Durante anos, o problema repetiu-se como um círculo vicioso: sacos rasgados nas bermas, móveis velhos abandonados nos passeios, contentores a transbordar fora de horas, cheiros nauseabundos a invadir ruas e praças. Um cenário de desleixo que compromete a saúde pública, mancha a imagem da cidade e penaliza quem cumpre as regras.
Agora, o aviso é claro — e vai doer na carteira.
Em Vila Nova de Famalicão, o abandono de lixo e resíduos na via pública deixa de ser uma infração “menor” para passar a ser tratado como aquilo que realmente é: um atentado à higiene urbana. A autarquia decidiu endurecer drasticamente as regras, triplicando multas, reforçando a fiscalização policial e criando uma brigada exclusiva para caçar prevaricadores.
A era da complacência terminou. Começa a fase da tolerância zero.
Multas até três vezes mais caras: poluir sai caro
Quem insistir em deixar sacos fora do horário permitido, despejar monos em terrenos baldios ou abandonar resíduos ao lado dos contentores vai enfrentar consequências pesadas.
A Câmara Municipal aprovou alterações profundas ao Código Regulamentar do Ambiente, que preveem:
- Multas triplicadas para cidadãos individuais
- Coimas duplicadas para empresas e entidades coletivas
Ou seja, um gesto de segundos pode custar centenas — ou mesmo milhares — de euros.
A mensagem é inequívoca: poluir deixou de compensar. O objetivo é simples — dissuadir através do impacto financeiro. Se o civismo não chega, a penalização chegará.
Polícia municipal vai patrulhar diariamente
Mas as novas regras não ficam apenas no papel. A partir dos próximos meses, a fiscalização será permanente e visível.
A autarquia vai criar uma brigada da Polícia Municipal dedicada em exclusivo ao lixo e resíduos, com equipas no terreno todos os dias, focadas apenas em:
- identificar focos de deposição ilegal
- vigiar zonas críticas
- autuar infratores em flagrante
- reforçar a presença dissuasora
Locais de passagem, terrenos abandonados e áreas junto a contentores passam a estar sob vigilância apertada.
Quem pensar que “ninguém vê” poderá ser surpreendido.
Horários mais restritos e recolha noturna
A estratégia não é apenas punitiva. Há também mudanças operacionais profundas.
A recolha do lixo passará a ser feita exclusivamente durante a noite, libertando as ruas durante o dia e melhorando a imagem urbana.
Com isto, os moradores terão horários mais rigorosos para deposição, reduzindo:
- maus cheiros
- acumulação de resíduos
- presença de animais
- degradação visual
A meta é simples: uma cidade mais limpa, organizada e saudável.
Novos contentores com acesso controlado
Nas zonas habitacionais sem infraestruturas adequadas, serão instalados equipamentos coletivos modernos, com acesso condicionado apenas a moradores.
Estes espaços terão:
- ligação à rede de água
- sistemas de saneamento
- higienização regular
- melhores condições de salubridade
A intenção é eliminar focos de lixo a céu aberto e garantir condições dignas de deposição.
Porque a limpeza urbana não é apenas estética — é uma questão de saúde pública.
Mais reciclagem, mais soluções, menos desculpas
Paralelamente ao reforço das multas, o município aposta na prevenção.
Estão previstos mais 300 ecopontos adicionais nos próximos dois meses, espalhados por todo o concelho.
Haverá também:
- expansão da recolha de biorresíduos
- facilitação da separação de orgânicos
- melhoria do acesso à reciclagem
Ou seja, menos obstáculos para quem quer fazer o correto.
E menos desculpas para quem insiste em não fazer.
Uma mudança cultural urgente
O problema do lixo não é apenas logístico — é comportamental.
Cada saco deixado fora de horas, cada sofá abandonado num passeio, cada contentor vandalizado traduz-se em custos que recaem sobre todos: limpeza extra, riscos sanitários, degradação do espaço público.
No fundo, paga quem cumpre.
Famalicão decidiu quebrar este ciclo.
Entre multas pesadas, vigilância policial diária e novas infraestruturas, o município quer impor uma nova cultura: responsabilidade, respeito e civismo.
Porque uma cidade limpa não é um luxo. É um direito coletivo, refere o Postal.
E a partir de agora, quem desrespeitar esse princípio vai pagar — caro.




