A chuva não dá tréguas. Os dias passam, os rios enchem, os solos saturam-se e o céu cinzento parece ter vindo para ficar.
Portugal atravessa um dos períodos mais persistentes de precipitação dos últimos anos e, segundo as previsões meteorológicas mais recentes, o cenário deverá manter-se pelo menos até meados de fevereiro. A promessa de sol continua adiada, enquanto sucessivas depressões atlânticas atravessam o território, trazendo chuva frequente, aguaceiros intensos, vento forte e risco crescente de cheias.
O padrão atmosférico instalou-se como um ciclo repetitivo: frente após frente, sistema após sistema, sem espaço para uma estabilização duradoura.
E a pergunta que muitos fazem é simples — quando regressa o anticiclone e o tempo seco?
Chuva persistente durante mais uma semana
De acordo com os modelos meteorológicos, os próximos sete a oito dias deverão continuar marcados por precipitação quase diária. Haverá pequenas pausas, algumas abertas momentâneas, mas insuficientes para secar terrenos já completamente encharcados.
Entre vários períodos de instabilidade, esperam-se:
- episódios de chuva forte e contínua;
- rajadas de vento moderadas a fortes;
- possibilidade de trovoadas;
- aumento dos caudais dos rios;
- maior risco de inundações urbanas e transbordos.
Nas regiões Norte e Centro, onde o solo já atingiu níveis críticos de saturação, cada milímetro adicional de chuva aumenta exponencialmente o perigo. A água deixa de infiltrar. Escorre. Acumula. Invade.
Basta uma hora de precipitação intensa para transformar ruas em ribeiras improvisadas.
Porque é que a chuva não pára?
A explicação está nos céus — mais concretamente, na posição do anticiclone dos Açores. Normalmente, este sistema de altas pressões atua como uma muralha protetora, bloqueando a entrada de depressões. Mas atualmente encontra-se deslocado para sul e enfraquecido, abrindo um verdadeiro corredor atmosférico para massas de ar húmido vindas do Atlântico.
O resultado é um fluxo contínuo de frentes que atravessam Portugal como comboios sucessivos.
Enquanto o anticiclone não recuperar força e subir em latitude, o país continuará exposto.
Até quando vai chover?
As projeções indicam manutenção do tempo instável pelo menos até dia 11 de fevereiro, com vários momentos críticos.
Durante este período são esperados:
- novos episódios de chuva generalizada;
- vento forte no litoral e terras altas;
- agitação marítima significativa;
- possibilidade de neve nas serras mais elevadas.
Mesmo nos dias com menos precipitação, a humidade elevada e o céu carregado deverão manter a sensação de instabilidade permanente.
Há esperança de tempo seco?
Sim, mas com cautela.
Alguns modelos começam a sugerir uma possível mudança entre 12 e 15 de fevereiro, altura em que o anticiclone poderá reforçar-se ligeiramente e aproximar-se do território continental.
Se este cenário se confirmar, poderá verificar-se:
- redução gradual da chuva;
- mais abertas;
- subida das temperaturas;
- tardes mais amenas, sobretudo a sul.
No entanto, esta melhoria será lenta e irregular.
Além disso, o aumento das temperaturas poderá acelerar o degelo nas serras, contribuindo para maior escorrência de água para as bacias hidrográficas — um fator que pode manter elevado o risco de cheias, mesmo com menos chuva.
Ou seja: o perigo não desaparece de imediato.
Situação nos arquipélagos
Açores
O tempo deverá manter-se francamente instável, com chuva quase diária, vento forte de sudoeste e elevada humidade. A passagem frequente de frentes continuará a dominar o estado do tempo.
Madeira
Cenário mais tranquilo, com alternância entre períodos secos e húmidos, temperaturas amenas e menor influência das depressões atlânticas, graças à proximidade do anticiclone.
Risco hidrológico em aumento
A grande preocupação já não é meteorológica — é hidrológica.
Com barragens cheias, rios elevados e solos incapazes de absorver mais água, qualquer novo episódio intenso pode desencadear:
- cheias rápidas;
- inundações urbanas;
- deslizamentos de terras;
- cortes de estrada;
- danos materiais significativos.
O perigo acumula-se dia após dia.
E é precisamente essa persistência silenciosa que torna este período particularmente delicado.
Luz ao fundo do túnel… mas ainda distante
Há sinais de mudança. Mas não garantias.
O inverno ainda não terminou, e basta um novo desvio da corrente de jato polar para reabrir a porta às depressões atlânticas.
Até lá, o guarda-chuva continua indispensável e a vigilância necessária.
Porque, neste momento, cada nuvem conta. E cada milímetro pesa.
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