As caixas Multibanco estão por todo o país: na rua, nos centros comerciais, junto a cafés, supermercados e hospitais. São usadas todos os dias por milhões de pessoas e, exatamente por isso, tornaram-se um dos alvos preferenciais de redes de fraude no Multibanco.
O perigo raramente surge sob a forma de violência ou confronto direto. Pelo contrário, manifesta-se de forma silenciosa, quase invisível, explorando a rotina, a pressa e a confiança excessiva. Em muitos casos, as vítimas só percebem que algo correu mal dias depois, quando o dinheiro já desapareceu da conta.
Entre os esquemas mais recorrentes está o skimming, uma técnica que continua a fazer vítimas apesar dos alertas repetidos da banca e das autoridades.
Skimming: como funciona a fraude que começa num simples gesto
O skimming assenta em dois passos fundamentais:
- Cópia dos dados do cartão, através de um dispositivo colocado discretamente na ranhura do Multibanco
- Captura do PIN, recorrendo a câmaras ocultas ou a teclados falsos sobrepostos
Com estas duas informações, os burlões conseguem clonar cartões ou realizar levantamentos e pagamentos fraudulentos, muitas vezes noutros países, antes de o titular se aperceber.
O mais preocupante é que não existe qualquer alarme sonoro ou aviso visível quando um terminal é adulterado. Tudo depende da atenção de quem o utiliza.
Primeiro sinal crítico: a ranhura do cartão não é como sempre foi
A entrada do cartão é o ponto mais vulnerável do terminal. É aí que os dispositivos de skimming são instalados, muitas vezes com um nível de acabamento que engana até utilizadores experientes.
Detalhes que devem soar a alarme
- A ranhura parece mais grossa ou projetada
- O encaixe não está perfeitamente alinhado
- A peça move-se ao ser tocada
- O tom do plástico não corresponde ao restante painel
Num Multibanco legítimo, nada abana, nada se desloca, nada parece improvisado. Se algo parecer “ligeiramente diferente”, esse detalhe é suficiente para desistir da operação.
Segundo sinal decisivo: o teclado pode não ser o verdadeiro
O teclado é o segundo ponto crítico. Sem o PIN, a fraude fica incompleta — e é por isso que os criminosos investem tanto em formas de o captar. Em muitos casos, o teclado original é coberto por uma película ou estrutura falsa, concebida para registar cada tecla pressionada.
Indícios frequentes
- Teclado mais alto do que o normal
- Sensação estranha ao pressionar as teclas
- Estruturas adicionais por cima ou à volta
- Objetos colados ou mal encaixados
Em paralelo, podem existir microcâmaras ocultas, disfarçadas em caixas de plástico, suportes publicitários ou elementos aparentemente inofensivos no topo do terminal.
O erro mais comum: confiar porque “sempre usei este Multibanco”
Um dos fatores que mais contribui para o sucesso destas fraudes é a falsa sensação de segurança associada à rotina. Muitas vítimas utilizam o mesmo Multibanco há anos e assumem que nada mudou.
No entanto, os dispositivos fraudulentos podem ser instalados em minutos e removidos pouco depois, dificultando a deteção e a responsabilização.
A regra deve ser simples:
cada utilização deve ser encarada como se fosse a primeira vez naquele terminal.
O hábito discreto que continua a salvar contas bancárias
Mesmo quando tudo parece normal, existe um gesto que nunca deve ser dispensado: cobrir o teclado com a mão livre ao introduzir o PIN.
Este comportamento:
- Bloqueia câmaras ocultas
- Dificulta a observação direta
- Reduz drasticamente o risco de comprometimento
É um gesto simples, rápido e eficaz — e continua a ser uma das recomendações mais fortes das autoridades bancárias.
Onde o risco é maior (e onde deve ter atenção redobrada)
Embora nenhum local esteja totalmente isento de risco, existem contextos mais vulneráveis:
- Multibancos isolados na via pública
- Terminais pouco iluminados
- Máquinas afastadas de zonas de vigilância
- Locais com pouco movimento fora do horário comercial
Sempre que possível, deve privilegiar terminais dentro de agências bancárias, centros comerciais ou espaços com vigilância e fluxo constante de pessoas.
O que fazer se houver suspeita de fraude
Perante qualquer sinal estranho, a reação deve ser imediata e cautelosa:
- Não utilize o terminal, mesmo “só para ver se funciona”
- Não insira o cartão nem o PIN
- Contacte o banco ou as autoridades, indicando a localização exata
- Use outro Multibanco, preferencialmente em ambiente controlado
Em caso de dúvida posterior (movimentos estranhos, levantamentos não reconhecidos), o contacto com o banco deve ser feito imediatamente, para bloquear o cartão e limitar danos.
Conclusão: atenção visual vale mais do que qualquer tecnologia
As fraudes em terminais Multibanco não dependem de falhas complexas nos sistemas bancários. Dependem, sobretudo, de desatenção humana.
Observar, desconfiar e agir com prudência continua a ser a linha mais eficaz de defesa. Num contexto em que os esquemas se tornam cada vez mais discretos, a atenção aos detalhes é o último bastião de segurança.
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