sem totalidade, a experiência será impactante.
O que se sentirá durante a totalidade?
A fase de totalidade é descrita por muitos astrónomos como uma experiência quase transcendental.
Durante esses minutos:
- A luminosidade cairá drasticamente.
- O céu assumirá tons azul-escuros.
- O horizonte poderá adquirir uma tonalidade alaranjada.
- A temperatura poderá descer alguns graus.
- A coroa solar tornar-se-á visível como um halo branco-prateado.
- Algumas estrelas e planetas mais brilhantes poderão surgir.
Animais poderão reagir como se o entardecer tivesse chegado fora de horas. O silêncio tende a intensificar-se.
É um momento que une ciência, emoção e consciência da escala cósmica.
Impacto económico e turístico
Espera-se um forte impacto nas regiões de totalidade.
Historicamente, eclipses solares totais provocam:
- Aumento significativo do turismo científico.
- Lotação de hotéis e alojamentos locais.
- Eventos organizados por observatórios e associações astronómicas.
- Grande mobilização mediática.
Bragança poderá tornar-se, por um dia, um dos centros astronómicos mais procurados da Europa.
Como preparar-se para observar o eclipse?
Planeamento é essencial.
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Confirmar a localização exata
Consultar mapas de totalidade para garantir que se encontra dentro da faixa de 100% de ocultação, caso pretenda viver a experiência completa.
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Chegar com antecedência
Prevê-se aumento significativo do tráfego nas zonas privilegiadas.
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Levar equipamento adequado
Óculos certificados para observação solar são obrigatórios.
Atenção: riscos para a visão
Nunca se deve olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada, mesmo durante um eclipse parcial.
Óculos de sol comuns não oferecem proteção suficiente.
A observação segura exige:
- Óculos com certificação ISO 12312-2.
- Filtros solares específicos para telescópios ou binóculos.
- Supervisão apertada no caso de crianças.
Lesões na retina podem ser irreversíveis e indolores no momento da exposição.
Porque os eclipses fascinam a humanidade?
Desde a Antiguidade que os eclipses despertam temor e admiração.
Civilizações antigas interpretavam-nos como presságios divinos. Hoje, compreende-se a sua explicação científica, mas o impacto emocional mantém-se.
A razão é simples: assistir a um eclipse total é testemunhar a precisão extraordinária do sistema solar.
É perceber, de forma quase visceral, o lugar da humanidade no universo.
Uma oportunidade que atravessa gerações
O eclipse solar total de 12 de agosto não será apenas mais um fenómeno astronómico.
Será:
- Um marco histórico.
- Um momento científico.
- Um acontecimento turístico.
- Uma experiência coletiva irrepetível para a atual geração.
Quando o Sol desaparecer durante aqueles minutos, Portugal viverá algo que só os registos históricos de 1912 testemunharam — e que só voltará a acontecer em 2144, sublinha o Postal.
Há eventos que atravessam séculos.
Este é um deles.




