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Língua Portuguesa: a origem da nossa língua

Sempre fomos uma língua que sofreu influências de outras culturas. As línguas mais puras são as menos importantes. Qual a origem da língua portuguesa?

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Lisboa é agora a capital e a nação esquece-se que a língua veio do norte, não foi criada em todo o território nacional.

Qual a origem da língua portuguesa?
Língua Portuguesa: a origem da nossa língua

O que se falava em Lisboa seria esse galego-português que viera para sul com a Reconquista. Houve, claro, algumas intrusões do moçárabe, a linguagem latina do sul (com muitos arabismos).

Mas, nas suas estruturas e características principais, a língua que Portugal assumiu como sua é a língua criada na Galécia: não houve um ponto em que o galego e o português se tivessem separado claramente.

Influências castelhanas no português literário

Qual a origem da língua portuguesa?
Luís Vaz de Camões – Língua Portuguesa: a origem da nossa língua

Não houve um ponto em que o galego e o português se separassem claramente. Mas há, isso sim, algum afastamento da língua padrão em relação ao que se fala mais a norte. Muito desse afastamento fez-se também por causa das influências externas. Com a corte em Lisboa, e durante muitos séculos (na época de Camões, por exemplo), o castelhano teve uma influência que hoje poucos imaginam.

Os escritores portugueses também escreviam, muitos deles, em castelhano. Liam em castelhano. A igreja usava muito o castelhano. A corte também usava o castelhano. Era a língua de prestígio. As misturas eram inevitáveis…

Ora, o português popular de todo o país não sofreu estas influências de forma tão marcada. Assim, arrisco-me a dizer que o português popular manteve durante mais tempo uma maior grau de semelhança com o galego do que o português-padrão — talvez por não ter tanta influência castelhana.

Qual a origem da língua portuguesa?
Língua Portuguesa: a origem da nossa língua

Principalmente no Norte, o português e o galego mantiveram-se tão próximos que a fronteira era difícil de traçar. Mais a sul, na Corte, na capital, a língua “desgaleguizava-se” (ver artigos de Fernando Venâncio citados abaixo). Para as elites lisboetas, o galego e o português do Norte começaram a soar a português da província. E, no entanto, era de lá que tinha vindo a língua…

Depois, o castelhano deixou de ser uma influência forte no português (aí por volta do século XVIII); vieram então as influências francesas e, já bem entrado o século XX, começamos a olhar para o inglês.

Sim, sempre fomos uma língua que sofreu influências fortes de outras culturas. Podemos não gostar do facto, mas é isso mesmo: um facto. Não fiquem horrorizados: o castelhano também teve vagas dessas, o francês idem — então o inglês nem se fala.

Não percam muitas horas de sono com isso — e, depois, a língua vai atrás da cultura, neste ponto: se quisermos uma língua pura, temos de fechar a cultura a influências exteriores. As línguas mais puras são as mais isoladas, as menos importantes.

Para terminar este resumo muito resumido, diga-se que o português-padrão se expandiu de forma fenomenal durante o século XX, com a escola, a televisão, a rádio, a imprensa. Aí, as formas do sul começaram a suplantar as outras formas, que subsistem, mas com menos força. O português começou a tornar-se mais homogéneo (e menos nortenho/galego) — mas tudo isto já é história das últimas décadas…

E o galego?

Qual a origem da língua portuguesa?
Língua Portuguesa: a origem da nossa língua

Bem, quanto ao galego, lá em cima, num país sem corte, uma sociedade rural, não sofreu tanta influência castelhana até muito tarde, embora essa aparente pureza seja apenas reflexo do isolamento da sociedade.

Grande parte da população galega, aliás, só terá começado a sentir a invasão da sua língua pelo castelhano quando a escolaridade obrigatória apareceu no horizonte — e a televisão, jornais, etc. Ou seja, para muitos galegos, o castelhano tornou-se influência no século XX (nas elites terá sido antes, claro).

(cont.)

5 COMENTÁRIOS

  1. Somos a quinta língua mais falada no nundo mas podia até ser mais falada e uma língua mais internacional se tivesse havido uma política mais defensiva do português. Por outro lado há a uma grande “culpa” por parte dos próprios portugueses que se encontram no estrangeiro na falta de defesa da nossa herança linguística…
    Trabalho no estrangeiro, e com pessoas de muitíssimas nacionalidades e regra geral o português de segunda geração num país estrangeiro, percebe um pouco o português e fala muito pouco e mal à língua dos pais. Não se verifica o mesmo com segundas gerações de outros países em que maior parte dos filhos falam correctamente a língua do país onde nasceram e a língua dos seus pais.
    Devo dizer que as comunidades onde isso é mais notório são os originários do Magrebe e do leste da Europa.
    De certeza que as crianças deles não são mais capazes do que as nossas e se elas conseguem aprender correctamente as duas línguas, as nossas são capazes do mesmo. Então o que é que falha? Falha o investimento dos pais na defesa da herança da língua, o que sinceramente é uma perda enorme.

  2. Muito bom o artigo, principalmente por não ter ranço de preconceito.
    Mas acredito que uma parte importante da história foi esquecida, que foram os suevos. E a partir daqui quero deixar claro que é uma opinião minha. Não tenho elementos científicos para sustentá-la nem formação para isso, mas tenho indícios disso. Quais? Enquanto a região colonizada pelos visigodos fala castelhano, e aqui vem o cerne da minha conclusão, que nada mais é do que a tentativa deles tentarem assimilar o latim, culminando no falar que chamamos de castelhano, o mesmo aconteceu nessa região que passou a falar galego. E pode ver que a região histórica do galego corresponde a de colonização suevos.

  3. Absolutamente RIDÍCULO! Antes de mais, a Galécia Magna é uma anedota. Nunca ninguém usou esse termo nem sequer a Galécia corresponde à atual Galiza. A Galécia era uma província romana, criada por romanos, admnistrada por Romanos, não há nada de galego lá. Aliás, nem sequer havia Galiza nessa altura. Segundo, a Galécia é uma extração da Lusitânia que, como esclarece Estrabão, ia no período pré-romano do sul do Tejo até às montanhas cantábricas. Mais, mesmo na primeira divisão da colonização romana – Augustus 25-20 BC – o território dos calaicos e astures ficou integrado na Lusitânia. Por isso, não há de facto melhor designação para a comunidade de falantes desse romance do ocidente peninsular que LUSOFONIA. E importa notar que os primeiros vestígios desse romance ocidental que se torna língua independente do latim no Reino de Portugal são encontrados no CONDADO PORTUCALENSE. Pois é, se quiserem ser levados a sério, a dare algum nome a esse Português antigo ou trovadoresco, só têm uma hipótese – romance portucalense.

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