Início Cultura Há vírgulas obrigatórias? E vírgulas proibidas?

Há vírgulas obrigatórias? E vírgulas proibidas?

Há vírgulas obrigatórias? E vírgulas proibidas? Sandra Duarte Tavares dá indicações muito úteis sobre como aplicar as vírgulas em frases e textos.

Há vírgulas obrigatórias? E vírgulas proibidas?
Há vírgulas obrigatórias? E vírgulas proibidas?

Há vírgulas obrigatórias? E vírgulas proibidas?

Há vírgulas obrigatórias? E vírgulas proibidas? Sandra Duarte Tavares dá indicações muito úteis sobre como aplicar as vírgulas em frases e textos.

Sandra Duarte Tavares
Sandra Duarte Tavares

A vírgula é, e digo-o convictamente, o sinal de pontuação que mais dor de cabeça dá a quem escreve. Mesmo para quem tem boas competências de escrita, muitas vezes a hesitação surge: “Deve-se ou não colocar uma vírgula neste contexto?”

Há quem conheça as regras do uso da vírgula e as aplique bem, há quem as desconheça totalmente e ainda há quem ache que a vírgula de pouco ou nada serve. Será mesmo assim?

Convido-o a analisar comigo as frases seguintes, que diferem apenas na presença vs. ausência de vírgulas. Poderá comprovar que, de facto, uma vírgula pode alterar o significado de uma frase:

1 – O irmão da Ana que mora em Paris não vem ao casamento.

2 – O irmão da Ana, que mora em Paris, não vem ao casamento.

A frase (1) tem um significado diferente da frase (2), concorda? Siga, por favor, o meu raciocínio:

Na frase (1), a oração “que mora em Paris”, estando sem vírgulas, restringe o âmbito do nome irmão, ou seja, indica-nos que só o irmão da Ana que reside em Paris é que não vem ao casamento (dando-nos, assim, a ideia de que a Ana tem mais irmãos para além desse).

Na frase (2), a oração “que mora em Paris”, estando entre vírgulas, dá-nos uma informação acessória, pelo que a sua omissão não altera o sentido global da frase: o irmão da Ana não vem ao casamento (concluindo nós que ela só tem um irmão).

A presença vs. ausência de vírgulas determinou, efetivamente, uma mudança de significado nestas frases.

Feita uma reflexão sobre a importância da vírgula, vejamos, agora, em linhas gerais, os contextos obrigatórios e proibidos do uso da vírgula.

A vírgula marca uma pausa breve e deve ser usada nos principais casos que se seguem:

Casos obrigatórios

  1. Usa-se para separar a saudação do vocativo: Boa tarde, Mafalda.
  2. Usa-se para separar orações relativas explicativas: O Luís, que é o melhor aluno da turma, recebeu um prémio de mérito.
  3. Usa-se para separar expressões adverbiais de tempo, de lugar, de modo, etc.: Na semana passada; em Coimbra; na sequência do seu contacto telefónico…

Em suma, a vírgula usa-se para separar elementos que não são essenciais na frase, isto é, que podem ser omitidos sem que a frase fique incompleta ou incorreta. Pelo contrário, todos os elementos que são fundamentais para a compreensão de uma frase nunca se separam por vírgula. Ora vejamos os principais casos:

Casos proibidos

  1. Entre o sujeito e o predicado: A livrança proveniente do contrato de Leasing, foi anulada.
  2. Entre o verbo e os seus complementos: O diretor informou os colaboradores, de que o horário das reuniões será alterado.
  3. A separar uma oração relativa restritiva: Os atletas, que não passarem na fase eliminatória, não poderão participar na Final.

Termino com um desafio: por que razão a frase seguinte, sem quaisquer vírgulas, não está correta?

* Os linces que são mamíferos estão em vias de extinção.

Vista a bata de linguista e, com uma lupa, analise minuciosamente a frase acima. Tenho a certeza de que chegará a uma boa conclusão!

Autora: Sandra Duarte Tavares
Fonte: Ciberdúvidas

Sandra Duarte Tavares é mestre em Linguística Portuguesa pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e professora no Instituto Superior de Educação e Ciências (ISEC Lisboa). É consultora linguística e formadora de Comunicação, e colabora ainda com a RTP em programas televisivos e radiofónicos sobre Língua Portuguesa.É autora dos livros “Falar bem, Escrever melhor” e “500 erros mais comuns da Língua Portuguesa” e coautora dos livros “Gramática Descomplicada”, “Pares Difíceis da Língua Portuguesa”, “Pontapés na Gramática”, “Assim é que é falar!”, “SOS da Língua Portuguesa”, “Quem tem medo da Língua Portuguesa?” e de um manual escolar de Português: “Ás das Letras 5”.

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