Depressão Leonardo continua a castigar o país. Vento, chuva, neve e agitação marítima extrema elevam o risco de acidentes, cheias e destruição. O mar não dá tréguas. As ondas crescem, batem com violência contra as falésias, galgam passeios marítimos e avançam perigosamente sobre estradas e portos.
O som é constante. Pesado. Ameaçador. Portugal volta a viver horas de tensão.
Dez distritos do continente, a costa norte da Madeira e o Porto Santo encontram-se hoje sob aviso laranja por agitação marítima, o segundo nível mais grave emitido pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Um sinal claro de perigo real, com potencial para provocar danos significativos e colocar vidas em risco.
E o pior pode ainda não ter passado.
Ondas gigantes e mar perigoso colocam litoral em risco
Segundo o IPMA, a ondulação deverá atingir dimensões preocupantes, com mar muito agitado, correntes fortes e rebentação violenta, sobretudo nas zonas costeiras mais expostas. Nestas condições, basta um momento de distração. Uma rajada mais forte. Uma onda inesperada. E o perigo instala-se.
A circulação junto ao mar torna-se arriscada. As barras marítimas podem fechar. A pesca e a navegação ficam condicionadas. Há risco de galgamentos costeiros, inundações ribeirinhas e danos em infraestruturas portuárias.
O aviso laranja mantém-se:
- na costa norte da Madeira e Porto Santo até às 15h
- em Viana do Castelo, Porto e Beja até ao meio-dia de sábado
- em Aveiro, Coimbra e Leiria até domingo de madrugada
- em Lisboa, Setúbal e Faro até meio da manhã
Quase toda a fachada atlântica permanece sob vigilância apertada. O mar está longe de acalmar.
Neve e frio agravam o cenário no interior
Enquanto o litoral enfrenta a força do oceano, o interior luta contra outro fenómeno extremo. Castelo Branco e Guarda estão também sob aviso laranja por queda de neve, com acumulações significativas nas zonas montanhosas. Estradas escorregadias, gelo, visibilidade reduzida e bloqueios rodoviários podem isolar aldeias e dificultar socorro.
O país divide-se entre dois perigos simultâneos:
De um lado, o mar.
Do outro, a neve.
No meio, populações vulneráveis.
Depressão Leonardo prolonga dias de instabilidade e medo
Tudo isto acontece sob a influência persistente da depressão Leonardo, que continua a arrastar chuva forte, vento intenso e frentes sucessivas sobre o território nacional.
A precipitação tem sido constante. Por vezes torrencial.
Os solos já não absorvem mais água.
Os rios aproximam-se dos limites.
As drenagens urbanas falham.
O risco de cheias rápidas e inundações cresce a cada hora.
E os números começam a refletir a gravidade da situação.
Temporal já causou mortos, feridos e desalojados
Desde a passagem das depressões Kristin e Leonardo, o impacto tem sido devastador.
O balanço é pesado:
- 12 mortos
- centenas de feridos
- famílias desalojadas
- casas destruídas
- empresas encerradas
- estradas cortadas
- escolas fechadas
- milhares sem eletricidade, água ou comunicações
Árvores arrancadas como fósforos.
Telhados projetados pelo vento.
Automóveis submersos.
Cenários que se repetem de norte a sul.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo estão entre as mais afetadas, concentrando grande parte dos danos materiais e das ocorrências registadas pela Proteção Civil.
Governo decreta calamidade em 68 concelhos
Perante a dimensão do desastre, o Governo declarou situação de calamidade em 68 concelhos.
Foi ainda anunciado um pacote de apoio que pode atingir 2,5 mil milhões de euros, destinado à reconstrução de habitações, infraestruturas públicas, empresas e serviços essenciais.
Mas o apoio financeiro não apaga o trauma.
Nem substitui o medo.
Porque enquanto o céu continuar carregado e o mar continuar revolto, a sensação de insegurança mantém-se.
Autoridades pedem máxima precaução
O IPMA e a Proteção Civil recomendam:
- evitar zonas costeiras e passeios marítimos
- não praticar pesca lúdica ou atividades junto ao mar
- reduzir deslocações desnecessárias
- garantir limpeza de escoamentos
- acompanhar avisos oficiais
Em episódios de mar extremo, segundos fazem a diferença.
Uma onda maior pode chegar sem aviso.
E não há margem para erro.
Um inverno que ainda está longe do fim
A sucessão de tempestades levanta uma preocupação crescente: este inverno parece não querer abrandar.
Com o anticiclone afastado e a corrente de jato a canalizar depressões atlânticas diretamente para a Península Ibérica, Portugal continua exposto a novos episódios de instabilidade.
O que hoje é agitação marítima, amanhã pode ser chuva extrema.
O descanso meteorológico continua por chegar.
E o país permanece em alerta.
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