A atmosfera sobre o Atlântico Norte entrou numa fase de grande instabilidade e os seus efeitos começam a fazer-se sentir em cadeia por toda a Europa Ocidental. A chamada depressão Goretti, um sistema de desenvolvimento rápido e potencialmente severo, está a organizar-se a norte da Península Ibérica e deverá provocar alterações relevantes no estado do tempo em Portugal já esta quinta-feira, ainda que sem os impactos extremos previstos para outros países europeus.
Este fenómeno meteorológico caracteriza-se por um cavamento acentuado da pressão atmosférica, podendo enquadrar-se num episódio de ciclogénese explosiva — um processo em que a pressão no centro da depressão desce de forma abrupta num curto espaço de tempo.
Os modelos apontam para consequências mais intensas em França e no Reino Unido, onde se antecipam rajadas de vento severas, chuva persistente e agitação marítima significativa. Em Portugal, o país deverá permanecer na periferia do sistema, mas não ficará imune à mudança do padrão atmosférico.
Uma trajetória que define o grau de impacto
Segundo a Luso Meteo, plataforma especializada na análise de modelos meteorológicos, subsistem ainda incertezas importantes quanto à trajetória exata da depressão Goretti. Um ligeiro desvio no percurso poderá alterar de forma decisiva a distribuição dos efeitos mais severos na Europa Ocidental.
Se o centro depressionário evoluir para uma rota mais meridional, o impacto em França poderá ser mais expressivo. Caso a trajetória se desloque para norte, será o Reino Unido a ficar sob o eixo principal da instabilidade.
Em qualquer destes cenários, Portugal continuará afastado do núcleo mais agressivo, sentindo sobretudo a passagem de frentes associadas ao sistema.
Está igualmente em aberto a possibilidade de o sistema receber oficialmente um nome, algo que depende da região onde se registarem impactos mais significativos. Essa designação poderá ser atribuída por diferentes serviços meteorológicos nacionais, consoante a evolução observada nas próximas horas.
Cavamento rápido, mas efeitos mitigados em Portugal
Os cenários mais recentes indicam que a pressão atmosférica no centro da depressão poderá descer para valores inferiores a 970 hectopascais já a leste de Portugal Continental. Este posicionamento reduz de forma considerável o risco de fenómenos extremos no território nacional.
Ainda assim, rajadas de vento moderadamente fortes poderão ocorrer, sobretudo nas terras altas do Norte, onde a exposição orográfica potencia a intensidade do vento. A precipitação deverá concentrar-se principalmente nas regiões Norte e Centro, enquanto o Sul poderá beneficiar de períodos com abertas, sobretudo durante a manhã.
Quinta-feira marcada por mudança no estado do tempo
A influência da depressão Goretti será mais evidente na quinta-feira, com o céu a apresentar-se muito nublado ou encoberto na maioria das regiões. Poderão formar-se neblinas e nevoeiros em vales e zonas baixas, especialmente durante as primeiras horas do dia.
Os aguaceiros terão início no Norte, tornando-se gradualmente mais frequentes e persistentes ao longo do dia, estendendo-se depois ao Centro. O vento deverá intensificar-se a partir da tarde, com maior expressão no litoral e nas terras altas a norte do sistema Montejunto–Estrela.
As temperaturas não deverão sofrer oscilações bruscas, mantendo-se dentro dos valores normais para o início de janeiro. As mínimas continuarão baixas no interior, enquanto o litoral registará máximas mais amenas, refletindo a influência marítima.
Açores sob instabilidade, Madeira com melhoria gradual
Nos Açores, a passagem de uma perturbação secundária associada à depressão provocará períodos de chuva nos grupos Ocidental e Central, acompanhados de vento moderado. No Grupo Oriental, a precipitação deverá ser mais esporádica e pouco significativa. A ondulação poderá aumentar temporariamente, sobretudo nas ilhas mais expostas ao quadrante oeste.
Na Madeira, depois de um início de mês marcado por alguma instabilidade, o tempo tende a estabilizar. Esperam-se apenas aguaceiros fracos e localizados, sobretudo em zonas montanhosas e encostas voltadas a norte, com melhoria progressiva ao longo dos próximos dias, refere o Postal.
Um inverno que continua dinâmico
De acordo com a Luso Meteo, a persistência de depressões ativas a norte da Europa, em conjugação com a posição do anticiclone no Atlântico, poderá continuar a favorecer novos episódios de precipitação nas próximas semanas. O padrão atmosférico mantém-se altamente dinâmico, típico de um inverno marcado por contrastes e mudanças rápidas no estado do tempo.





