Nas estradas portuguesas, um simples segundo de hesitação pode ser suficiente para provocar um acidente.
E, por vezes, o erro nasce de algo aparentemente insignificante: um sinal de trânsito mal interpretado.
Entre os símbolos que mais confundem os condutores estão os sinais B5 e B6. À primeira vista parecem quase iguais. Mesmas setas. Mesma ideia de cruzamento. Mesmo contexto de via estreita.
Mas a realidade é bem diferente – indicam prioridades exatamente opostas.
Confundi-los pode resultar em multas, perda de pontos na carta de condução e, pior ainda, colisões frontais em zonas apertadas, onde o espaço para reagir é praticamente nulo.
Saber distingui-los não é apenas uma questão de cumprir a lei.
É uma questão de segurança.
Dois sinais, duas ordens completamente diferentes
Apesar de semelhantes no desenho, a mensagem transmitida por cada um é clara – e contrária.
B5 – Cedência de passagem
Este sinal obriga o condutor a:
- Parar, se necessário
- Reduzir a velocidade
- Ceder prioridade aos veículos em sentido contrário
Ou seja: não pode avançar primeiro.
B6 – Prioridade de passagem
Aqui acontece o inverso:
- O condutor tem prioridade
- Pode avançar primeiro
- Os veículos do sentido oposto devem esperar
Ou seja: tem o direito legal de seguir.
Ambos fazem parte do Regulamento de Sinalização do Trânsito e são de cumprimento obrigatório, tal como definido no Código da Estrada.
Ignorá-los não é uma distração inocente — é uma infração.
As diferenças visuais que evitam erros caros
Grande parte da confusão acontece por falta de atenção aos detalhes gráficos. No entanto, existem pistas visuais muito simples que permitem distingui-los de imediato.
B5 – circular e vermelho
- Forma redonda
- Contorno vermelho
- Seta vermelha voltada para o condutor
- Seta preta no sentido oposto
O vermelho funciona como alerta universal: parar ou ceder.
B6 – quadrado e azul
- Forma quadrada
- Fundo azul
- Seta branca a subir (prioridade)
- Seta vermelha a descer (cedência do outro lado)
O azul transmite permissão: avançar.
Regra prática de memorização:
Vermelho trava. Azul avança.
Simples, rápido e eficaz.
O que pode acontecer se houver erro na interpretação
Desvalorizar estes sinais pode sair caro — financeira e legalmente.
No caso do B5:
Avançar sem ceder constitui contraordenação grave (art.º 145.º do Código da Estrada), podendo resultar em:
- Coima significativa
- Perda de pontos na carta
- Possível inibição de conduzir
No caso do B6:
Parar indevidamente não costuma originar multa, mas pode provocar:
- Confusão no trânsito
- Bloqueios na via
- Colisões por indecisão
- Conflitos entre condutores
Em ruas estreitas, pontes, túneis ou zonas históricas, esta hesitação pode transformar-se rapidamente num acidente.
Um dos erros mais comuns nos exames de condução
Dados do Instituto da Mobilidade e dos Transportes indicam que a confusão entre B5 e B6 é das falhas mais frequentes nos exames práticos.
A explicação é simples:
- Semelhança gráfica
- Pressão do momento
- Falta de observação
- Excesso de confiança
No dia a dia, a pressa agrava ainda mais o problema. Muitas situações de “quem avança primeiro” resultam apenas de má interpretação do sinal.
A sinalização está acima de qualquer regra geral
Há um princípio fundamental que não pode ser esquecido:
A sinalização prevalece sempre.
Os artigos 7.º e 25.º do Código da Estrada determinam que:
- Os sinais sobrepõem-se às regras gerais de prioridade
- Devem ser respeitados mesmo que contrariem a lógica habitual da via
Ou seja, mesmo que pareça ter prioridade, o sinal é quem manda.
Resumo rápido para não falhar
- B5 (vermelho e circular) → ceder passagem
- B6 (azul e quadrado) → prioridade de passagem
Um pequeno detalhe visual pode ser a diferença entre uma manobra segura e uma infração grave.
Na estrada, a atenção aos pormenores salva vidas.




