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Os cadáveres não tinham cabeça…

Cordoaria, Foz, Aveiro e Coimbra, foram alguns dos locais onde as cabeças dos supliciados estiveram expostas depois de cravadas em altos postes de madeira.

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Traseiras do Hospital de Stº António, Porto

O sistema penal daqueles tempos era aterrador. Diremos mais: feroz e sanguinário com o recurso à tortura, a forcas e a carrascos… Entretanto os cadáveres decapitados, tanto os do dia 7 de Maio como os do dia 9 de Outubro, foram sepultados num terreno que ficava nas traseiras do Hospital de Santo António, onde hoje está o serviço de urgência, chamado o “adro dos enforcados “.

Era ali que se enterravam os que morriam nas forcas ou nas enxovias da cadeia. Não tinham direito a serem sepultados nos interiores das igrejas, como era prática da época, porque não era dignos do ir para o céu…

Mausoléu dos Mártires da Liberdade, no cemitério do Prado do Repouso, no Porto
Mausoléu dos Mártires da Liberdade, no cemitério do Prado do Repouso, no Porto

Sete anos depois (1836) após o triunfo do liberalismo, a Santa Casa da Misericórdia do Porto pediu autorização para remover os cadáveres do adro dos enforcados a fim de os colocar num mausoléu e assim prestar justa homenagem aqueles mártires da Pátria.

A autorização chegou mas colocou-se então uma questão: em que sítio exato do adro dos enforcados estavam os restos mortais dos doze supliciados? Não foi difícil encontrar uma solução.

O coveiro, um tal Joaquim Manuel ainda era vivo e sabia onde havia enterrados os cadáveres dos mártires da Pátria. Além disso não era difícil identificá-los: eram os que estavam sem cabeça. A exumação fez-se.

Os restos mortais dos também chamados mártires da Liberdade foram metidos num mausoléu e levados para o átrio da igreja da Santa Casa, na rua das Flores, onde estiveram até 1878, ano em que foram solenemente transladadas para o talhão da Misericórdia no cemitério do Prado do Repouso onde ainda se encontram.

Os nomes dos doze Mártires da Liberdade gravados

Na base da estátua equestre de D. Pedro IV, que está no meio da praça da Liberdade, mandou a Câmara do Porto, em 1914, colocar placas de bronze com os nomes dos doze Mártires da Liberdade gravados.

Fonte: Visão
Autor: Germano Silva
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