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Quando eles foram notícia pela 1ª vez

Neste campeonato Costa ganhou a Passos, Portas levou um ralhete do diretor, Jerónimo foi manchete e a atriz Catarina Martins pisou um palco lisboeta.

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Ao contrário de Passos, Jerónimo, Heloísa e Costa, a estreia no Expresso de Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda, deve-se ao teatro e não à intervenção política. Catarina tinha 23 anos quando a 19 de outubro de 1996 o ‘Cartaz’, suplemento cultural deste jornal, então dirigido por José António Saraiva, noticia quatro peças que vão estar em cena.

O primeiro texto desta coluna de breves tem como título “A cantora careca de Ionesco”. Aí se diz que se trata de uma “revisitação de uma das mais importantes [peças] do que se convencionou chamar ‘teatro do absurdo’ com encenação, cenografia e adereços” do precocemente desaparecido João Paulo Seara Cardoso, importante marionetista português.

João Paulo que fez parte do grupo fundador do Teatro de Marionetas do Porto, trabalhou como encenador convidado do grupo Visões Úteis do Porto. Catarina Martins era uma das atrizes desta trupe teatral que faria a sua estreia no auditório da Culturgest, em Lisboa, a 24 de outubro.

Catarina Martins

Terminamos esta viagem pelo arquivo do Expresso com o ralhete que o precoce Paulo Portas levou do seu primeiro diretor. O líder do CDS-PP, que foi diretor do semanário “O Independente” [jornal que azedou as sextas-feiras de muitos políticos nas décadas de 1980 e 1990], fez a sua estreia no jornalismo quando tinha 15 anos como estagiário na redação do semanário “O Tempo”, fundado em maio de 1975, no auge do processo revolucinário que Portugal viveu depois da Revolução dos Cravos.

Um ano mais novo do que António Costa e dois anos mais velho do que Passos Coelho, Portas inscreveu-se na Juventude Social Democrata em 1975, e entrou na redação de “O Tempo” em 1977.

Quatro anos depois, em junho de 1981, a velha Revista do Expresso, ainda em papel de jornal, publicava na sua coluna humorística “Lusitânia Expresso” [feita pelo jornalista Pedro d’Anunciação] uma crónica intitulada “Mercenários contra o embaixador”.

Os mercenários eram os jornalistas de “O Tempo” que tinham faltado às festas de aniversário do semanário. Nuno Rocha, o diretor, ficou zangado com a atitude relaxada dos seus colaboradores e fez uma nota interna que o Expresso, há 33 anos, transcreveu na íntegra.

Paulo Portas

Agora, vamos direitos ao trecho do raspanete em que Paulo Portas, então com 18 anos, é uma das vítimas: “O diretor manifesta a sua grande mágoa por não ter visto em Santarém os redatores Pereira de Almeida, Alves Fernandes, Vítor Serra, Margarida Viegas, Paulo Portas, Vítor Camacho”.

“Mercenários contra o ‘embaixador'”

Nuno Rocha que se refere a si próprio no plural majestático diz ainda que “o diretor não tem palavras para exprimir a sua tristeza por estas ausências incompreensíveis” para um homem que deu tudo a “O Tempo”, sacrificando a sua carreira, “já podia ter ingressado na política ou ter procurado lugar numa Embaixada (…)”.

Três décadas depois o Expresso pode atestar que Nuno Rocha não tinha razão para tanta repreensão. Ele não chegou a ter o tal lugar numa embaixada, mas o seu estagiário Portas chefiou o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Autora: Manuela Goucha Soares
Fonte: Expresso
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