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Mistério desvendado sobre o cronista Fernão Lopes

Lápide em igreja desvenda mistério sobre o cronista Fernão Lopes, o autor da Crónica de D. João I.

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Porta fechada

Laje com a inscrição existente à entrada da igreja matriz

Foi por acaso que João Torcato, presidente da cooperativa sociocultural Mouro M’Fez, reparou há cerca de dois anos na inscrição ainda legível naquela pedra tumular “quando ia a sair da igreja, que estava fechada para limpezas.

“Já tinha estudado várias coisas sobre o Fernão Lopes. Quando percebi que havia um vazio tão grande sobre a vida dele, o que é estranho, comecei a estudar a questão com mais profundidade”.

Igreja matriz do Alandroal

“Tem sido um processo de reflexão” de dois anos e feito com algum secretismo, prossegue João Torcato, em que “começou a fazer sentido” o que ia lendo à luz daquela hipótese.

“O facto de ainda ninguém ter identificado a tumba” com a inscrição “Fernão Lopez” é, explica o investigador, “porque a porta tapa o nome” quando se “abre para a direita” – e é esse facto que também terá garantido a legibilidade daquela primeira linha de texto na pedra tumular, quando a generalidade das outras inscrições quase desapareceu devido ao repisar dos crentes desde os meados do século XV.

José d”Encarnação subscreve essa hipótese sobre o “porque é que nunca se tinha visto a inscrição” que, revelam os autores no texto publicado na Al-Madan, “corresponde ao formulário habitual do século XV” e em que o apelido Lopes se escrevia “com Z, como era normal na época”. Certo é que até agora, confirma o historiador, “não havia nada escrito sobre a existência da lápide” com o nome do cronista na Igreja Matriz do Alandroal.

Crónica Del-rei D. João I – Fernão Lopes

Mas poderá aquele nome corresponder a outra personagem que não o famoso cronista? “É uma pergunta perfeitamente legítima”, sublinha José d”Encarnação, mas os elementos informativos existentes levam a concluir que só pode ser o autor da Crónica de D. João I.

Cruz da Ordem de Avis

Além de referir exaustivamente a vila do Alandroal, a única vila do Alentejo cujo brasão de armas é semelhante ao da Casa de Avis (dominante naquela zona fronteiriça), a existência de um convento que funcionava como escola – explica a erudição que o caracterizava e permitiu a alguém de origem humilde chegar a Guarda-Mor da Torre do Tombo – e lhe permitiu ser conhecido pelos responsáveis da Ordem de Aviz, destacam os autores.

Acresce o pormenor, regista ainda João Torcato, de as pessoas nessa época “serem sepultadas na terra natal” para reforçar a tese de que Fernão Lopes é natural da vila do Alandroal.

E agora? O investigador diz estar “fora de questão” pedir o levantamento da urna para investigar se ainda ali estão algumas ossadas e a quem pertencem. “Agora não”, assegura, embora admitindo essa possibilidade se a iniciativa “partir do mundo académico”.

O facto de a Igreja Matriz do Alandroal ter sofrido várias obras de remodelação ao longo destes séculos e de a própria pedra tumular estar partida não dá garantias de que ainda haja algo por baixo, conclui João Torcato.

Fonte: DN
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