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O padre português que salvou judeus

Em Roma, na II Guerra Mundial, um padre português salvou dezenas de pessoas. Duas delas ainda estão vivas e contam, pela primeira vez, a sua história.

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Uma carta, escrita pelo próprio a 22 de outubro de 1981 (mês e meio antes de morrer), já em Lisboa, confirma as memórias de Conceição: «Quando recordo os saltos que deu este coração e as voltas do meu miolo cerebral ao meter dentro da casa que a Providência me entregou [o Colégio Português] tantos refugiados judeus, inclino a cabeça cheia de respeito pelo dom da vida que me foi concedido guardar aquela pobre gente.»

E acrescenta, recordando o que fizera: «Se não fosse o caminho percorrido pelos arredores de Roma a fim de adquirir mais barato o alimento para os habitantes do colégio, não sei o que seria. Conhecia moleiros, padeiros, leiteiros, agricultores e nessa altura tive de reforçar compras e fornecedores.»

O padre português que salvou judeus
O padre português que salvou judeus – (Fotografia DR)

Joaquim Carreira, em 1976.

A última confissão de Joaquim Carreira não deixa dúvidas sobre os sentimentos que tinha de vencer para poder fazer o que fazia: «Fui-me refugiar na catacumba de São Calisto e chorei naquela ansiedade.

Não sabia como atacar tanta urgência e arranjar paciência, caridade e mansidão contra a luta do inferno que estava a tentar-me contra a minha luta. Esse era o meu terror e o meu medo. Isso era o que mais me custava.»

ROMA, CIDADE ABERTA AOS REFUGIADOS

A personagem do padre Pietro em Roma, Cidade Aberta (1945), de Roberto Rossellini, não é casual: é pároco numa zona pobre da cidade e protege partigiani e antifascistas, fazendo também de intermediário e correio da resistência. Descoberto pelos alemães, acaba fuzilado.

Na Segunda Guerra Mundial, e sobretudo durante os nove meses da ocupação nazi de Roma, muitos colégios e casas religiosas foram refúgio para judeus, antifascistas e outros perseguidos. Luigi Priolo e os refugiados do Colégio Português não foram caso único.

Um terço das casas religiosas de Roma (ou seja, 220 em 750 conventos, mosteiros ou colégios) acolheram pessoas necessitadas que tentavam escapar à incorporação militar. Só no caso dos judeus (a comunidade de Roma tinha umas 10 a 12 mil pessoas), terá havido pelo menos 4300 refugiados.

Aristides Sousa Mendes, Carlos Sampaio Garrido, diplomata português em Budapeste em 1944 e José Brito Mendes que, com a mulher, acolheu a filha de um casal amigo, são os outros três portugueses com o título de «Justos entre as Nações».

Autor: António Marujo/religionline.blogspot.pt
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