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O interrogatório aos três pastorinhos na íntegra

O interrogatório que o padre Manuel Formigão fez aos três pastorinhos. O seu objetivo era saber se os acontecimentos de Fátima eram obra de Deus.

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– Usa botas ou sapatos?
– Não usa botas nem sapatos.
– Então tem só meias?
– Parece que tem meias, mas talvez os pés sejam tão brancos que pareçam trazer meias calçadas.

Jacinta Marto, em resposta ao padre Formigão

– Usa botas ou sapatos?
– Não usa botas nem sapatos.
– Então tem só meias?
– Parece que tem meias, mas talvez os pés sejam tão brancos que pareçam trazer meias calçadas.
– De que cor são os cabelos?
– Não se lhe veem os cabelos, que estão cobertos com o manto.
– Traz brincos nas orelhas?
– Não sei, porque não se lhe veem também as orelhas.
– Qual é a posição das mãos?
– As mãos estão postas sobre o peito, com os dedos voltados para cima.
– As contas estão na mão direita ou na mão esquerda?
– ……..

O interrogatório aos três pastorinhos na íntegra
Jacinta, a mais nova das três crianças – O interrogatório aos três pastorinhos na íntegra

A esta pergunta a criança responde primeiro que estavam na mão direita, mas em seguida, devido a insistência da minha parte, mostra-se perplexa e confusa, não sabendo precisar bem qual das suas mãos correspondia à mão com que a Senhora segurava o Rosário.

– O que é que a Senhora recomendou à Lúcia com mais empenho?
– Mandou que rezássemos o terço todos os dias.
– E tu reza-lo?
– Rezo-o todos os dias com o Francisco e a Lúcia.

Meia hora depois de terminado o interrogatório de Jacinta de Jesus, aparece Lúcia de Jesus. Vinha, como disse de uma pequena propriedade de sua família, situada a dois quilómetros de distância, onde tinha estado a vindimar. Mais alta e mais nutrida que as outras duas crianças, de tez mais clara, robusta e saudável, apresenta-se diante de mim com um desembaraço que contrasta singularmente com o acanhamento e a timidez excessiva da Jacinta. Singelamente vestida como esta, a sua atitude não denota e o seu rosto não traduz nenhum sentimento de vaidade nem de confusão.

Sentando-se, a um aceno meu, numa cadeira, ao meu lado, presta-se da melhor vontade a ser interrogada sobre os acontecimentos de que ela é a principal protagonista, sem embargo de se sentir visivelmente fatigada e abatida, mercê das visitas incessantes que recebe e dos inquéritos repetidos e prolongados a que é submetida.

Filha de António dos Santos, de 50 anos de idade, e de Maria Rosa, de 48 anos, tem um irmão e quatro irmãs, todos mais velhos do que ela: Maria, de 26 anos, já casada, Teresa, de 24, Manuel, de 22, Glória, de 20, e Carolina, de 15. Completou dez anos de idade em 22 de março do corrente ano.

Tinha oito anos quando fez a sua primeira comunhão. A mãe, tipo da mulher cristã, e da boa dona de casa, entregue às lides domésticas, procurou sempre inspirar aos filhos o santo temor de Deus e levá-los ao cumprimento de todos os seus deveres morais e religiosos. Altamente preocupada com os sucessos que atraem a todo o momento as atenções de milhares de pessoas para a sua pobre habitação, até há pouco tempo ignorada do mundo, nota-se desde logo que o seu espírito hesita, numa ansiedade inquieta, entre a esperança de que sua filha seja realmente privilegiada com a aparição da Virgem e o receio de que ela seja vítima de uma alucinação que lhe traga desgostos e cubra de ridículo toda a sua família.

O interrogatório aos três pastorinhos na íntegra
Lúcia, de dez anos, prima de Francisco e Jacinta – O interrogatório aos três pastorinhos na íntegra

A uma pergunta minha acerca da piedade da sua Lúcia, responde que não lhe nota nada de extraordinário neste particular, vendo-a rezar da mesma forma e com o mesmo fervor que antes das aparições, exatamente como fazem as suas irmãs.

(cont.)

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