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Língua Portuguesa: a origem da nossa língua

Sempre fomos uma língua que sofreu influências de outras culturas. As línguas mais puras são as menos importantes. Qual a origem da língua portuguesa?

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Qual a origem da língua portuguesa?
Língua Portuguesa: a origem da nossa língua

Apesar de tardia, a influência do espanhol é avassaladora, claro está. Aliás, chamar-lhe influência será um eufemismo cruel. O espanhol não influenciou o galego: o espanhol começou a substituir o galego. Afinal, o Estado é o espanhol e a escolaridade da população foi em castelhano até muito tarde.

Ou seja, nos séculos XIX e XX, o galego levou uma coça de que ainda não se levantou, apesar de, desde os anos 70, o governo autónomo ter, oficialmente, uma política de defesa da língua.

Alguns galegos tentam aproximar a sua língua do português para assim melhor se defenderem do peso do castelhano; outros apostam num galego autónomo tanto do castelhano como do português.

Mas que o galego e o português ainda estão mais próximos do que imaginamos, isso é indesmentível: então quando começamos a olhar para o vocabulário popular, aquele que muitos desprezam injustamente, começamos a ver como falamos uma língua que não deixa de ser muito galega.

Em resumo…

… o português tem origem no latim popular falado no noroeste da Península, na Galécia Magna, língua essa a que podemos chamar galego por ser uma língua da zona do Reino da Galiza, uma língua já com características muito próprias séculos antes da existência de Portugal.

Qual a origem da língua portuguesa?
Língua Portuguesa: a origem da nossa língua

Ao tornar-se a língua dum estado independente a sul, chamado Portugal, a língua passou a chamar-se português — e com esse nome foi transplantada para os outros países que a falam. Apesar das mudanças a sul, a língua mantém uma forte proximidade com o que se fala a norte da fronteira.

Essa língua portuguesa, como é típico duma língua dum país de cultura aberta a outros povos, sofreu grandes influências exteriores: do castelhano, do francês, do inglês… Até hoje. Também nos dias de hoje as formas mais padronizadas do português começam a suplantar as formas mais populares entre a população em geral — enquanto na Galiza, o castelhano avança.

Isto é uma explicação simplificada, claro está. É ainda a minha forma de o explicar: outros dariam ênfases a outras partes ou acrescentariam pontos talvez importantes… Se alguém quiser corrigir, matizar, completar, os comentários estão abertos!

(Proponho ainda que dê uma vista de olhos pelas histórias romanceadas que escrevi e que tentam dar uma ideia do que foi o percurso do idioma nesses primeiros séculos: «História Secreta da Língua Portuguesa».)

Bem, mas a pergunta era outra: que livros de especialistas podemos ler sobre o assunto?

Proponho dois livros breves, recentes, sobre a História da língua:

  • Introdução à História do Português, de Ivo Castro (um livro académico e actualizado, com fartos exemplos concretos).
  • História do Português, de Esperança Cardeira (um livro brevíssimo, editado numa colecção da Caminho sobre temas de linguística).

Proponho também três artigos de Fernando Venâncio sobre o assunto (convém dizer que as aulas que o autor deu na FCSH, este ano, permitiram-me aprender muito sobre as origens da língua):

Autor: Marco Neves

Autor dos livros Doze Segredos da Língua Portuguesa, A Incrível História Secreta da Língua Portuguesa e A Baleia Que Engoliu Um Espanhol.

Saiba mais nesta página.
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5 COMENTÁRIOS

  1. Somos a quinta língua mais falada no nundo mas podia até ser mais falada e uma língua mais internacional se tivesse havido uma política mais defensiva do português. Por outro lado há a uma grande “culpa” por parte dos próprios portugueses que se encontram no estrangeiro na falta de defesa da nossa herança linguística…
    Trabalho no estrangeiro, e com pessoas de muitíssimas nacionalidades e regra geral o português de segunda geração num país estrangeiro, percebe um pouco o português e fala muito pouco e mal à língua dos pais. Não se verifica o mesmo com segundas gerações de outros países em que maior parte dos filhos falam correctamente a língua do país onde nasceram e a língua dos seus pais.
    Devo dizer que as comunidades onde isso é mais notório são os originários do Magrebe e do leste da Europa.
    De certeza que as crianças deles não são mais capazes do que as nossas e se elas conseguem aprender correctamente as duas línguas, as nossas são capazes do mesmo. Então o que é que falha? Falha o investimento dos pais na defesa da herança da língua, o que sinceramente é uma perda enorme.

  2. Muito bom o artigo, principalmente por não ter ranço de preconceito.
    Mas acredito que uma parte importante da história foi esquecida, que foram os suevos. E a partir daqui quero deixar claro que é uma opinião minha. Não tenho elementos científicos para sustentá-la nem formação para isso, mas tenho indícios disso. Quais? Enquanto a região colonizada pelos visigodos fala castelhano, e aqui vem o cerne da minha conclusão, que nada mais é do que a tentativa deles tentarem assimilar o latim, culminando no falar que chamamos de castelhano, o mesmo aconteceu nessa região que passou a falar galego. E pode ver que a região histórica do galego corresponde a de colonização suevos.

  3. Absolutamente RIDÍCULO! Antes de mais, a Galécia Magna é uma anedota. Nunca ninguém usou esse termo nem sequer a Galécia corresponde à atual Galiza. A Galécia era uma província romana, criada por romanos, admnistrada por Romanos, não há nada de galego lá. Aliás, nem sequer havia Galiza nessa altura. Segundo, a Galécia é uma extração da Lusitânia que, como esclarece Estrabão, ia no período pré-romano do sul do Tejo até às montanhas cantábricas. Mais, mesmo na primeira divisão da colonização romana – Augustus 25-20 BC – o território dos calaicos e astures ficou integrado na Lusitânia. Por isso, não há de facto melhor designação para a comunidade de falantes desse romance do ocidente peninsular que LUSOFONIA. E importa notar que os primeiros vestígios desse romance ocidental que se torna língua independente do latim no Reino de Portugal são encontrados no CONDADO PORTUCALENSE. Pois é, se quiserem ser levados a sério, a dare algum nome a esse Português antigo ou trovadoresco, só têm uma hipótese – romance portucalense.

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