O céu volta a fechar-se. O vento forte acelera. A chuva regressa com insistência.
Portugal prepara-se para mais uma ofensiva atmosférica marcada por frentes sucessivas, precipitação persistente e mar revolto, num cenário que parece não dar tréguas.
Depois da passagem de várias depressões atlânticas nas últimas semanas, o país continua preso num padrão tipicamente invernal, dominado pelo jato polar — o “motor invisível” que está a empurrar sistemas de mau tempo diretamente para o território nacional. O resultado é claro: dias cinzentos, aguaceiros frequentes, rajadas fortes e nova neve nas montanhas.
E, para já, não há sinais de estabilidade à vista.
Um bloqueio atmosférico que mantém Portugal na rota das tempestades
Segundo os meteorologistas do Luso Meteo, a instabilidade tem origem num bloqueio atmosférico instalado em latitudes elevadas, que está a forçar as depressões atlânticas a descerem mais para sul do que é habitual.
Na prática, Portugal transformou-se numa verdadeira “autoestrada” de frentes frias.
Cada perturbação traz nova chuva, mais vento e temperaturas instáveis. Foi assim com as depressões Joseph, Chandra e, mais recentemente, Kristin — e tudo indica que o padrão se vai repetir.
Enquanto este bloqueio persistir, o inverno continuará a mostrar a sua face mais dura.
Chuva persistente, vento forte e neve nas serras
Os próximos dias deverão manter o país debaixo de um tempo agreste e húmido. A precipitação será frequente, por vezes intensa, sobretudo nas regiões Norte e Centro, onde os solos já se encontram saturados. A sul do Tejo, os períodos de chuva serão mais irregulares, mas ainda assim presentes.
Nas zonas de maior altitude, o cenário muda de tom: a neve regressa às montanhas, com especial incidência na Serra da Estrela, onde a acumulação poderá voltar a ser significativa.
A cota deverá oscilar entre os 1400 e os 1500 metros numa primeira fase, descendo depois para valores próximos dos 1000 a 1300 metros, permitindo a queda de neve a altitudes mais baixas.
O vento também será protagonista. Soprarão rajadas moderadas a fortes de oeste e sudoeste, capazes de ultrapassar os 70 a 80 quilómetros por hora, sobretudo no litoral e nas terras altas.
Mar revolto e ondulação perigosa
No mar, o cenário será ainda mais impressionante.
A formação de uma nova depressão a norte das Ilhas Britânicas deverá gerar ondulação muito energética, com ondas que poderão atingir entre 10 e 12 metros na costa ocidental portuguesa.
Este tipo de agitação marítima representa risco elevado para:
- pescadores
- embarcações de recreio
- atividades costeiras
- zonas ribeirinhas expostas
As autoridades poderão vir a emitir avisos ou restrições, sobretudo em barras marítimas e portos.
A temperatura da água do mar deverá manter-se baixa, entre 13 e 15 graus, reforçando o ambiente tipicamente invernal.
Como estará o tempo nos próximos dias em Portugal continental
A atmosfera continuará dominada por céu muito nublado, com abertas ocasionais apenas a sul do sistema montanhoso Montejunto-Estrela.
A chuva surgirá em vários momentos do dia, alternando entre períodos contínuos e aguaceiros. Em especial no Minho e no Douro Litoral, a precipitação poderá ser persistente.
As temperaturas máximas deverão oscilar entre:
- 12 a 15 graus no interior
- 14 a 18 graus no litoral e Algarve
Apesar de subidas pontuais, o frio regressará gradualmente no final da semana.
Também poderão formar-se nevoeiros matinais em vales e zonas montanhosas, reduzindo a visibilidade e complicando a condução.
Açores e Madeira também sob influência da instabilidade
Nos Açores, o tempo manter-se-á instável, com céu muito nublado, abertas passageiras e aguaceiros frequentes, especialmente no grupo Ocidental. O vento poderá atingir rajadas até 75 km/h e a ondulação oscilar entre 4 e 6 metros.
Na Madeira, esperam-se períodos de nebulosidade com abertas, mas com possibilidade de aguaceiros dispersos, sobretudo nas vertentes sul. O vento será moderado a forte nas terras altas e o mar tenderá a agravar-se na costa norte.
Um inverno que parece não dar tréguas
Tudo indica que este regime atmosférico continuará a dominar os próximos dias — e possivelmente semanas, escreve o Postal.
O jato polar mantém-se ativo, as depressões sucedem-se e o país permanece exposto a sucessivas frentes atlânticas.
Entre chuva persistente, vento forte, neve e mar agitado, o inverno instala-se com força total.
Para muitos, trata-se apenas de mau tempo.
Para outros, é um lembrete claro da força imprevisível da natureza.
E, por agora, Portugal continuará sob a sua influência.





