O som da chuva não abranda. O vento intensifica-se. Os rios já não têm margem. E o pior ainda pode estar para chegar.
Portugal entrou numa nova fase de instabilidade meteorológica com a chegada da depressão Leonardo, um sistema atmosférico agressivo que promete chuva intensa, rajadas de vento até 100 km/h, agitação marítima perigosa e risco real de cheias rápidas.
As autoridades falam em prevenção. Os especialistas falam em preocupação. E a GNR deixa um aviso claro:
É tempo de preparar um kit de emergência para 72 horas.
Porque, quando os acessos falham, a eletricidade cai e as estradas ficam cortadas, a ajuda pode demorar. E nessas primeiras horas, cada família está por conta própria.
Um país sob pressão atmosférica — e hidrológica
A depressão Leonardo surge poucos dias depois de outro episódio severo, Kristin, e encontra o território nacional já fragilizado.
Os solos estão saturados. As barragens sob pressão. As linhas de água próximas do limite. Segundo Duarte Costa, especialista em alterações climáticas, o cenário é preocupante: “Há rios cheios, solos encharcados e grande dificuldade em escoar a água que aí vem.”
Quando o terreno deixa de absorver, a chuva transforma-se rapidamente em escoamento superficial. E isso significa apenas uma coisa: inundações repentinas.
- Ruas transformadas em ribeiros.
- Garagens submersas.
- Carros arrastados.
- Casas invadidas pela água em minutos.
Distritos sob aviso e vento com força destrutiva
Cinco distritos encontram-se sob aviso amarelo devido a chuva forte e rajadas intensas:
- Leiria
- Lisboa
- Setúbal
- Beja
- Faro
Nas terras altas, o vento pode atingir 100 km/h, com potencial para queda de árvores, danos em estruturas e cortes de energia.
Já toda a costa está sob aviso laranja, com:
- ondas até vários metros
- rebentação violenta
- risco elevado de galgamentos costeiros
O mar torna-se imprevisível. Perigoso. Incontrolável.
Chuva de três dias em apenas 24 horas
As previsões são claras — e alarmantes.
Em apenas um dia poderá cair o equivalente a três dias de chuva de inverno.
Em algumas regiões do Alentejo, registou-se recentemente um terço da precipitação anual em apenas dois dias.
Um valor anormal. Excecional. E perigoso.
Esta concentração extrema sobrecarrega:
- sistemas de drenagem
- linhas de água
- barragens
- infraestruturas urbanas
O resultado pode ser caótico.
Plano de emergência ativado
Perante o agravamento do cenário, a Proteção Civil ativou:
- Plano de Emergência Nacional
- 72 planos municipais
- 4 planos distritais
As autoridades reforçam equipas, monitorizam rios e preparam respostas rápidas.
Mas há um limite.
Nem sempre é possível chegar a todo o lado a tempo.
E é por isso que a preparação individual ganha importância crítica.
GNR recomenda: preparar um kit de emergência para 72 horas
A recomendação é direta e objetiva.
Cada família deve garantir autonomia mínima durante três dias, período considerado crucial até à normalização dos serviços.
Não se trata de alarmismo.
Trata-se de sobrevivência básica.
O que deve incluir o kit:
- água (3 litros por pessoa/dia)
- alimentos não perecíveis
- lanterna e pilhas
- rádio portátil
- powerbank
- medicamentos essenciais
- kit de primeiros socorros
- manta térmica
- documentos impermeabilizados
- dinheiro em numerário
- roupa seca e impermeável
Pode parecer excessivo.
Até ao momento em que falta luz, água ou acesso às estradas.
Nessa altura, cada item faz diferença.
“Ainda não começou a parte mais difícil”
Duarte Costa deixa um aviso inquietante:
“Ousaria dizer que ainda não começou verdadeiramente a chover.”
O pico da tempestade poderá surgir nas próximas horas.
E o especialista apela à redução de deslocações:
- evitar viagens desnecessárias
- optar por teletrabalho
- proteger bens em caves e rés-do-chão
- não estacionar em zonas ribeirinhas
Pequenas decisões podem evitar grandes perdas.
Um novo padrão climático mais extremo
O que antes era exceção está a tornar-se regra.
Tempestades mais intensas.
Chuva mais concentrada.
Eventos extremos mais frequentes.
Portugal enfrenta uma nova realidade climática.
E a preparação deixou de ser opcional.
Passou a ser prudência.
Porque quando a água chega, já não há tempo para reagir.
Apenas para resistir.
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