Há famílias que pagam imposto a mais… simplesmente porque não confirmam estes detalhes. Todos os anos repete-se o mesmo ritual. Faturas guardadas. Recibos esquecidos numa gaveta. Despesas acumuladas ao longo de 12 meses.
Consultas médicas. Medicamentos. Rendas. Propinas. Creches. Manuais escolares.
Dinheiro que sai do bolso mês após mês. Depois chega o IRS — e a esperança de recuperar parte desse esforço.
Mas o que muitos contribuintes não sabem é isto:
basta um pequeno erro para perder centenas ou até milhares de euros em deduções.
Uma fatura mal classificada. Uma renda que não aparece. Uma despesa que ficou fora do sistema.
E, sem se aperceber, o Estado fica com dinheiro que poderia regressar à conta bancária.
Todos os anos, milhares de portugueses recebem reembolsos mais baixos — ou pagam imposto adicional — por falhas simples que poderiam ser evitadas em poucos minutos.
Conhecer os erros mais comuns pode fazer a diferença entre receber 300€… ou 1.200€.
Porque se perde tanto dinheiro no IRS?
O sistema de deduções funciona de forma automática através do e-Fatura. Mas essa automatização tem um problema: não corrige erros sozinha.
Se as despesas:
- não forem validadas
- estiverem na categoria errada
- não tiverem NIF
- ou não forem comunicadas pela entidade
simplesmente não contam.
O sistema não avisa.
O reembolso diminui.
E o contribuinte só percebe tarde demais.
Os erros mais comuns que custam centenas de euros
1. Não validar faturas no e-Fatura
É o erro mais frequente.
Faturas pendentes ficam meses por validar e, se não forem confirmadas dentro do prazo, podem não ser consideradas.
Basta aceder ao Portal das Finanças e:
- confirmar categorias
- corrigir classificações
- associar atividades corretas
Cinco minutos podem valer centenas de euros.
2. Despesas de saúde mal classificadas
Consultas, exames, cirurgias, próteses, medicamentos ou seguros de saúde dão direito a dedução.
Mas muitas farmácias e clínicas comunicam faturas como “despesas gerais”.
Resultado: perde-se parte do benefício.
As despesas de saúde permitem deduzir:
15% até ao limite legal anual.
Se estiverem mal categorizadas, o valor dedutível encolhe drasticamente.
3. Rendas de casa que não aparecem no sistema
Quem vive em casa arrendada pode deduzir parte significativa das rendas.
Mas isso só acontece se:
- o senhorio emitir recibos eletrónicos
- o contrato estiver registado nas Finanças
Se o recibo não existir no sistema, a dedução desaparece.
Pode significar perder centenas de euros por ano.
4. Propinas, creches e manuais fora da categoria educação
Despesas com:
- propinas universitárias
- creches
- colégios
- manuais escolares
- explicações
têm dedução própria.
Mas muitas vezes surgem como “outros serviços”.
A educação permite deduzir 30% até ao limite anual.
Sem correção manual, perde-se dinheiro.
5. Despesas sem NIF
Ainda há quem não peça contribuinte.
Cada fatura sem NIF é dinheiro perdido.
Mesmo pequenos valores somados ao longo do ano podem representar dezenas ou centenas de euros.
6. Não declarar despesas de lares ou apoio a idosos
Despesas com lares e apoio domiciliário são dedutíveis.
E muitas famílias desconhecem totalmente este direito.
Num contexto de envelhecimento da população, esta falha pode custar muito caro.
7. Não simular antes de entregar a declaração
Muitos entregam o IRS automaticamente.
Sem simulação.
Sem comparar opções.
Sem testar tributação conjunta ou separada.
Em casais, a diferença pode ultrapassar mil euros.
Simular é gratuito e pode alterar drasticamente o valor final.
8. Confiar cegamente no IRS automático
O IRS automático é prático.
Mas não é infalível.
Se houver erros nas despesas, o sistema não corrige.
Aceitar sem verificar pode significar:
- deduções perdidas
- reembolso inferior
- imposto a pagar desnecessariamente
Quanto se pode perder?
Exemplo realista:
- saúde: 800€
- educação: 2.000€
- rendas: 6.000€
Se tudo estiver correto, o reembolso pode ultrapassar 1.000€.
Se estiver mal classificado, pode cair para metade.
Dinheiro que nunca regressa.
Como garantir que não perde nada?
Checklist essencial:
- validar faturas mensalmente
- confirmar categorias
- pedir sempre NIF
- verificar recibos de renda
- simular antes de submeter
- comparar modelos
- guardar comprovativos
Pequenos gestos. Grande impacto.





