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Monsanto, a História da Aldeia mais Portuguesa de Portugal

É uma das mais bonitas aldeias do país. Um daqueles lugares que é paixão à primeira vista. Monsanto, a História da Aldeia mais Portuguesa de Portugal.

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A tragédia parecia eminente. Foi então que uma anciã da aldeia arquitetou um plano genial. Depois de alimentar o vitelo com o último alqueire de trigo, foi arremessado pelo penhasco, caindo no meio do acampamento sitiante.

Os guerreiros vendo que os aldeões se davam ao luxo de atirar uma vaca bem nutrida para o “quintal”, julgaram que Monsanto estaria sob a proteção de uma estranha força divina. Isso era motivo mais que suficiente para embalarem a trouxa e se porem a milhas. Foi assim que a argúcia de uma “velhota” Monsantina derrotou as tropas sitiantes.

Monsanto, a História da Aldeia mais Portuguesa de Portugal
Monsanto, a História da Aldeia mais Portuguesa de Portugal – ©YUPblog

Este episódio terá ocorrido num dia 3 de Maio e é nesse dia que se comemora, todos os anos, a Festa de Santa Cruz ou do Castelo.

A proliferação de lendas e tradições mouras, onde se destaca o adufe (instrumento musical tradicional que apenas deve ser tocado pelas mulheres), sobrevivem como testemunho evidente de uma presença marcante dos povos árabes nesta região.

A construção da fortaleza de Monsanto, edifício profundamente ligado à história da povoação, perde-se na penumbra dos séculos. Alguns investigadores sustentam a tese da origem Suevo-Visigótica da fortaleza mas, em rigor, só a partir da fundação da Monarquia portuguesa se definem contornos cronológicos precisos.

Monsanto, a História da Aldeia mais Portuguesa de Portugal
Monsanto, a História da Aldeia mais Portuguesa de Portugal

Depois de ter concluído a Reconquista da região aos mouros, D. Afonso Henriques terá reconhecido o valor estratégico-militar da fortaleza. Por isso o Rei decidiu mandá-la reconstruir e repovoar Monsanto, atribuindo-lhe grandes regalias pelo foral de 1174, mais tarde confirmado por D. Sancho I (1190) e por D. Afonso II (1217).

Ainda antes de atribuir o primeiro foral, D. Afonso Henriques tinha doado a inexpugnável fortaleza a D. Gualdim Pais, Grão-Mestre da Ordem dos Templários.

A importância estratégica de Monsanto como bastião defensivo foi crescendo com o correr dos séculos. A fortaleza servia de posto de sentinela avançado de onde se permitiam avistar, com antecedência, incursões hostis no território português.

Monsanto, a História da Aldeia mais Portuguesa de Portugal
Monsanto, a História da Aldeia mais Portuguesa de Portugal

Em 1510, D. Manuel eleva a povoação a vila, honrando-a com o beneplácito de poder usar no seu escudo a esfera armilar.
A inexpugnabilidade da fortaleza é definitivamente comprovada com as duas últimas tentativas de ocupação por exércitos invasores. A primeira por D. Luís de Haro (ministro de Filipe IV) em 1658, e a segunda pelo Duque de Berwick em 1704. O falhanço desses audazes invasores terá dissuadido tentativas semelhantes. A partir daí a fortaleza foi perdendo a sua importância militar.

No princípio do século XIX, uma violenta explosão no paiol de pólvora do castelo provoca a destruição parcial da fortaleza e das muralhas.

Mais tarde, a última guarnição militar abandona a vila, colocando uma pedra lapidar numa heróica história de coragem e defesa intrépida da fronteira portuguesa. Era o fim de um glorioso período na vida de Monsanto.

A vila entretanto foi-se expandindo para lá das muralhas, formando a atual freguesia de S. Salvador, a meia encosta do cabeço de Monsanto.

MONSANTO, NAVE DE PEDRA

Durante séculos, Monsanto foi sendo minuciosamente esculpida num vasto cabeço rochoso. O génio humano temperado com a devida tenacidade foi dando forma a altares, sepulturas e casas. O que resultou num todo arquitectónico harmonioso e coerente a que não se pode ficar indiferente.

Monsanto, a História da Aldeia mais Portuguesa de Portugal
Monsanto, a História da Aldeia mais Portuguesa de Portugal – ©Made In Portugal

Se Zeus e o seu séquito de deuses gregos fossem despojados do Olimpo, decerto que não desdenhariam uma morada como Monsanto. Um verdadeiro Olimpo à moda da Beira.

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