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A estação espacial que pode cair em Portugal

Uma estação espacial vai cair do céu e pode ser no norte de Portugal. Conheça as 9 respostas para saber se deve ter medo.

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Há uma outra boa notícia a juntar a esta: é que nunca houve registo de uma pessoa ter sido atingida por estilhaços vindos do espaço e com origem em objetos espaciais em queda. Mas também estamos numa situação de cara ou coroa: segundo Rui Agostinho do Observatório Astronómico de Lisboa, quanto mais rasante for a trajetória da estação espacial em relação à atmosfera, maior a distância que ela terá de perfurar ao longo desse nosso escudo e mais tempo estará à mercê da fricção e das altas temperaturas da reentrada sendo assim mais fácil que se estilhace. Mas quanto mais próxima estiver a inclinação da órbita dos 90º, maior velocidade o objeto vai adquirir e menor será o espaço que terá de percorrer podendo ficar mais intacta.

Outra coisa que é preciso ter em conta, do lado das notícias menos boas, é que nenhum dos veículos espaciais estudados pelas agências espaciais foram concebidas para receber humanos, por isso foram feitos de materiais menos resistentes: “Os mecanismos dos satélites não são robustos porque só têm de sobreviver ao lançamento, mas depois não estão sujeitos a forças extremas enquanto estão no espaço. Como quanto maior for o peso do satélite, mais caro será lançá-lo num foguetão, as agências tentam fazê-los o mais leves possível”, explica Rui Agostinho. Mas a Tiangong-1 é uma estação espacial, por isso “está preparada para colocar pessoas lá dentro, tem zonas mais robustas que podem sobreviver à reentrada na atmosfera”. São essas as peças mais perigosas para o humano.

6 – Há produtos perigosos a bordo da estação espacial?

Sim. A hidrazina é um composto químico no estado líquido que foi usado na Tiangong-1 como um propelente em veículos espaciais e é também usado em alguns produtos na agricultura. O problema é que a hidrazina é altamente tóxica e corrosiva: um relatório da Agência das Substâncias Tóxicas dos Estados Unidos diz que “respirar hidrazina por curtos períodos de tempo pode causar tosse e irritações na garganta e nos pulmões, convulsões, tremores e ferimentos”. No entanto, segundo os cientistas chineses, “é muito pequena a probabilidade de [a hidrazina] vir a causar danos à aviação ou às pessoas em terra”.

Se encontrar objetos que possam ter tido origem na estação espacial chinesa, o melhor é não tocar neles e nem sequer se aproximar: os vapores que emitem podem tornar-se muitos perigosos para a saúde.

A hidrazina é um composto químico no estado líquido que foi usado na Tiangong-1 como um propelente em veículos espaciais e é usado em alguns produtos na agricultura. O problema é que a hidrazina é altamente tóxica e corrosiva.

7 – Quem está a controlar a situação?

A 10 de maio de 2017, a China enviou ao Departamento das Nações Unidas para os Assuntos Espaciais uma notificação onde dizia que a Tiangong-1 tinha “parado de funcionar” e que “mantinha total integridade estrutural”. Naquela altura, a estação espacial estava a 349 quilómetros de altitude e caía diariamente, e em média, 160 metros em direção à Terra, por isso a matemática dizia que reentraria na atmosfera entre outubro do ano passado e abril deste ano. A China garantia ainda que “a maior parte dos componentes estruturais da Tiangong-1 seria destruído por inflamação ao longo da sua reentrada” e que “a probabilidade de causar estragos e colocar em perigo a aviação ou as atividades em solo são muito baixas”. Tendo isto em conta, a China pediu a ajuda do Departamento das Nações Unidas para os Assuntos Espaciais e ao Comité Inter-Agências de Coordenação de Detritos Espaciais para estar de olhos postos na estação chinesa.

Ao mobilizar o comité, a Administração Espacial Nacional da China colocou 13 agências espaciais, entre as quais a NASA (dos Estados Unidos), a ESA (com 22 estados-membros europeus), a Roscosmos (da Rússia), a JAXA (do Japão), a ISRO (da Índia) e a KARI (da Coreia do Sul). Todas estão em sintonia para tentar descobrir, acima de tudo, onde e quando vai a Tiangong-1 entrar na atmosfera terrestre.

8 – Esta reentrada é a mais perigosa a que já assistimos?

A estação espacial que pode cair em Portugal
A estação espacial que pode cair em Portugal

Não. A 23 de março de 2001, o mundo assistiu à reentrada na atmosfera da estação espacial Mir, que com 120 toneladas (a Tiangong-1 tem 8,5 toneladas) foi o maior veículo espacial construído pelo Homem a cair na Terra. Era uma estação modular — a primeira de todas e o maior veículo espacial até àquela época — que esteve na órbita baixa da Terra entre 1986 e 2001, pertencia à União Soviética e foi montada já em órbita entre 1986 e 1996. Até começar a cair, o Mir era o maior satélite em órbita, um título que depois passou a pertencer à  Estação Espacial Internacional.


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A Mir permaneceu no espaço a 400 quilómetros de altitude, completando uma órbita em volta da Terra a cada 90 minutos. Em 2000, a Rússia decidiu destruir o veículo espacial “por falta de meios técnicos e financeiros” para suportar a máquina. A 23 de março de 2001, a Mir entrou na atmosfera terrestre e desintegrou-se em segundos: a maioria das partes da estação foi completamente destruída, mas algumas peças caíram em chamas no Oceano Pacífico a dois mil quilómetros da Austrália sem causar danos a nenhuma pessoa ou infraestrutura. A operação custou 27 milhões de dólares.

A estação espacial que pode cair em Portugal
A estação espacial que pode cair em Portugal

Este não é o objeto mais perigoso que já vimos reentrar na Terra. A 23 de março de 2001, o mundo assistiu à reentrada na atmosfera da estação espacial Mir, que com 120 toneladas (a Tiangong-1 tem 8,5 toneladas) foi o maior veículo espacial construído pelo Homem a cair no planeta.

9 – Posso ver a reentrada da estação na Terra?

De acordo com a Corporação Aerospace, uma organização independente dedicada à investigação técnica e científica relacionada com a aeronáutica, dependendo das condições meteorológicas, da hora e do local da reentrada da Tiangong-1, pode ser possível ver objetos incandescentes a rasgarem o céu durante um minuto ou mais.Se vir sinais da reentrada da estação espacial na Terra, envie um relatório para a Corporação Aerospace com informações do local em que estava, que horas eram, uma descrição do que viu e, se possível, fotografias ou vídeos que consiga captar desse momento.

Autora: Marta Leite Ferreira
Fonte: Observador
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