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Cristo Rei, 58 anos a abraçar Lisboa

Quando D. Manuel Cerejeira viu o Cristo Redentor do Rio de Janeiro, quis ter na capital portuguesa uma estátua suficientemente imponente a olhar pelo país.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar Lisboa
Cristo Rei, 58 anos a abraçar Lisboa

Cristo Rei, 58 anos a abraçar Lisboa

Cristo Rei. Quando D. Manuel Cerejeira viu o Cristo Redentor do Rio de Janeiro, quis ter na capital portuguesa uma estátua suficientemente imponente a olhar pelo país.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar Lisboa
Cristo Rei, 58 anos a abraçar Lisboa

Foi no Pentecostes de 1959 que a estátua de Jesus se mostrou em Almada, de olhos para a capital. “Será um sinal de gratidão pelo dom da paz”, prometeu o cardeal.

Quando D. Manuel Gonçalves Cerejeira, cardeal patriarca de Lisboa entre 1929 e 1972, viu o Cristo Redentor do Rio de Janeiro (Brasil) pela primeira vez quis ter na capital portuguesa uma estátua suficientemente imponente a olhar pelo país.

Apenas dois anos após a visita às terras de Vera Cruz, o patriarca dirigiu-se ao Apostolado da Oração para transmitir esse anseio.

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Estávamos em 1936. No ano seguinte, todos os bispos tinham aprovado a construção do “monumento da Paz”, como lhe chamavam os altos cargos da Igreja Católica em Portugal por o país ter sido ‘poupado’ e ficado neutral na II Guerra Mundial.

Havia bons motivos para depositar as esperanças de uma maior tranquilidade em Portugal no Cristo Rei. Bastava olhar para o passado recente. As consequências da I Guerra Mundial, que tinha terminado havia menos de vinte anos, ainda se faziam sentir: os países ainda estavam a reerguer a sua estrutura económica, a lidar com crises de superprodução e a pagar dívidas aos países fornecedores de armas.

Em 1929, os Estados Unidos tinham arrastado o mundo para uma recessão económica abismal que havia de durar toda a década seguinte. Havia desemprego, havia pobreza e, portanto, muita revolta.

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Nasceram os movimentos radicais um pouco por toda a Europa, nomeadamente na Rússia, na Alemanha e mesmo aqui ao lado em Espanha. Por cá, a poeira do golpe de 28 de maio de 1926 ainda não tinha assentado e o descontentamento social atravessava vários estratos sociais em Portugal.

Os ânimos só acalmaram quando Óscar Carmona venceu as eleições presidenciais de 1928 e quando Oliveira Salazar assumiu a pasta das Finanças. Cinco anos depois, Salazar tornou-se chefe de Governo e nasceu o Estado Novo, com vida longa até 1968. E tudo o que se sabe.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar Lisboa
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Foi nesta aparente calma em relação aos países europeus que a Igreja encontrou um dos argumentos para a construção do Cristo Rei: Portugal tinha de estar grato pelo clima de paz e “progresso espiritual” em que supostamente vivíamos (o resto não contava) e a estátua gigante de Jesus Cristo era um tributo ao filho de Deus.

Além disso, no mesmo ano em que foi anunciada oficialmente a ideia construção da estátua, a irmã Lúcia, um dos três videntes de Fátima, desvendou um dos segredos que a Virgem lhe terá transmitido em 1917:

Cristo Rei, 58 anos a abraçar Lisboa
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Nossa Senhora afirmou que era essencial o sacrifício pelos pecadores e entre várias profecias, acrescentou que a Rússia haveria de espalhar os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja, algo que estava a ser cumprido, pois para além do governo comunista deste país de leste da Europa, também o México era governado pela mesma ideologia.

Entretanto iniciou-se a II Guerra Mundial. Apenas um ano depois do início do conflito, os bispos nacionais reuniram-se em Fátima para um retiro e tornaram pública uma promessa da Igreja:

Se Portugal fosse poupado da Guerra, erguer-se-ia sobre Lisboa um Monumento ao Sagrado Coração de Jesus, sinal visível de como Deus, através do Amor, deseja conquistar para Si toda a humanidade.

