A fraude bancária está a tornar-se cada vez mais sofisticada e perigosa em Portugal. Um dos esquemas que mais preocupa especialistas e clientes é conhecido como IBAN Clipper, um tipo de malware que permite aos criminosos alterar o número de conta durante transferências bancárias, sem que a vítima perceba. Este golpe, cada vez mais frequente, atinge tanto utilizadores de homebanking quanto de aplicações oficiais de bancos, tornando a vigilância digital essencial.
O que é o IBAN Clipper e como funciona
O IBAN Clipper é um software malicioso que se instala no dispositivo da vítima sem aviso. Quando o utilizador copia um IBAN de um beneficiário, o programa substitui automaticamente o número da conta por um IBAN controlado pelos burlões.
- Isto ocorre mesmo quando a transferência é feita no site oficial do banco.
- O processo é rápido e quase impercetível.
- A vítima só se apercebe do erro quando já é tarde demais, ou seja, após a conclusão da operação.
Este tipo de burla digital explora a confiança que depositamos em tecnologia e na segurança das instituições bancárias, transformando um gesto cotidiano, como copiar e colar um IBAN, numa armadilha perigosa.
Estatísticas alarmantes de fraudes bancárias em Portugal
Os números mostram a dimensão do problema:
- As perdas com cartões e transferências totalizaram 8,9 milhões de euros no primeiro semestre de 2024, contra cinco milhões no mesmo período de 2023, segundo o Banco de Portugal.
- Em transferências normais, foram registadas 16 operações fraudulentas por milhão, acima das seis no período homólogo.
- O valor médio das fraudes aumentou para 3.118 euros, evidenciando que os burlões visam somas cada vez mais significativas.
- O peso das reclamações por fraudes online cresceu de 7,2% em 2022 para 8% em 2023.
Estes dados reforçam a necessidade de atenção redobrada nas operações financeiras digitais, onde a tecnologia pode ser aliada, mas também arma de criminosos.
Sinais de alerta: como detetar uma tentativa de fraude
O Banco de Portugal recomenda atenção a comportamentos suspeitos durante uma transferência:
- O ecrã do computador fica estático ou surge uma mensagem de atualização incomum.
- O sistema pede instalação ou atualização de software, seguida de bloqueio temporário.
- Durante este bloqueio, o IBAN do beneficiário é alterado sem que a vítima perceba.
Estes sinais devem ser encarados como alertas imediatos para interromper a operação e proteger o capital.
Como o malware chega ao dispositivo
O IBAN Clipper pode ser instalado de diversas formas, geralmente através de engenharia social:
- Emails falsos com aparência oficial.
- Mensagens SMS que simulam entidades conhecidas.
- Sites falsos que imitam o homebanking do banco.
Mesmo utilizadores experientes podem ser enganados, especialmente se forem induzidos a clicar em links fraudulentos sem suspeitar.
Medidas de proteção essenciais
Para se proteger de fraudes do tipo IBAN Clipper, é essencial seguir algumas regras básicas:
Antes de efetuar transferências
- Aceda sempre diretamente ao site do banco, digitando o endereço manualmente.
- Verifique que o site utiliza HTTPS e que o cadeado de segurança está presente.
- Mantenha sistema operativo e antivírus atualizados.
- Evite clicar em links suspeitos, recebidos por email ou SMS.
Durante a transferência
- Confirme sempre o IBAN do beneficiário na etapa final de verificação.
- Utilize a função de confirmação do beneficiário, que exibe o nome da pessoa ou empresa antes de concluir a transferência. Esta funcionalidade reduziu fraudes em 77% nos primeiros três meses após a sua implementação em 2024.
O que fazer em caso de suspeita
Se notar algo estranho durante uma operação:
- Interrompa imediatamente a transferência.
- Não introduza códigos de autenticação.
- Contacte o banco pelos canais oficiais.
De acordo com o Ekonomista, o Banco de Portugal esclarece que, em casos de uso indevido de credenciais partilhadas, a responsabilidade pode recair sobre o cliente. Nas demais situações, as perdas são assumidas pelas instituições financeiras, reforçando a importância de agir rápido.
IBAN Clipper: um alerta à consciência digital
Este esquema evidencia como a confiança e a distração podem ser exploradas por criminosos digitais. Cada transferência exige atenção, verificação e uma cultura de segurança digital. Mais do que tecnologia, é educação e prudência que protegem o cidadão.
Em tempos em que a maioria das transações bancárias é digital, o conhecimento e a atenção são as melhores armas contra o crime financeiro.





