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Ocupações ilegais em casas do Estado disparam: o mapa oculto das ‘casas capturadas’ que está a alarmar Portugal

As ocupações ilegais em casas do Estado estão a aumentar e já somam 301 casos. Saiba onde estão, porque crescem e como o Governo tenta travar o fenómeno.

Sara Costa Por Sara Costa
30/11/2025
em Curiosidades, Notícias
0
Casas públicas ocupadas ilegalmente em Portugal

Número de casas públicas ocupadas ilegalmente cresce e preocupa o Estado - https://depositphotos.com/

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As ocupações ilegais em imóveis do Estado estão a tornar-se um dos sinais mais preocupantes da pressão habitacional em Portugal. O fenómeno, que já se estende por centenas de casas públicas, está a provocar apreensão na instituição responsável pela gestão deste património, que admite enfrentar crescentes dificuldades em controlar a vaga de intrusões.

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A realidade é inquietante: os ‘okupas’ não só estão a aumentar, como se concentram especialmente nas zonas urbanas mais densas, onde a tensão entre oferta e procura de habitação é mais dramática.

Nas grandes cidades, cada fração devoluta do Estado transforma-se num alvo preferencial, abrindo uma porta involuntária a ocupações que muitas vezes se prolongam durante meses — ou anos.

Onde se concentram as ocupações ilegais

Segundo dados atualizados de setembro, existem 301 habitações ocupadas ilegalmente no parque público, sendo que a maioria está localizada na Área Metropolitana de Lisboa.

São casas que, por diversas razões, estavam temporariamente devolutas: imóveis à espera de obras, fogos prestes a ser atribuídos ou unidades em processo de reabilitação.

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O parque habitacional público engloba hoje 14.873 casas e mais de 1.500 frações não habitacionais, como garagens. Estão distribuídos por 493 bairros em 139 municípios, uma dispersão territorial que torna a vigilância constante praticamente impossível.

Em muitas situações, são os próprios municípios que alertam o Estado para novas ocupações — quando já estão instaladas há semanas.

A vastidão do território, somada a recursos limitados para fiscalizações regulares, cria o cenário perfeito para que estas intrusões se multipliquem sem controlo imediato.

 

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Despejos: mais rápidos, mas ainda longe do necessário

Entre janeiro e setembro foram já realizados 76 despejos, superando o total do ano anterior. O Estado pretende duplicar este número até ao final de 2025, numa tentativa de recuperar a autoridade sobre o seu património e travar o sentimento de impunidade. Contudo, a lei é clara — e lenta. Só é possível travar uma ocupação em flagrante delito. Quando a casa já está tomada, é obrigatório recorrer aos tribunais.

Leia também:
  • “Okupas” têm novos alvos e recuperá-los não é tarefa fácil
  • Os truques mais usados pelos okupas em Espanha – saiba como os evitar
  • ‘Okupas’ invadem casa de idoso e deixam dívida de água superior a 17.000€
  • Fim dos ‘okupas’? Parlamento aprova lei dura que muda tudo para quem invade casas em Portugal

 

E os processos podem demorar entre seis meses e mais de um ano, prolongando o período em que o imóvel não pode ser atribuído a quem aguarda legalmente.

Este compasso de espera transforma-se num segundo problema: a perceção pública de que o sistema não consegue reagir. Um património público vulnerável coloca em causa a confiança na gestão estatal e, mais grave ainda, gera injustiça para as famílias que esperam, por direito, um teto digno.

Casas vazias, portas abertas… e reocupações inevitáveis

Uma parte significativa dos fogos ocupados ilegalmente está inapta para habitação imediata, necessitando de obras urgentes. Este intervalo — entre o despejo e a reabilitação — cria janelas de risco onde uma nova ocupação pode acontecer a qualquer momento. É um ciclo que se repete e que desgasta profundamente a capacidade de resposta do Estado.

Para acelerar intervenções, foi criado um acordo-quadro de empresas pré-qualificadas, permitindo ativar obras sem lançar novos concursos. O objetivo é simples: reduzir o tempo em que uma casa fica vulnerável e, assim, cortar o ciclo de reocupações.

O que muda na reabilitação e no combate aos ‘okupas’

A nova estratégia assenta em dois pilares:

  1. Obras mais rápidas e menos burocracia
    Quanto menos tempo um imóvel estiver devoluto, menor a probabilidade de ser novamente capturado.
  2. Despejos mais céleres
    O Governo considera inevitável ajustar a legislação para acelerar decisões judiciais em casos de património público.

De acordo com o Postal, a pressão continua mais intensa na Área Metropolitana de Lisboa, mas os casos espalham-se por todo o país, revelando um problema de dimensão nacional. Controlar as ocupações ilegais é, segundo as autoridades, um imperativo de justiça social: garantir que as casas do Estado chegam a quem cumpre critérios, paga impostos e aguarda honestamente por uma solução habitacional.

Num país onde a habitação se tornou uma das maiores angústias da vida contemporânea, cada casa ocupada ilegalmente representa mais do que um imóvel perdido — é uma família legítima deixada para trás.

Stock images by Depositphotos

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Sara Costa

Sara Costa

Sempre adorou comunicar. Por isso, tornou-se uma profissional bem-sucedida no marketing digital e na produção de conteúdos. Paralelamente, formou-se em Turismo e dedica-se à organização de viagens e tours pelo mundo, escrevendo sobre os lugares mais fascinantes que há para conhecer.

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