Início Tradições Doçaria Conventual e 3 receitas conventuais originais do séc. XVIII

Doçaria Conventual e 3 receitas conventuais originais do séc. XVIII

A doçaria conventual é apaixonante e estes doces foram criados por freiras que viviam em conventos. Aprenda 3 receitas conventuais originais do séc. XVIII.

3 receitas conventuais originais
Doçaria Conventual e 3 receitas conventuais originais do séc. XVIII

Doçaria Conventual e 3 receitas conventuais originais do séc. XVIII

A doçaria conventual é apaixonante e estes doces foram criados por freiras que viviam em conventos. Aprenda 3 receitas conventuais originais do séc. XVIII.

LIVRO DAS RECEITAS DE DOCES E COZINHADOS VÁRIOS D´ESTE CONVENTO DE SANTA CLARA D´ÉVORA, 1729

Sóror Maria Leocádia do Monte do Carmo, Abadessa

Livro de receitas – Doçaria Conventual e 3 receitas conventuais originais do séc. XVIII

Este trabalho da professora Pilar Silva revela aspectos e curiosidades dos doces conventuais e suas delicadas decorações, realizados pelas freiras de Santa Clara.

As claras dos ovos eram utilizadas na confecção das hóstias e para a manutenção do aprumo do vestuário das religiosas. E o que fazer das gemas? A resposta estende-se por uma quantidade saborosa de receitas de doces que se mantêm fiéis à simplicidade dos ingredientes.

A sua decoração, através de papéis recortados ou picotados, é de uma delicadeza extrema e demorada. Aproxima os sentidos: a beleza do que se vê iguala o sabor precioso na boca.

Assim se lembra um pouco da história concreta dos doces conventuais, sem esquecer o mistério invisível e nutritivo dos milagres. Por essas duas portas entreabertas se pode espreitar para o Convento de Santa Clara:

“Um dia as irmãs só tinham meio pão, pois a outra metade tinha sido mandada aos frades que estavam ali fora. Santa Clara mandou que uma irmã cortasse o meio pão em cinquenta fatias e as levasse para as irmãs. Embora não entendendo como poderia cortar cinquenta fatias do meio pão, a irmã obedeceu e conseguiu cortar cinquenta fatias boas e grandes”.

O que é certo é que a doçaria conventual constitui um dos mais ricos exemplos do património gastronómico e os papéis recortados e picotados, um esquecido património decorativo de rara beleza.

Aqui são apresentados. Apreciemos e aprendamos.
9 Receitas Conventuais originais do séc. XVIII
Cristina Tavares, Maio 2010

 

Manjar Celeste – Doçaria Conventual e 3 receitas conventuais originais do séc. XVIII

Receita de Manjar Celeste

Manjar Celeste – Imagem meramente ilustrativa – Doçaria Conventual e 3 receitas conventuais originais do séc. XVIII

Convento de Santa Mónica, Especialidade dada por nossa irmã sóror Teresa de Santa Rita.

  • 250 g. de requeijão
  • 250 g. de açúcar
  • 6 gemas

Ponha o açúcar em ponto de fio, deite-lhe o requeijão ralado. Em fervendo, tire do lume e deite as 6 gemas. Torna a ir ao lume a ferver outra vez.

Tira-se então do lume e deita-se em tigelinhas de barro, pequenas.

Deixa-se arrefecer e vai ao forno a alourar.

Ponto de fio: Leva-se o açúcar ao lume com um terço do peso de água e deixa-se ferver até fazer ponto de fio (101 C). Ou seja, quando, ao pôr uma gota de açúcar da calda entre os dedos polegar e indicador, se formam ténues fiozinhos ao afastar os dedos.

3 receitas conventuais originais
Pão de Rala com azeitonas – Doçaria Conventual e 3 receitas conventuais originais do séc. XVIII

Receita de Pão de Rala com azeitonas

3 receitas conventuais originais
Pão de Rala com azeitonas – Imagem meramente ilustrativa – Doçaria Conventual e 3 receitas conventuais originais do séc. XVIII

(das nossas irmãs do Convento de Santa Helena do Calvário), dada pela irmã sóror Umbelina Inez de Jesus.

Para 6 Ralos

  • 450 g de amêndoa
  • 900 g de açúcar
  • 18 ovos
  • 450 g de chila para recheio

Um salamim de azeitona

  • 125 g de amêndoa
  • 225 g de açúcar
  • 2 ovos
  • e uma pequena porção de cacau em pó.

Deite num tacho o açúcar e uma pequena porção de água. Deixe ferver até chegar ao ponto de cabelo e tire do lume. Rale a amêndoa, junte-lhe os dois ovos com as claras, e misture tudo muito bem. Deita-se a massa no tacho. Vai novamente ao lume até dar consistência não devendo deixar secar muito. Tire novamente do lume e deixe arrefecer bem.

Noutro tacho, deite 250 g de açúcar, o qual se deixa ferver até fazer ponto de pasta. Neste açúcar, formam-se então as vulgares folhas de ovos e, no açúcar que fica, deita-se o recheio de chila e mais 4 gemas, indo seguidamente ao lume a ferver um bocadinho.

Quando frias as duas preparações, tenda os pães desta maneira: com farinha divida o maçapão em 12 bocados, 6 maiores que são os fundos, e 6 mais pequenos que são as tampas. Nos maiores faça uma cavidade onde se deita uma camada de folhas, outra de chila e uma terceira de folhas, após o que se tapam. Ajeite de maneira a formar um pão arredondado. Tendidos os 6 ralos, vão ao forno muito quente, mas só para alourar, em tabuleiro untado com manteiga de porco e de vaca.

Ponto de cabelo: Leva-se o açúcar ao lume com um terço do peso de água e deixa-se ferver até fazer ponto de cabelo (103 C). O ponto de cabelo consegue-se quando, ao pôr uma gota de açúcar da calda entre os dedos polegar e indicador, se formar um ou mais fiozinhos ao afastar os dedos.

3 receitas conventuais originais
Bolo do Paraíso – Doçaria Conventual e 3 receitas conventuais originais do séc. XVIII

Receita de Bolo do Paraíso

3 receitas conventuais originais
Bolo do Paraíso – Imagem meramente ilustrativa – Doçaria Conventual e 3 receitas conventuais originais do séc. XVIII

Especialidade do Convento de Nossa Senhora do Paraíso

  • 1350 g de açúcar em ponto de cabelo
  • 450 g de amêndoa ralada
  • 15 gemas de ovo, sendo 5 com claras
  • 125 g de pão ralado
  • canela

Prepare o açúcar em ponto de cabelo, deixe arrefecer um pouco e adicione-lhe a amêndoa ralada. Vai ao lume até espessar (fazer castelo pequeno). Depois de frio, junte as gemas. Bater tudo muito bem e vai novamente ao lume até engrossar e fazer castelo pequeno.

Torne a retirar e misture o pão ralado e a canela, envolve-se levemente as claras em castelo, sem bater, e coze-se em forno moderado em forma bem untada.

Depois de frio, cobre-se com glacê de açúcar ou empoa-se com icing sugar.

Ponto de cabelo: Leva-se o açúcar ao lume com um terço do peso de água e deixa-se ferver até fazer ponto de cabelo (103 C). Isto é, quando, ao pôr uma gota de açúcar da calda entre os dedos polegar e indicador, se formar um ou mais fiozinhos ao afastar os dedos.

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