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O dia em que os judeus foram expulsos de Portugal

Fez 521 anos que D. Manuel I assinou o édito de expulsão dos judeus. Milhares tiveram de escolher entre a expulsão ou a conversão.

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D. Manuel I anuiu. E a 30 de Maio de 1497 foi publicada a proibição de inquirições sobre as crenças dos recém-convertidos ao cristianismo. Ou seja, consentiu oficiosamente o judaísmo (daqui nasce o criptojudaísmo, a prática clandestina da religião).

O decreto tinha ainda outras cláusulas: ao fim de 20 anos, se o cristão-novo fosse acusado de judaízar, teria direito a conhecer os seus acusadores para que pudesse defender-se; caso fosse comprovado o crime de heresia, seria condenado à perda de bens, posteriormente legados aos herdeiros cristãos; os físicos e os cirurgiões que não sabiam latim poderiam utilizar livros de medicina em hebraico; finalmente, os cristãos-novos não deveriam ser tratados de forma distinta, uma vez que estavam convertidos à Santa Fé.

O dia em que os judeus foram expulsos de Portugal
D. Manuel I – O dia em que os judeus foram expulsos de Portugal

As garantias inscritas no decreto não convenceram, porém, uma parte da comunidade. Muitos optaram por sair do país, levando consigo os seus bens, e os mais ricos negociaram letras de câmbio com os cristãos, para depois serem trocadas noutro país. Isto é: uma parte da riqueza do país estava a fugir.

D. Manuel I entendeu que devia agir e, em 1499, reagiu à fuga das fortunas com a publicação de duas leis: a primeira proibia o negócio com os judeus; e a segunda impedia a saída do reino dos conversos de 1497 sem prévia autorização régia. O incumprimento das normas resultaria no confisco dos bens dos infratores.

O dia em que os judeus foram expulsos de Portugal
Maria José Ferro Tavares – O dia em que os judeus foram expulsos de Portugal

Para Maria José Ferro Tavares a intenção de D. Manuel I era estimular a integração dos conversos na sociedade portuguesa. Notou a historiadora que, entre 1497 e 1499, o rei promulgou uma lei que proibia o casamento entre cristãos-novos. O objetivo consistia em inserir a minoria nas famílias de cristãos-velhos.

Mas não só: interessava também partilhar o dinheiro e os bens dos ex-judeus. Nada resultou, segundo a historiadora. Não apenas porque subsistia o sentimento anti-judaico na maioria cristã, mas também porque os cristãos-novos, ainda que em número reduzido, estavam no pódio das grandes fortunas. Após a conversão ganharam mais poder, ascenderam à nobreza, às universidades, à administração real e municipal.

Pogrom em Lisboa

A 19 de Abril de 1506, Domingo de Pascoela, a minoria cristã-nova sentiu, pela primeira vez em Portugal, uma inaudita violência sobre pessoas e bens. Lisboa estava então assombrada pela peste que assolava a capital desde Outubro do ano anterior. Um período de seca matara os campos nos arrabaldes; escasseavam alimentos; a fome tomava conta da cidade.

O dia em que os judeus foram expulsos de Portugal
Massacre de Lisboa – O dia em que os judeus foram expulsos de Portugal

Damião de Góis escreveu que naquele dia a igreja do convento de São Domingos estava repleta de cristãos-velhos, pois surgira um rumor de que a 15 do mesmo mês, acontecera um milagre naquele templo dominicano. Os crentes aguardavam uma repetição.

E ele aconteceu, aos olhos dos cristãos: uma luz brilhou no crucifixo da igreja e a multidão rejubilou. Menos uma pessoa. Que chamou a atenção para o facto de se tratar de um reflexo de uma das muitas candeias que estavam acesas. Esta pessoa era um cristão-novo, mas para os cristãos-velhos era um judeu e, por isso, alvo de ódio.

O homem foi arrastado para rua e, em poucos minutos, mataram-no e queimaram-no no Rossio. Sabendo do que acontecera, o irmão acorreu ao local e quando gritou pelos assassinos, foi igualmente morto e queimado numa fogueira. No meio da agitação, um frade dominicano bradou um discurso contra os judeus.

(cont.)

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