Início Histórias Sismos: A placa africana está a rachar o país

Sismos: A placa africana está a rachar o país

O sismo de Arraiolos foi uma surpresa. Não só porque não se pode prever um sismo, como porque este é o maior sismo originado em terra nos últimos anos.

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9 – O que pode provocar um sismo de causas naturais?

A crosta terrestre é composta por várias peças, as placas tectónicas, que se encaixam como um puzzle imperfeito: algumas peças sobrepõem-se, outras fazem fricção nos pontos de contacto. E quando as peças se roçam, chocam ou afastam, pode ocorrer um sismo, formar-se uma cordilheira ou ocorrer a erupção de um vulcão. Os limites entre as placas chamam-se assim transformante (quando roçam), convergentes (quando chocam) ou divergentes (quando se afastam).

As placas tectónicas movem-se porque não estão assentes sobre uma superfície rígida. Por baixo da crosta terrestre está o manto, uma camada de rochas em fusão devido à pressão e temperatura altas. São os movimentos do magma que provocam movimento das placas tectónicas, da mesma forma que o agitar da água de uma piscina faz oscilar os colchões insufláveis à superfície.

O magma está quente, mas a camada mais interior está ainda mais quente, num sistema semelhante a uma panela de água ao lume. À medida que o lume vai aquecendo a água que está mais em baixo esta vai subindo, empurrando a água mais fria que está em cima para baixo. Estes movimentos circulares — correntes de convecção — fazem com que todo o líquido fique aquecido. No caso do manto, estas correntes de convecção também provocam a movimentação das placas tectónicas.

A diferença entre as camadas mais quentes e as camadas mais frias cria as células de convecção. Créditos: Amotoki/Wikimedia Commons

A crosta é composta por rochas, que apesar da aparente dureza têm um limite elástico, ou seja, uma capacidade — maior ou menor — de suportarem uma determinada tensão sem se deformarem. Dentro dos limites próprios para aquela rocha, a tensão é acumulada sob a forma de energia, mas se o limite elástico for ultrapassado a rocha dobra-se ou fratura-se. Quando a energia é libertada, temos um sismo.

10 – Porque é que os sismos têm magnitudes diferentes?

Quando se aperta uma bola de ténis de mesa na mão, esta pode resistir durante algum tempo, mas, se se exercer pressão suficiente, vai acabar por ficar amachucada. Da mesma forma, pode-se esticar um elástico até um certo limite, mas se se ultrapassar esse limite, o elástico vai partir-se. Todos os materiais têm um limite de resistência para a tensão a que são sujeitos e as rochas não são exceção. As rochas acumulam energia até um certo limite, mas depois acabam por deformar-se libertando essa energia e provocando um sismo. Quanto maior a energia libertada pelo sismo, maior a magnitude. A quantidade de energia acumulada e, posteriormente, libertada, depende do material, ou seja, do tipo de rocha.

A magnitude é medida na escala de Richter. Esta é uma escala logarítmica, o que significa que entre dois graus na escala a amplitude aumenta dez vezes, ou seja, num sismo de 4,0 na escala de Richter as ondas têm uma amplitude dez vezes maior do que num sismo de 3,0. Em relação à energia, um sismo de 4,0 liberta 33 vezes mais energia que um sismo de 3,0. A escala não tem um limite superior, mas nunca se registou nenhum sismo acima de 9,5. Um sismo acima de 8,0 já pode ser devastador.

É lógico pensar que quanto maior a energia libertada, maior a destruição, mas os efeitos dependem de vários fatores, como a profundidade do foco do sismo (hipocentro), as condições do terreno (que facilitam ou inibem a propagação das ondas) e a distância que está das populações e estruturas edificadas. Os efeitos são, por isso, medidos pela escala de Mercalli. Esta escala não se baseia nos registos feitos pelos sismógrafos, mas nos efeitos ou danos provocados nas estruturas e percebidos pelas pessoas que sentiram (ou não) o abalo.

11 – Como se forma um tsunami?

Os tsunamis ou maremotos podem ser provocados por sismos que ocorram no mar, mas também por deslizamentos de terras ou erupções vulcânicas.

Quando a perturbação ocorre no mar há uma grande deslocação das massas de água na vertical (para cima). Quando a gravidade puxa a massa de água para baixo, a energia é dissipada horizontalmente. As ondas geradas propagam-se em várias direções, incluindo em direção à costa, a mais de 800 quilómetros por hora.

Em alto mar o tsunami é praticamente invisível, mas quando a onda chega à costa pode crescer até aos 30 metros. A profundidade junto à costa diminui, mas a energia acumulada nas ondas mantém-se, por isso as ondas diminuem a velocidade, mas crescem em altura. A onda do tsunami — ou o comboio de ondas — entra pela terra adentro varrendo tudo à sua passagem por mais de um quilómetro. Como se este efeito de destruição não bastasse, quando a onda recolhe, arrasta tudo e todos para dentro do mar.


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Ao contrário dos sismos, que não podem ser previstos e que quando são sentidos já não é possível prevenir as populações, existem sistemas que permitem um alerta precoce de tsunamis. Se o maremoto for detetado antes de chegar à costa é possível retirar as populações das zonas de maior risco.

Portugal integra uma rede internacional de alerta precoce de tsunamis e Lisboa tem um sistema de alerta instalado no Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Antes de Lisboa, já Cascais tinha um sistema de alerta de tsunami numa parceria entre a autarquia e a Autoridade Nacional de Proteção Civil.

(cont.)

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