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Descoberta do Século em Cascais

É considerada a descoberta do século em Cascais. Entre os restos do casco do navio, estavam canhões de bronze, porcelana chinesa e grãos pimenta.

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Descoberta do Século em Cascais
Descoberta do Século em Cascais

Descoberta do Século em Cascais

Já considerada a “descoberta do século” pelo município de Cascais, foi encontrada uma nau por uma equipa de arqueólogos da Câmara Municipal de Cascais, do Projeto Municipal da Carta Arqueológica Subaquática do Litoral, e que terá naufragado entre 1575 e 1625.
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A descoberta, efetuada num mergulho no rio Tejo junto ao Bugio, resultou do Projeto da Carta Arqueológica Subaquática de Cascais (ProCASC) e que tem por objetivo, numa campanha de investigação subaquática, recolher todo o tipo de informação histórica.

O diretor científico do ProCASC, Jorge Freire, em declarações à agência Lusa explicou que os vestígios da nau abrangem uma área aproximada de 100 metros de comprimento por 50 metros de largura e foram encontrados a uma profundidade de 12 metros, junto ao Bugio.

Descoberta do Século em Cascais
Descoberta do Século em Cascais – Foto Augusto Salgado/Lusa

“Vê-se o escudo de Portugal, a esfera armilar, portanto, por aí, estamos seguramente a falar de um achado de desígnio nacional muito semelhante àquilo que foi a Nossa Senhora dos Mártires [uma nau portuguesa também do Caminho das Índias, descoberta em 1994], utilizada como motivo da Expo98, só com uma diferença, porque esta está em melhor estado de conservação, daquilo que nos é possível ver à superfície. A área também é muito maior do que foi exumado na Nossa Senhora dos Mártires”, afirmou o diretor e mergulhador do projeto.

Em perigo de ser perdidos, alguns dos artefactos foram recolhidos e colocados em água nas reservas municipais. Entre eles é possível encontrar pimenta da Índia, porcelana e canhões.

Descoberta do Século em Cascais
Descoberta do Século em Cascais – Foto Augusto Salgado/Lusa

Segundo Jorge Freire, esta descoberta é “diferente das outras”, uma vez que foi feita em “ambiente científico”.

“A maior parte das descobertas no país foram feitas por achado fortuito, a maior parte das descobertas em Cascais, e esta em particular, foram feitas em ambiente científico. O que estamos a fazer neste momento é mapear todos os achados que estão à superfície, para termos um diagnóstico daquilo que está visível, para ver qual a evolução do sítio em termos de sedimentação, e perceber a própria dinâmica do sítio”, esclareceu.

Descoberta do Século em Cascais
Descoberta do Século em Cascais

Esta é “uma das descobertas arqueológicas mais significativas da última década”, disse o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras (PSD), em declarações à agência Lusa.

“O reconhecimento feito pela própria comunidade científica de que se trata da descoberta da década, do século, em termos de arqueologia marítima, é para nós uma grande satisfação. [Assim como] a possibilidade de a termos feito também em conjunto, num programa que não envolve só a Marinha Portuguesa como a Direção-Geral do Património Cultural, a Câmara Municipal de Cascais e os técnicos da Câmara Municipal de Cascais, assim como a Universidade Nova de Lisboa”, afirmou Carlos Carreiras.

Segundo o diretor do ProCASC “brevemente” a nau irá transformar-se num campo-escola, para a formação académica de alunos das universidades.

Descoberta do Século em Cascais
Descoberta do Século em Cascais – Foto Augusto Salgado/Lusa

“Temos uma ausência de campos para formar arqueólogos e ela [nau] vai ser transformada, nesse sentido [num campo-escola], porque está lá a nau e um conjunto de navios de outras cronologias muito perto deste sítio, que também necessitam de ser intervencionados, e vamos juntar-nos num planeamento. Temos um programa pré-definido para isto, que terá subjacente este campus universitário. Em breve estará em funcionamento”, acrescentou.

De acordo com Jorge Freire, o campo-escola será criado através da Cátedra UNESCO “O Património Cultural dos Oceanos”, tutelada pelo Centro de Humanidades da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, em parceria com a Marinha Portuguesa e a Direção-Geral do Património Cultural.
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