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Salvador: A vida do artista que tem um segundo coração

Salvador cantou na TV aos 12 anos, passou pelo "Ídolos", apaixonou-se pelo jazz e venceu a Eurovisão. Agora tem um coração novo, uma vida nova. (c/ Vídeos)

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Quando regressou, impulsionado por uma namorada que o inscreveu à socapa, mergulhou no mundo da televisão através de uma participação no concurso ‘Ídolos’.

Não seria a primeira vez de Salvador em frente a uma câmara — em pequeno cantou ‘O Negro do Rádio de Pilhas’ de Rui Veloso no ‘Bravo Bravíssimo’ –, mas a participação deixar-lhe-ia marcas profundas.

A experiência foi, segundo o próprio, “traumática”. “Fez-me super popular sem saber ainda quem era como ser humano e musicalmente. É injusto ser exibido dessa forma quando ainda não se é alguém maduro”, desabafou.

“O sensacionalismo da televisão”, as abordagens na rua, as capas das revistas, a forma como o tentaram “transformar no crooner” de serviço [termo dado a alguns cantores americanos de jazz popular como Frank Sinatra] que só cantava Michael Bublé, tudo isso desagradou a Salvador, que optou por se afastar da música por uns tempos.

Foi estudar Psicologia, trabalhou numa loja da cadeia Starbucks em Belém e partiu, por fim, para Maiorca em Erasmus. Aí, tudo mudaria. E, graças também a Chet Baker, Salvador descobriu finalmente quem era — pelo menos musicalmente.

De regresso a Portugal, envolveu-se no jazz da capital lisboeta, participando em jam sessions no Hot Club e na Fábrica Braço de Prata. Foi no famoso clube de jazz da Praça da Alegria que ele conheceu o pianista Júlio Resende, que viria a produzir o seu álbum, ‘Excuse Me’, lançado em 2016.

O músico estava então como peixe na água, a lançar a sua carreira no estilo musical onde se sentia confortável. Foi também por isso que encarou com ceticismo o convite da irmã para participar no Festival da Canção.

Ainda incomodado com a experiência nos ‘Ídolos’, só depois de saber que outros nomes da música que admirava (como Samuel Úria e Márcia) iam participar, é que aceitou. E, depois de ouvir ‘Amar pelos Dois’, ficou rendido à canção.

A vitória esmagadora foi uma surpresa total. E, em menos de nada, Salvador estava dentro de um carro em Kiev, com uma guia ucraniana que repetia em inglês “estamos atrasados!”, a caminho de uma passadeira vermelha onde dezenas de pessoas o esperavam. Tudo isto numa Eurovisão de que Salvador não era espectador habitual e que, regra geral, não respeitava.

(cont.)

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