Início Histórias Sismos: A placa africana está a rachar o país

Sismos: A placa africana está a rachar o país

O sismo de Arraiolos foi uma surpresa. Não só porque não se pode prever um sismo, como porque este é o maior sismo originado em terra nos últimos anos.

_

6 – Existe um plano de emergência no caso de um grande sismo em Lisboa?

A Autoridade Nacional de Proteção Civil tem preparado um Plano Especial de Emergência de Proteção Civil para o Risco Sísmico na Área Metropolitana de Lisboa (AML) e Concelhos Limítrofes que define a atuação das várias entidades de proteção civil envolvidas. O plano será ativado caso se verifique um evento sísmico com uma magnitude igual ou superior a 6,1 na escala de Richter e com epicentro na AML ou caso o evento sísmico tenha intensidade máxima igual ou superior a VIII na escala de Mercalli, mesmo que o epicentro não seja na AML.

O plano de emergência prevê a convocação de 56 agentes distintos, como corpos de Bombeiros, GNR, PSP, Forças Armadas, INEM, mas também o Instituto de Medicina Legal, a Cruz Vermelha e ainda instituições como as organizações de escuteiros, empresas de telecomunicações e organizações não-governamentais diversas. A atuação de cada um destes agentes está apresentada detalhadamente.

A primeira linha é formada pelas Equipas de Reconhecimento e Avaliação da Situação, com o objetivo de percorrer a zona afetada, recolher informação e passá-la de imediato ao posto de comando. Ao mesmo tempo, são enviadas Equipas de Avaliação Técnica, compostas por especialistas em infraestruturas, que recolhem informação sobre os edifícios danificados, as redes de comunicação afetadas e as condições de segurança no local.

Depois são enviadas para o terreno os Grupos Sanitários e de Apoio, que tratam do primeiro socorro às vítimas prestando cuidados médicos básicos e dando início à retirada dos feridos e dos mortos dos locais, com recurso a ambulâncias. Ao mesmo tempo, chegam ao local os Grupos Logísticos de Reforço, responsáveis pelo abastecimento de água, e as Companhias Nacionais de Intervenções em Sismos — estas equipas incluem especialistas em socorro e salvamento, combate a incêndios e evacuações.

7 – É possível prever a ocorrência de um sismo?

Não. Os cientistas ainda não encontraram uma forma de saber com antecedência onde e quando é que um sismo vai ocorrer. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, “não são reconhecidas variações de parâmetros simples ou conjuntos de parâmetros que permitam, por si só, estabelecer com certeza uma previsão de quando, onde e com que magnitude vão ocorrer sismos”.

No entanto, os cientistas têm tentado perceber quais os períodos de retorno dos principais sismos associadas às falhas mais ativas. O que fazem é olhar para trás e estudar se existe alguma periodicidade nos sismos mais preocupantes — isto é, de maior magnitude ou mais destrutivos. O problema é que ainda não chegaram a conclusões definitivas: “Ainda é virtualmente impossível saber quando é que uma estrutura sísmica vai libertar de forma brusca a sua energia sísmica potencial”, explica o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

8 – O que é um sismo?

Sismo, terramoto ou tremor de terra — escolha o nome, mas o fenómeno é o mesmo —, é uma libertação súbita na energia acumulada na crosta terrestre, a camada mais exterior do planeta. Esta energia é libertada sob a forma de ondas sísmicas, provocando movimentos vibratórios no solo, que podem ser sentidos pelas pessoas e animais e repercutidos pelas estruturas criadas pelo homem.

Os sismos ocorrem na crosta terrestre, a camada mais exterior do planeta que tem entre cinco a 70 quilómetros de espessura. Créditos: Public Domain/Wikimedia Commons

Há três tipos de ondas sísmicas: as ondas P, ou primárias; as ondas S, ou secundárias; e as ondas superficiais. As ondas P funcionam como uma onda que atravessa uma mola e são as mais rápidas, conseguindo propagar-se tanto em meio sólido como em meio líquido. As ondas S funcionam como a corda de uma guitarra a vibrar, só se propagam em meios sólidos e são mais lentas que as ondas P. Por fim, as ondas superficiais são as que causam os estragos durante um terramoto porque viajam em pequenas profundidades. Por serem mais velozes, as ondas P são também as primeiras a serem detetadas pelos sismógrafos.

O sismógrafo é um aparelho que detecta os movimentos do solo, incluindo os movimentos provocados pelas ondas sísmicas, mas também as vibrações provocadas por uma explosão, por exemplo. Estas vibrações são registadas num sismograma. Quando ligados em rede, os sismógrafos permitem determinar o hipocentro — local exato de origem do sismo no interior da Terra —, o epicentro — ponto, na superfície terrestre, mais próximo do hipocentro — e a energia libertada pelo sismo.

(cont.)

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.