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Início Histórias Curiosidades

A burla do Multibanco que leva o próprio utilizador a revelar o PIN

Chamadas falsas pedem o PIN no Multibanco e roubam dinheiro em minutos. Saiba como funciona o vishing e a regra essencial para se proteger.

Sara Costa Por Sara Costa
24/01/2026
em Curiosidades, Notícias
0
Pessoa a utilizar caixa Multibanco enquanto fala ao telemóvel, representando burla telefónica

Esquema de vishing usa chamadas falsas para manipular utilizadores e desviar dinheiro - Depositphotos

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O telemóvel toca.
Do outro lado da linha, uma voz segura, profissional, convincente.

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“Estamos a ligar do seu banco. Detetámos uma operação suspeita. É urgente agir já para proteger a conta.”

O coração acelera. O medo instala-se. A pressa toma conta.

Minutos depois, numa caixa Multibanco, o código PIN é introduzido com a convicção de que está a impedir um roubo.

Na realidade, está a autorizá-lo.

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Este é o novo rosto das burlas bancárias em Portugal: sofisticadas, psicológicas, quase invisíveis.
Chamam-se vishing – e estão a fazer cada vez mais vítimas.

Sem violência. Sem hackers. Sem cartões clonados.

Apenas manipulação.

E resulta.

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O que é o vishing e porque está a crescer

O termo vem da junção de “voice” (voz) com “phishing”. Trata-se de uma burla telefónica baseada em engenharia social, onde o criminoso convence a própria vítima a realizar operações que abrem caminho ao roubo do dinheiro.

Leia também:
  • Perigo! Se o seu PIN for um destes, mude-o já!
  • A burla no multibanco que mais vítimas faz em Portugal
  • Este truque no Multibanco está a enganar muitos portugueses
  • O truque da nota no Multibanco: como funciona a burla e como se proteger

 

Se antes as fraudes dependiam:

  • do roubo físico do cartão
  • da clonagem magnética
  • ou de malware

hoje o método é mais simples – explora emoções humanas: medo, urgência e confiança na autoridade.

O resultado é devastador.

Porque quando é a própria pessoa a introduzir o PIN, o sistema interpreta a operação como legítima.

O elemento-chave do esquema: criar urgência e pânico

Nada neste golpe é deixado ao acaso.

O burlão sabe que, sob pressão, o cérebro decide mal.

Tudo começa com uma chamada que parece autêntica. O número exibido no ecrã pode surgir como sendo do banco, graças a técnicas de falsificação de identificação de chamadas (spoofing).

A credibilidade é imediata.

A conversa segue um guião cuidadosamente ensaiado:

  • “Tentativa de clonagem do cartão”
  • “Levantamento suspeito no estrangeiro”
  • “Conta prestes a ser bloqueada”
  • “Movimentos fraudulentos em curso”

Depois vem a frase decisiva:

“Tem de agir agora.”

Sem tempo para pensar. Sem espaço para confirmar.

A vítima entra em modo de emergência.

E é exatamente isso que o criminoso pretende.

O momento crítico acontece no Multibanco

Mantendo a chamada ativa, o falso “técnico” orienta passo a passo.

Pede que se dirija a uma caixa Multibanco “para cancelar a fraude”.

No local, as instruções parecem normais:

  • ativar ou validar serviços
  • alterar limites diários
  • aderir ao MB Way
  • confirmar dados de segurança

Nada parece suspeito.

Mas todas estas operações exigem uma coisa: o PIN.

Ao introduzi-lo, a vítima acredita que está a proteger a conta.

Na prática, está a dar autorização direta ao burlão para associar serviços ao seu próprio telemóvel ou para movimentar dinheiro.

É o momento em que a porta se abre.

Como o dinheiro desaparece em segundos

Assim que a validação é feita, o controlo passa para o criminoso.

Em poucos minutos, pode:

  • associar o MB Way ao seu número
  • levantar dinheiro sem cartão
  • fazer compras online
  • realizar transferências instantâneas
  • esvaziar a conta para múltiplos destinos

Quando a vítima percebe o que aconteceu, muitas vezes já é tarde.

O dinheiro foi pulverizado por várias contas e o rastreio torna-se extremamente difícil.

Em alguns casos, impossível.

A regra de ouro que impede 100% destas burlas

Existe uma norma simples, absoluta e infalível:

Nenhum banco pede o PIN ou códigos de segurança após uma chamada telefónica.

Nunca. Em nenhuma circunstância.

Nem para:

  • cancelar fraudes
  • bloquear cartões
  • validar operações
  • atualizar dados
  • “proteger” a conta

Se alguém pedir o PIN, trata-se de burla. Sem exceções.

O que fazer perante uma chamada suspeita

Perante qualquer contacto deste género, a atitude correta é imediata:

  • terminar a chamada
  • não seguir instruções
  • não fornecer códigos
  • contactar o banco apenas através do número oficial do cartão ou do site
  • nunca devolver chamadas para o número recebido

Mesmo que pareça legítimo.

Mesmo que insistam.

Mesmo que ameacem.

A segurança está sempre acima da pressa.

Porque estas burlas são tão eficazes

O vishing não depende de tecnologia complexa.

Depende de algo muito mais poderoso: comportamento humano.

Os burlões exploram:

  • medo de perder dinheiro
  • respeito por figuras de autoridade
  • reflexo automático de obedecer
  • falta de tempo para pensar

Não roubam o cartão.

Levam a vítima a abrir a porta voluntariamente.

É por isso que qualquer pessoa pode cair – independentemente da idade ou experiência digital.

Desconfiança é proteção

Num mundo cada vez mais digital, a melhor defesa continua a ser simples: desconfiar.

O PIN é pessoal, secreto e intransmissível.

Sempre que alguém pedir para o introduzir ou revelar, o cenário é claro.

Não é ajuda.
Não é proteção.
É fraude.

E desligar pode ser a decisão que salva uma conta inteira.

Stock images by Depositphotos

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Etiquetas: burla Multibancoburla PIN Multibancochamadas falsas bancovishing Portugal
Sara Costa

Sara Costa

Sempre adorou comunicar. Por isso, tornou-se uma profissional bem-sucedida no marketing digital e na produção de conteúdos. Paralelamente, formou-se em Turismo e dedica-se à organização de viagens e tours pelo mundo, escrevendo sobre os lugares mais fascinantes que há para conhecer.

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