Início Histórias O que está por trás dos 300 sismos dos Açores

O que está por trás dos 300 sismos dos Açores

Centenas de sismos que abalaram os Açores esta segunda tiveram origem na mesma falha que destruiu São Miguel há quase 500 anos. A crise pode durar meses.

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Da ribeira para a parte do Oriente, onde estava a Vila, tudo foi assolado e os moradores todos quase mortos”, recorda o historiador.

Estudos feitos em 2006 pelo Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos (CVARG) provaram que este sismo na falha do Congro teve epicentro a poucos quilómetros para noroeste da vila e que deve ter provocado o deslizamento de 6,75 milhões de metros cúbicos de detritos vindos do Monte do Rabaçal, hoje denominada Ribeira da Mãe d’Água.

As terras devem ter-se deslocado a uma velocidade de três metros por segundo: foram demasiado rápidas para que a população pudesse fugir. Estima-se que os sobreviventes não tenham passado das sete dezenas.

[Reveja o vídeo sobre a placa africana que está a rachar Portugal]

É difícil repetir-se a tragédia

Miguel Miranda diz que dificilmente algo tão catastrófico pode acontecer desta vez nos Açores. O maior sismo registado nesta crise tinha magnitude 3,6 na escala de Richter e teve origem a 15 quilómetros de profundidade, nas vizinhanças do vulcão do Fogo:

“Para que algo tão grave acontecesse, e para que um tsunami pudesse ameaçar os Açores, era preciso um sismo com uma magnitude muito superior e com origem numa profundidade muito mais superficial”, explica o presidente do IPMA.

Esta não é a primeira vez que se regista um número anormal de sismos de pequena magnitude no arquipélago dos Açores.

Em setembro de 2016, o Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) informou que “assistiu-se a um incremento no número de eventos que, quando têm uma magnitude um pouco superior ou se situam mais próximo de zonas habitadas, acabam por ser sentidos pela população” desde finais de agosto daquele ano.

Esses sismos tinham magnitude semelhantes, mas apenas três deles foram sentidos pela população porque tiveram origem junto à costa: ao longo daquele mês, outros sismos foram registados, mas “os epicentros foram mais distantes do litoral e a população não os sente”, explicou Teresa Ferreira, presidente do CIVISA. Outras crises sísmicas foram registadas dez anos antes, em 2005 e em 2007.

Autora: Marta Leite Ferreira
Fonte: Observador
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