Início Histórias Há um Stonehenge no Alentejo. Encontrá-lo é o problema

Há um Stonehenge no Alentejo. Encontrá-lo é o problema

Encontrar as antas de Évora é quase como encontrar uma agulha num palheiro. Percorremos os caminhos alentejanos à procura de monumentos pré-históricos.

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Encontrar uma agulha num palheiro

O Recinto Megalítico dos Almendres encontra-se bem sinalizado a partir da auto-estrada. Antes de chegar a Montemor-o-Novo, começam a surgir placas castanhas a indicar que o monumento está próximo. O problema é quando se tenta fugir deste itinerário e explorar a região — a caça à anta transforma-se numa espécie de caça ao tesouro.

As informações disponíveis na Internet são poucas para quem não conhece bem a região e muitos dos monumentos não estão sinalizados ou, se o estão, as placas são tão pequenas que só alguém com olhos de falcão é que as consegue ver. É o caso do recinto megalítico de Vale Maria do Meio, a caminho de Arraiolos.

O Recinto Megalítico de Vale Maria do Meio está sinalizado por uma pequena placa de madeira à beira da estrada, a caminho de Arraiolos – RITA CIPRIANO/OBSERVADOR

A cerca de 15 quilómetros de Évora, junto ao cruzamento da Valeira, existe uma pequena placa preta que diz simplesmente “Vale Maria do Meio”.

HUGO AMARAL/OBSERVADOR

A partir daí, é preciso seguir por uma estrada de terra batida que se prolonga pela propriedade com o mesmo nome e que passa junto ao cromeleque, um dos mais importantes da região.

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Este foi identificado na primavera de 1993 por uma equipa da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, orientada pelo arqueólogo Manuel Calado. É composto por cerca de três dezenas de menires, que formam uma espécie de ferradura, e encontra-se alinhado com os astros.

Uma parte significativa dos menires, que se encontravam caídos, foram erigidos novamente depois dos trabalhos levados a cabo pela equipa do professor de Arqueologia.

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Apesar de ser difícil encontrar o cromeleque de Vale Maria do Meio, a realidade podia ser bem pior. Como no caso das duas Antas da Herdade do Barrocal, em Nossa Senhora da Tourega, onde apenas existe uma placa torta e enferrujada, com um pequeno desenho de uma anta, a indicar o caminho de terra batida.

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Os dois monumentos, datáveis do período Neolítico ou Calcolítico, ficam no interior de uma propriedade privada vedada. O portão está a aberto e, para entrar, basta empurrá-lo. O problema é encontrá-lo.

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Mas, felizmente para nós, uma das antas mais famosas fica à beira de uma estrada nacional, a caminho de Valverde.

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Conhecida como a Anta do Livramento ou Anta de São Brissos, o monumento foi transformado em capela no século XVII e pintada de azul e branco, como as casas alentejanas.

Com apenas uma árvore a fazer-lhe companhia, ergue-se solitária entre vedações e um caixote do lixo. A porta de entrada, em ferro, está geralmente fechada e existe apenas uma pequena janela lateral que dificilmente deixará entrar alguma luz. Do lado direito, uma antiga placa, já enferrujada, anuncia:

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É também a caminho de Valverde que fica a Anta Grande do Zambujeiro, uma das mais famosas da região. Localizada na Herdade da Mitra, precisamos de algumas voltas e de percorrer (de carro e a pé) vários caminhos de terra até darmos com ela (há uma placa junto a umas instalações pecuárias, numa localidade próxima, mas é difícil de ver).

A Anta Grande do Zambujeiro, na Herdade da Mitra, é o maior monumento funerário megalítico da Península Ibérica, com cerca de oito metros de altura

Com perto de oito metros de altura e um corredor de 12 metros de comprimento, a Anta Grande do Zambujeiro, erigida no período neolítico, é o maior monumento megalítico funerário de que há conhecimento na Península Ibérica, e um dos maiores da Europa.

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Foi descoberta por Henrique Leonor de Pina na década de 60 e pensa-se que terá sido construída algures entre o IV e III milénios a.C., tendo “como finalidade acolher no seu interior os corpos dos falecidos que eram depositados juntamente com objetos do seu quotidiano e de uso ritual”, como explica uma placa informativa, desbotada.

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Esta anta é, juntamente com a do Livramento, a mais importante da região. “A Anta de Olival da Pega 1, [em Reguengos de Monsaraz] que fica ao pé dessa, [também é importante,] mas em termos de dimensão de câmara é diferente”, explicou Leonor Rocha, professora da Universidade de Évora.

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De acordo com a arqueóloga, existem pelo menos dez antas que “são bastante grandes”. “As outras andam em torno dos dois metros. Normalmente as que são muito grandes, são também as mais tardias, com entre quatro a cinco mil anos”, acrescentou.

“No Concelho de Évora temos neste momento registadas cerca de 200 antas, 50 menires isolados e três recintos megalíticos também conhecidos como cromeleques.” Câmara Municipal de Évora

Segundo dados da Câmara Municipal de Évora, existem cerca de 200 antas (ou dólmenes) registadas no concelho de Évora. Menires isolados são pelo menos 50 e há ainda três recintos megalíticos identificados — dos quais o cromeleque dos Almendres e o de Vale Maria do Meio são exemplos. Mas o número real pode ser bem maior. O site Visite Évora, por exemplo, fala em mais de dez recintos megalíticos, mais de 100 menires, 800 antas e ainda em 450 povoações megalíticas. Números que mostram a riqueza e a importância dos achados arqueológicos da zona de Évora.

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