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O segredo das Caralhotas

"Guarde-me meia-dúzia de caralhotas para a tarde" ou "pelo menos arranje-me só uma caralhota para o almoço". Descubra o segredo das Caralhotas de Almeirim.

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A saga começa antes das seis horas da manhã e não tem hora para acabar. “A porta está aberta até haver clientes”, e o forno a lenha funciona durante todo o dia. “É uma arte que já vem dos avós e bisavós de Almeirim.

A caralhota é feita com farinha, água, sal e fermento. Mas o segredo está na forma como se bate a massa. Tem de ser num alguidar de barro, sempre a bater até pingar o suor. Até a massa fazer bolhas”, diz Emília Caldeira.

As caralhotas são bolas de pão caseiro, cozidas em fornos a lenha e vendidas em casas particulares. O povo abre as portas aos turistas e apresenta-lhes as caralhotas de Almeirim: “É um pão pesado que deixa as pessoas satisfeitas.

Não é como os ‘papessecos’ de agora, que são muito fraquinhos. As caralhotas alimentam e são muito saborosas. São boas para dar força a quem trabalha”, defende Emília Caldeira.

Em Almeirim, a tradição das caralhotas vem de longe. E surge ligada às necessidades do povo. Com poucos recursos, era em casa que se cozia o pão para dar de comer à família.

Desde então, são muitos aqueles que em Almeirim se esforçam por manter viva a chama do forno a lenha, e garantir que as caralhotas continuam a ser imagem de marca da terra.

Mas, porquê chamar caralhotas àquele pão? Diz Emília Caldeira que a história é tão velha que poucos se lembram. Mas, ao que tudo indica, a culpa é dos borbotos das camisolas:

“Quando se limpa o alguidar com a farinha, nas bordas ficam presos restos de massa que parecem borbotos de camisolas e que aqui em Almeirim nós chamamos caralhotas.

Como esses restos são usados para dar força ao pão no dia seguinte, começou a chamar-se caralhotas àquele pão” e que antigamente era feito exactamente com as sobras da massa do dia anterior e oferecido às crianças da casa.

(cont.)

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