Início Histórias Sismos: A placa africana está a rachar o país

Sismos: A placa africana está a rachar o país

O sismo de Arraiolos foi uma surpresa. Não só porque não se pode prever um sismo, como porque este é o maior sismo originado em terra nos últimos anos.

_

12 – Quais os grandes sismos que atingiram Portugal?

26 de janeiro de 1531, um sismo de magnitude estimada de 7,5 na escala de Richter sacudiu a cidade de Lisboa e terá matado aproximadamente 30 mil pessoas. O terramoto, sucedido por duas réplicas, aconteceu entre as quatro e as seis da manhã e teve origem na falha geológica do Vale Interior do Tejo, algures entre a Azambuja e Vila Franca de Xira. Duas mil casas e todos os navios que estavam no porto de Lisboa foram destruídos pelo sismo. É considerado o segundo maior sismo da História a atingir Portugal.

Mais de duas centenas de anos depois registou-se o maior sismo alguma vez registado no país. A 1 de novembro de 1755 às 9h40, um sismo de magnitude 9 na escala de Richter destruiu a cidade de Lisboa e atingiu com severidade Setúbal e o Algarve. Dezenas de milhares de pessoas morreram com a queda dos edifícios, com o tsunami com ondas que podem ter chegado aos 20 metros de altura e com o grande incêndio de deflagrou durante seis dias. Este terramoto teve origem no Banco de Gorringe, um maciço montanhoso submerso junto ao Cabo de São Vicente criado pelo levantamento da microplaca tectónica da Península Ibérica ao ser empurrada pela placa africana.

Graus de magnitude da Escala de Richter

23 de abril de 1909, a região ribatejana entre Benavente e Salvaterra de Magos foi atingida por um sismo de magnitude 6,3 na escala de Richter com origem na falha geológica do Vale Interior do Tejo, a mesma que provocou o terramoto de 1531. Quarenta e duas pessoas morreram e outras 75 ficaram feridas. O maior número de vítimas mortais foi registado em Benavente. Monumentos como a Igreja Matriz, a Igreja de Santiago, a Igreja de São Tomé, os Paços do Concelho e a capela de Nossa Senhora da Paz ficaram parcialmente destruídos.

Sessenta anos mais tarde, a 28 de fevereiro de 1969, um sismo de magnitude 7,9 na escala de Richter matou 13 pessoas entre Lisboa e o Algarve. O terramoto, considerado o pior do século XX, teve epicentro a sudoeste do Cabo de São Vicente. Este sismo também foi causado pela compressão provocado pelo movimento da placa africana, que leva ao levantamento litosférico da microplaca ibérica.

Também há registos de grandes sismos para o ano 63 antes de Cristo e para o ano de 382, sendo que para estas ocorrências mais antigas não há estimativas de intensidade, mas há descrições de enormes tsunamis, que terão feito desaparecer ilhas ao largo do Algarve.

13 – O que devem fazer as populações?

Antes de um sismo:

  • Elabore um plano de emergência para a sua família: combine um local de reunião, conheça todas as saídas de emergência, saiba quais são os locais mais seguro para se proteger dentro de casa, mantenha as passagens desimpedidas e fixe os móveis.
  • Prepare um kit de emergência com uma lanterna em caso de falha elétrica, um rádio portátil para receber informações sobre o que está a acontecer, um extintor em caso de incêndio e um estojo de primeiros socorros. Além disso, deve ainda guardar água engarrafada e alimentos enlatados suficientes para dois ou três dias.
  • Certifique-se que todos os membros da sua família sabem como desligar a eletricidade no quadro geral ou como fechar o gás e a água. Saiba também onde estão os extintores que pode usar em caso de incêndio.
    Tenha à mão os números de telefone dos serviços de emergência.

Durante um sismo:

  • Se estiver dentro de um edifício, proteja-se debaixo do vão de uma porta interior ou debaixo de uma mesa ou cama. Proteja sempre a cabeça com os braços, com uma almofada ou com um livro de capa dura.
  • Nunca utilize os elevadores: se estiver em andares superiores, utilize antes as escadas e mantenha-se afastado de janelas, vidros e espelhos. Tenha cuidados com os objetos pendentes, como candeeiros ou quadros pendurados nas paredes.
  • Fuja apenas caso esteja perto e haja um caminho seguro para áreas abertas. Se estiver num sítio com muitas pessoas, não se precipite para junto da multidão: esconda-se nos cantos da sala onde estiver e debaixo de objetos que não possam cair.
  • Se estiver na rua, vá sempre para um campo aberto, longe do mar ou de cursos de água. Não corra nem vagueie pelas estradas. E se estiver a conduzir, pare o automóvel longe de muros, postes de eletricidade ou cabos de alta tensão.
  • Se estiver numa embarcação, encaminhe-se para zonas mais afastadas da costa: as ondas provocadas por um sismo são tão maiores quanto maior a profundidade marítima — que normalmente é menor nas praias.

Depois de um sismo:

  • Esteja à cautela: todos os sismos são sucedidos por réplicas e algumas delas podem ser sentidas.
  • Nunca utilize elevadores e nunca se precipite para as escadas ou saídas de emergência, que podem ficar impedidas com a multidão em pânico.
  • Use uma lanterna a pilhas, corte a eletricidade, a água e o gás. Ligue um rádio portátil para se manter informado e receber conselhos vindos das autoridades através da comunicação social.
  • Limpe quaisquer produtos inflamáveis que estejam derramados e que possam provocar incêndios em contacto com faíscas.
  • Se estiver preso em escombros, respire devagar e grite apenas quando julga haver condições para ser ouvido. Produza barulhos cadenciados para que possa ser encontrado. Caso esteja ferido, exerça força nas regiões afetadas para estancar as feridas.
  • Não toque em cabos de eletricidade derrubados ou em quaisquer objetos que estejam em contacto com eles
  • Não se aproxime de corpos de água, como o mar, rios ou lagos.

Autoras: Vera Novais e Marta Leite Ferreira
Fonte: Observador
_

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.