Todos os meses, quase sem se dar conta, milhares de portugueses pagam para… simplesmente ter uma conta aberta no banco. Não se trata de um crédito, nem de um serviço extra. É apenas a chamada comissão de manutenção de conta à ordem – um custo silencioso que, somado ao longo do ano, pode ultrapassar facilmente 60, 80 ou até 120 euros.
Dinheiro que desaparece sem retorno real.
A boa notícia? Existem alternativas legais, simples e totalmente acessíveis que permitem reduzir drasticamente ou eliminar por completo este encargo. Basta conhecer as opções certas e agir.
Este guia explica, de forma clara e prática, como evitar comissões bancárias, que soluções existem em Portugal e qual a estratégia mais vantajosa para cada perfil.
Porque continuam os portugueses a pagar comissões?
Durante anos, pagar pela manutenção da conta foi visto como inevitável. A maioria dos clientes nunca questionou.
Contudo, o setor bancário mudou:
- surgiram contas digitais gratuitas;
- a lei criou os serviços mínimos bancários;
- vários bancos oferecem isenções por fidelização;
- muitos pacotes incluem serviços desnecessários.
Ainda assim, a inércia mantém milhares de pessoas presas a custos que já não fazem sentido.
No atual contexto económico, cada euro poupado conta — especialmente em despesas fixas mensais.
Serviços mínimos bancários: a forma mais barata e garantida por lei
Para quem utiliza a conta apenas para operações básicas do dia a dia, esta é frequentemente a solução mais económica. Os serviços mínimos bancários, regulados por lei, permitem ter acesso aos serviços essenciais por um custo anual muito reduzido — ou quase simbólico.
Esta modalidade inclui:
- cartão de débito;
- levantamentos na rede Multibanco;
- pagamentos de serviços e compras;
- transferências online;
- débito direto;
- acesso ao homebanking.
Tudo o que a maioria das pessoas realmente usa.
A condição principal é não possuir outras contas de depósito à ordem em Portugal (salvo exceções previstas na lei).
Para perfis simples e sem necessidades complexas, é praticamente impossível encontrar opção mais barata.
Domiciliar rendimentos pode eliminar a comissão
Os bancos tradicionais preferem clientes “fiéis”. E recompensam essa fidelização.
Na prática, muitas instituições isentam a comissão de manutenção quando:
- o salário ou pensão é domiciliado na conta;
- existe um valor mínimo de poupanças ou investimentos;
- são subscritos produtos adicionais, como seguros ou cartões de crédito.
Para quem já concentra a relação financeira numa única entidade, esta solução pode ser vantajosa — sem necessidade de mudar de banco.
Contudo, é fundamental verificar se as exigências compensam. Obrigar a contratar produtos apenas para evitar a comissão pode sair mais caro.
Bancos digitais: contas sem custos e sem balcões
Nos últimos anos, os bancos digitais transformaram o mercado bancário em Portugal.
Estas instituições funcionam quase exclusivamente através de aplicações móveis e plataformas online — e, por isso, conseguem eliminar grande parte dos custos operacionais.
O resultado é claro:
- zero comissão de manutenção;
- cartões gratuitos;
- transferências simples;
- apps intuitivas;
- abertura de conta rápida.
Para quem faz tudo pelo telemóvel e raramente precisa de balcão físico, é uma alternativa altamente competitiva.
A única limitação relevante é a menor facilidade para depósitos em numerário ou atendimento presencial.
Pacotes bancários: o custo escondido que poucos analisam
Muitos clientes pagam comissões sem perceber que estão presos a um “pacote” de serviços.
Estes planos incluem, por exemplo:
- cartões adicionais;
- seguros;
- proteção de compras;
- linhas premium;
- serviços que raramente são utilizados.
Se apenas é usado o cartão de débito e o Multibanco, faz sentido pagar por extras?
Na maioria dos casos, não.
Pedir a alteração para uma conta simples, sem pacote associado, pode representar uma poupança imediata.
Jovens, estudantes e seniores podem ter isenção total
Grande parte das instituições oferece condições especiais para:
- estudantes;
- jovens até cerca de 25–30 anos;
- clientes seniores ou pensionistas.
Estas contas costumam ter isenção total de comissões.
O problema surge quando o regime termina automaticamente e a comissão começa a ser cobrada sem aviso claro.
Rever as condições antes dessa transição evita surpresas desagradáveis.
Como comparar os custos de cada banco
A melhor forma de decidir é consultar informação oficial.
O Portal do Cliente Bancário, do Banco de Portugal, disponibiliza gratuitamente:
- preçários atualizados;
- comissões cobradas por cada instituição;
- comparação entre contas.
É a fonte mais fiável para perceber quanto custa realmente cada opção.
Que solução compensa mais? (Explicação em texto)
De forma geral:
Os bancos digitais oferecem isenção quase automática e exigem pouco do cliente, sendo ideais para utilização online.
Os bancos tradicionais tendem a exigir domiciliação de rendimentos ou produtos associados para eliminar comissões.
As contas exclusivamente online reduzem custos ao exigir apenas operações digitais.
Os serviços mínimos bancários garantem o preço mais baixo possível, mas limitam a existência de outras contas.
A escolha depende do perfil, da idade, dos hábitos e da necessidade (ou não) de atendimento presencial.
Conclusão: poupar começa na conta bancária
Cortar comissões de manutenção é uma das formas mais rápidas e fáceis de poupar dinheiro sem alterar o estilo de vida.
Não exige sacrifícios. Exige apenas informação.
Em muitos casos, bastam 15 minutos para:
- mudar para serviços mínimos;
- renegociar condições;
- eliminar um pacote inútil;
- ou abrir conta num banco digital gratuito.
Ao fim do ano, a poupança pode pagar contas, combustível ou até férias.
Num orçamento familiar pressionado, não faz sentido pagar por algo que pode ser gratuito.




