Início Histórias De MacGyver ao Rambo. Era isto que víamos e ouvíamos em 1985

De MacGyver ao Rambo. Era isto que víamos e ouvíamos em 1985

Há exatamente 33 anos, as rádios passavam o "We are the World" e a televisão mostrava "Duarte e Companhia". Era isto que víamos e ouvíamos em 1985.

De MacGyver ao Rambo. Era isto que víamos e ouvíamos em 1985
De MacGyver ao Rambo. Era isto que víamos e ouvíamos em 1985

De MacGyver ao Rambo. Era isto que víamos e ouvíamos em 1985

Há exatamente 33 anos, as rádios passavam o “We are the World” e a televisão mostrava “Duarte e Companhia”. Era isto que víamos e ouvíamos em 1985.

Aaahhh, 1985… As pistas de dança cheias de roupas brilhantes, cabelos com permanentes e chumaços nos ombros. Nos discos de vinil que rodavam na aparelhagem tanto podiam estar sonoridades dançáveis como glam metal ou a pop de Madonna, Prince ou Michael Jackson — três dos nomes que ainda hoje mais vendem dentro da indústria discográfica.

Andamos há 33 anos a idolatrar as mesmas estrelas da cultura pop? Olhamos para trás e recordamos as músicas, os programas de televisão e os filmes favoritos dos portugueses (e não só) em 1985.

Havia razões para celebrar nas pistas de dança, sob uma bola de espelhos. Portugal despedia-se do FMI pela segunda vez na sua história (e ainda ninguém sabia que haveria uma terceira). No governo, tínhamos políticos em ascensão: Rui Machete era ministro da Defesa do Bloco Central e Cavaco Silva substituía Mário Soares no cargo de primeiro-ministro.

Lá fora, o presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan e a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher liberalizavam as economias. Na Europa, a Comunidade Económica Europeia ganhava dois novos membros: Portugal e Espanha assinaram o acordo de adesão, que entraria em vigor a 1 de janeiro de 1986.

Em 1985, os adeptos de futebol gritavam por um argentino chamado Diego Maradona. Indiferente a tudo isto, nascia na Madeira um bebé a quem os pais deram o nome de Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro.

Mas, sejamos sinceros: o que interessa o governo, a política internacional, a economia ou o futebol quando comparados com uma música chamada “We are the World”?

O que ouvíamos

“We are the World”

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A fome em África impressionou Michael Jackson e Lionel Richie, que juntaram 45 grandes músicos no projeto USA for Africa e fizeram um disco no início do ano, na tentativa de conseguirem receitas para o continente.

O único single do álbum, “We Are The World”, foi o mais vendido daquele ano. Em junho aconteceria outro grande evento solidário, o “Live Aid”, organizado por Bob Geldof e Midge Ure.

“Take on Me”

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A música viu o seu impacto crescer nos anos 80 muito por causa da popularidade dos videoclips. A MTV tinha sido criada em 1981 e as bandas começavam a perceber que o esforço de gravar vídeos para os singles compensava. Foi precisamente em 1985 que os noruegueses a-Ha lançaram “Take On Me”.

Se a melodia eletropop foi a grande responsável por pôr os portugueses a gastar os seus escudos no CD Hunting High and Low, o videoclip surpreendeu o mundo com a sua técnica totalmente inovadora para a época.

“Like a Virgin”

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Like a virgin, touched for the very first time“. Quem passou por 1985 e não celebrou ou não se escandalizou com este sucesso de Madonna, andou desatento.

Com o single “Like a Virgin”, do álbum com o mesmo nome, aquela rapariga bonita e ousada conquistou o primeiro lugar das tabelas nos Estados Unidos, na Austrália, e, claro, em vários países europeus. Trinta anos depois, Madonna ainda vende.


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“Homem do Leme”

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O rock português viveu um boom nos anos 80, com o aparecimento de Rui Veloso, António Variações, UHF, Táxi, Salada de Frutas ou GNR. Em 1985, os Xutos e Pontapés lançaram o seu segundo disco, Cerco.

É lá que se encontra uma das músicas mais icónicas da banda, “Homem do Leme”, que ainda hoje passa com frequência nas rádios.

“Dunas”

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Por falar em GNR, a banda portuense lançou em 1985 “Dunas” Para além de ser uma música quase obrigatória para quem começa a aprender a tocar guitarra, o videoclip é bastante avançado para a época, por representar um casal adolescente homossexual.

O que víamos na televisão

“Hermanias”

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Piiiiiii! Um jovem dos dias de hoje que ligasse a televisão nos anos 80 para ver um destes videoclips e encontrasse este barulho irritante, ou uma mira técnica colorida, ia pensar que o aparelho estava avariado. Nada disso. Era só a emissão que tinha terminado.

Porque, sim, a televisão portuguesa, com os seus dois únicos canais da RTP, fechava. Falar da programação desta altura sem mencionar Herman José é o mesmo que enumerar as telenovelas brasileiras mais icónicas e deixar de fora “Gabriela”.

