A depressão Regina, nomeada pelo IPMA, prepara-se para marcar o início de março com vento forte, mar muito agitado e transporte significativo de poeiras do Norte de África.
Embora o impacto mais severo esteja previsto para o arquipélago da Madeira, os efeitos indiretos far-se-ão sentir também em Portugal continental, com instabilidade atmosférica, aguaceiros irregulares e concentração elevada de partículas em suspensão.
Trata-se da 17.ª tempestade nomeada da temporada, estabelecendo um novo recorde desde o início do sistema de nomeação de tempestades.
Onde se vai posicionar a depressão Regina?
Na terça-feira, o centro da depressão deverá localizar-se a oeste de Marrocos, com pressão central próxima dos 1008 hPa — valor que não indica uma tempestade particularmente profunda.
Contudo, o fator determinante não é apenas a pressão mínima absoluta, mas sim o contraste com o anticiclone localizado a oeste, onde a pressão ultrapassa os 1030 hPa.
Essa diferença acentuada gera um forte gradiente de pressão atmosférica, comprimindo as isóbaras e intensificando o vento.
É precisamente este “efeito de compressão” que explica as rajadas previstas superiores a 120–130 km/h na Madeira.
Impacto da depressão Regina na Madeira
Rajadas até 130 km/h e risco acrescido
Segundo o IPMA, a terça-feira será o dia mais crítico no arquipélago.
São esperadas:
- Rajadas generalizadas entre 80 e 90 km/h
- Picos até 120–130 km/h nas terras altas e vertentes expostas a Norte e Nordeste
- Forte agitação marítima, com ondas superiores a 8 metros
- Aguaceiros ocasionais, sobretudo nas encostas norte e zonas montanhosas
O período entre as 6h e as 15h de terça-feira deverá concentrar a maior intensidade do fenómeno.
Consequências possíveis
Os efeitos mais prováveis incluem:
- Perturbações no tráfego aéreo no aeroporto do Funchal
- Queda de árvores
- Danos em estruturas frágeis
- Destelhamentos pontuais
Apesar da intensidade, o cenário enquadra-se num padrão relativamente típico do inverno madeirense.
Efeitos em Portugal continental
Segunda-feira com aguaceiros e trovoada
Em Portugal continental, a influência da depressão Regina será indireta.
Na segunda-feira poderão ocorrer:
- Aguaceiros dispersos
- Trovoadas localizadas
- Episódios pontuais de granizo
- Risco reduzido, mas não descartável de inundações rápidas
A instabilidade estará associada à perturbação em altitude já prevista para o início da semana.
Terça e quarta-feira com poeiras em suspensão
O impacto mais relevante no continente será o transporte de poeiras do Norte de África, impulsionado por um fluxo de sudeste/leste ativo.
A concentração prevista é elevada, podendo provocar:
- Céu turvo
- Redução da qualidade do ar
- Deposição de poeiras nas superfícies
- Aguaceiros de lama em alguns locais
As poeiras poderão também inibir parcialmente a formação de precipitação mais intensa, ao limitar processos convectivos.
Riscos para a saúde
A presença de poeiras africanas aumenta o risco para:
- Pessoas com doenças respiratórias
- Idosos
- Crianças
- Indivíduos com alergias
Recomenda-se atenção redobrada à qualidade do ar e limitação de exposição prolongada ao exterior nos dias de maior concentração.
Situação em Espanha e Canárias
No sul e sudeste de Espanha são esperadas precipitações ocasionalmente intensas, com trovoadas.
As Ilhas Canárias também deverão registar:
- Ventos fortes
- Mar agitado
- Elevada carga de poeiras
O que acontece depois?
Na quinta-feira, a depressão deverá afastar-se progressivamente.
Em Portugal continental poderá instalar-se um regime de vento norte mais intenso, favorecido pela rápida subida da pressão atmosférica a oeste e manutenção de valores mais baixos no interior da Península Ibérica.
Este padrão é semelhante ao que origina as conhecidas “nortadas” de verão.
Março começa instável, mas sem cenário extremo no continente
De acordo com o Luso Meteo, os primeiros dez dias de março deverão ser marcados por variabilidade atmosférica:
- Alternância entre períodos secos e aguaceiros
- Temperaturas ligeiramente acima da média durante o episódio de poeiras
- Ausência, para já, de um cenário de mau tempo severo generalizado em Portugal continental
Ainda assim, os modelos continuam a apontar para a possível instalação de um regime mais húmido na segunda metade do mês.