O país assumiu uma posição de neutralidade e a Igreja começou a reunir fundos para investir na construção: devagar, porque o contexto de guerra o exigia, foi adquirido o terreno para a construção em 1941.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar Lisboa
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Cinco ano depois, o Episcopado reassumiu a promessa e a campanha de angariação de fundos começou a dar cada vez mais frutos. O Cristo Rei foi então desenhado pelo Mestre Francisco Franco.

A 18 de dezembro de 1949 foi depositada a primeira pedra e três anos depois a Obras Públicas e Cimento Armado começou a construir os alicerces. Dez anos e 40 mil toneladas de betão depois, o Cristo Rei começou a abraçar Lisboa: foi a 17 de maio de 1959, dia de Pentecostes.

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A estátua foi inaugurada perante a imagem de Nossa Senhora de Fátima, perante os cardeais do Rio de Janeiro e de Maputo, e na presença de 300 mil civis. O Papa João XXIII participou através de uma rádio-mensagem. E o Cardeal Cerejeira sublinhou então: “Este será sempre um sinal de gratidão nacional pelo dom da Paz”.

Passados 58 anos, recordamos a construção e a inauguração do Santuário Nacional de Cristo Rei com as imagens da Câmara Municipal de Almada:

Cristo Rei, 58 anos a abraçar Lisboa
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O Santuário Nacional de Cristo Rei foi inspirado no Cristo Redentor do Rio de Janeiro após uma visita do Cardeal Cerejeira ao Brasil em 1936.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar Lisboa
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Chegado a Lisboa, apresentou a proposta ao Apostolado da Oração.

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Em 1937, um ano depois da viagem, a ideia foi aprovada.

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A primeira pedra é posta no início da construção.

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Foi a 18 de dezembro de 1949 que se começou a erguer.

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Em 1952, surgiram os primeiros alicerces.

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O projeto foi desenhado pelo Mestre Francisco Franco.

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A obra demorou dez anos.

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Foram usadas 40 mil toneladas de betão.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar LisboaO terreno para a construção foi adquirido em 1941.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar LisboaSó quando a II Guerra terminou é que a construção começou efetivamente.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar LisboaApenas um ano depois do início do conflito, os bispos nacionais reuniram-se em Fátima para um retiro e tornaram pública uma promessa da Igreja.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar LisboaO Cristo Rei foi erguido através de angariação de fundos.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar LisboaO monumento foi uma forma de agradecimento ao facto de Portugal se ter assumido neutro na II Guerra Mundial.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar LisboaLocalizado no concelho de Almada, tem os braços abertos para Lisboa.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar LisboaO Cristo Rei tem 110 metros de altura.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar LisboaO público só pode chegar à zona dos braços.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar LisboaÉ considerado o melhor e maior miradouro para a cidade de Lisboa.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar LisboaO convite para a inauguração.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar LisboaInauguração onde estiveram presentes 300 mil civis.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar LisboaAs mais altas figuras do Estado e da Igreja.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar LisboaTambém foram convidados os responsáveis máximo da Igreja de Rio de Janeiro e de Maputo.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar Lisboa

Cristo Rei, 58 anos a abraçar LisboaO Papa João XXIII fez uma conferência rádio para marcar a sua presença virtual no evento.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar LisboaA inauguração aconteceu a 17 de maio de 1959, Dia de Pentecostes.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar LisboaA imagem de Nossa Senhora de Fátima esteve no local.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar LisboaUm dos argumentos utilizados para a construção do Cristo Rei foi que Nossa Senhora terá dito à pastora Lúcia que os fiéis deviam sacrificar-se para lutar contra os males provocados pela Rússia.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar LisboaA inauguração a partir do Tejo.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar LisboaNa imagem, o cardeal D. Manuel Gonçalves Cerejeira, à frente da diocese de Lisboa entre 1929 e 1972.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar LisboaO Cardeal Cerejeira sublinhou na inauguração: “Este será sempre um sinal de gratidão nacional pelo dom da Paz”.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar LisboaProcissão pelas ruas de Almada, na altura normalmente chamada de “a outra margem”.

Cristo Rei, 58 anos a abraçar LisboaEm 1999, a Diocese de Setúbal passou a tutelar o Santuário, que havia sofrido modificações em 1984 para ordenamento do território circundante.

Autora: Marta Leite Ferreira
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