Depois do sucesso de “O Tal Canal”, o humorista surgiu com “Hermanias”, onde apareceram pela primeira vez personagens como Serafim Saudade, ao lado de outras que já vinham de trás, como o Menino Nelito e o portista Estebes.

“Duarte e Companhia”

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Também em 1985 a RTP estreou uma série de comédia protagonizada por um detetive aventureiro e destemido chamado Duarte (Rui Mendes), sempre acompanhado por Tó (António Assunção) num velhinho Citroën 2CV.

“Duarte e Companhia” teve cinco temporadas e deu muito trabalho aos detetives protagonistas, pela quantidade de bandidos que tiveram de enfrentar, com destaque para Rocha, interpretado por António Rocha, que morreu em janeiro deste ano.


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“MacGyver”

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Em setembro, a rentrée televisiva do canal norte-americano ABC fez-se com uma série de que ainda hoje se fala. “MacGyver” seguia as aventuras do agente secreto Angus MacGyver, interpretado por Richard Dean Anderson.

A cada episódio, os nossos olhos assistiam, entre o maravilhado e o incrédulo, à forma criativa (impossível?) como ele se desembaraçava das piores armadilhas recorrendo apenas a um guarda-chuva velho e a uma corda. A série marcou tanto que a expressão “to pull a MacGyver” entrou no léxico anglo-saxónico.

A série também chegou a Portugal e conquistou muitos fãs, entre os quais Cavaco Silva, que em 1991, quando era primeiro-ministro, disse que este verdadeiro mestre do desenrascanço tinha “as qualidades de que um político precisa”.

“O Justiceiro”

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Outra série norte-americana a fazer sucesso mundial foi “Knight Rider”, que chegaria a Portugal mais tarde com o nome “O Justiceiro”. Toda a gente, tivesse ou não carta de condução, punha travões a fundo para ver o agente Michael Knight (David Hasselhoff) combater o crime.

Só isso? Claro que não. O que causava fascínio era o seu grande aliado, o carro futurista dotado de inteligência artificial chamado K.I.T.T. e que falava.

“Os Soldados da Fortuna”

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Em Portugal, a série “The A-Team” chamava-se “Os Soldados da Fortuna” (tentemos esquecer a tradução brasileira, “Esquadrão Classe A”, que a TVI passou na década de 1990).

A história de um grupo de ex-comandos do exército norte-americano transformado em mercenário teve cinco temporadas. Podemos até esquecer os nomes dos personagens (exceto o do sargento Bosco Baracus, imortalizado por Mr. T), mas a música do genérico ninguém nos tira.

O que víamos no cinema

“Rambo”

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No cinema houve muitos heróis americanos, sobretudo a combater soviéticos, cubanos e vietnamitas. Ou seja, os anos 80 foram um paraíso para Sylvester Stallone. Só em 1985, lançou dois filmes, cada um da sua saga.

Enquanto pugilista Rocky Balboa, pudemos vê-lo no cinema com “Rocky IV”, a vingar o amigo Apollo Creed, que tinha sido morto em combate pelo soviético Drago. Meses antes saiu “Rambo II — A Vingança do Herói”, segundo filme protagonizado pelo ex-soldado americano John Rambo, onde não faltam tiros nem referências à Guerra do Vietname.


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“Comando”

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Também era um herói, também era violento e também era musculado. Depois de em 1984 ter sido “O Exterminador Implacável”, Arnold Schwarzenegger matou em 1985 para cima de 80 personagens no filme “Comando”.

Mais ex-soldados, mais mercenários, mais tiros. O blockbuster americano perfeito dos anos 80.

“Regresso ao Futuro”

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Uma das trilogias mais bem-sucedidas do cinema começou em 1985, embora só tenha chegado a Portugal no ano seguinte. Em “Regresso ao Futuro”, o adolescente Marty McFly (Michael J. Fox) viaja na máquina do tempo mais cool de sempre, um carro DeLorean, com destino a 1955. O problema é quando Marty conhece os pais e a mãe se apaixona por ele.

“Os Goonies”

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“Xiii, os Goonies!”. Eis uma exclamação típica da geração que tem hoje pouco mais de 30 anos quando se fala deste filme, produzido por Steven Spielberg e realizado por Richard Donner. Em “Os Goonies” conta-se a aventura de Mikey, Mouth, Brand, Stefanie, Data, Chunk e Andy, um grupo de miúdos na caça a um tesouro.

Vale a pena ver o trailer só para recordar Sean Astin, o hobbit Samwise Gamgee do “Senhor dos Anéis”, aqui ainda uma criança.

“Ghostbusters”

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“Who you gonna call?”. Esta é a pergunta que ainda hoje, 30 anos depois, os cinéfilos portugueses continuam a fazer. Os caça-fantasmas Bill Murray, Dan Aykroyd e Harold Ramis estrearam-se em Portugal a 21 de dezembro de 1984 e em 1985 transformaram-se num tema inescapável de conversa.

Em 2016 chegará aos cinemas o terceiro filme da saga, protagonizado só por mulheres. Ou seja, em breve voltará a ouvir-se numa sala de cinema esta banda sonora:

Autora: Sara Otto Coelho

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