Início Histórias O que está por trás dos 300 sismos dos Açores

O que está por trás dos 300 sismos dos Açores

Centenas de sismos que abalaram os Açores esta segunda tiveram origem na mesma falha que destruiu São Miguel há quase 500 anos. A crise pode durar meses.

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Certo é que são essas as tensões que têm provocado os sismos registados nas últimas horas: “Os sismos libertam energia mecânica, mas por vezes essa energia acumula-se noutros pontos, como numa transferência, e liberta-se mais tarde”, conta o presidente do IPMA.

É desta interação entre três placas, chamada Ponto Triplo pelos cientistas, que nasceu a falha do Congro, que tem originado os sismos da madrugada desta segunda-feira. Essa falha atravessa a ilha de São Miguel desde leste de Santa Maria até à Crista Médio-Atlântica, uma cordilheira submarina a oeste das ilhas Graciosa e Faial.

Em dias mais calmos, só esta falha é responsável por três a cinco pequenos sismos por dia, mas também já foi aqui que tiveram origem as últimas grandes crises sísmicas açorianas entre 1989 e a atualidade. Foi também aqui que se registou o segundo sismo mais catastrófico do país, apenas ultrapassado pelo terramoto de 1755: a subversão de Vila Franca.

A tectónica de placas associada aos Açores

“Um grandíssimo e espantoso tremor de terra”

Na noite de 21 para 22 de outubro de 1522, um sismo de intensidade X (desastroso) na escala de Mercalli foi registado em Vila Franca do Campo, precisamente onde passa a falha do Congro.

Gaspar Frutuoso, historiador nascido nesse ano, escreveu 70 anos mais tarde que “menos de duas horas ante manhã, estando o céu estrelado e claro, sem aparecer nuvem alguma, se sentiu em toda a ilha um grandíssimo e espantoso tremor de terra, durou por espaço d’um credo, em que parecia que os elementos, fogo, ar e água, pelejavam no centro d’ela, fazendo-a dar grandes abalos, com roncos e movimentos horrendos, como ondas de mar furioso, parecendo a todos os moradores da ilha, que se virava o centro d’ela para cima e que o céu caía”.

Em Monte do Rabaçal, nome dado á época a um monte sobranceiro a Vila Franca do Campo, a lama derrubou as casas, obstruiu os caminhos, destruiu as terras de cultivo e matou pelo menos três mil pessoas — muitas delas soterradas ao fugir de casa com receio das réplicas.

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