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Crimes e Mistérios no Porto oitocentista

Partindo do pressuposto que uma cidade bela é forçosamente imperfeita, deambulamos por alguns crimes e mistérios ocorridos na cidade do Porto oitocentista.

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Henriqueta Emília da Conceição e Sousa

Crimes e Mistérios no Porto oitocentista
Henriqueta Emília da Conceição e Sousa – Crimes e Mistérios no Porto oitocentista

Protagonista de um crime invulgar. Nascida no Porto em 1840 foi uma mulher marcante no seu tempo.

Órfã, tem como destino imediato o Recolhimento das Raparigas Abandonadas, e aí permaneceu alguns anos.

Já crescidinha, uma tia vai buscá-la ao Recolhimento das Raparigas Abandonadas e sob a sua proteção ainda trabalhou numa fábrica de fósforos. Mas terá sido por pouco tempo, uma vez que o trabalho convencional, nunca terá sido a sua prioridade.

Henriqueta marcada por uma infância solitária e cruel, violada com apenas 7 anos de idade, dedica-se à prostituição. Dava nas vistas pela sua exuberância, convivendo naturalmente e com o mesmo há vontade com bandidos e aristocratas…

Favorecida por alguma inteligência, e muita esperteza, faz fortuna com as suas artimanhas. Aos 20 anos já esquecida da vida humilde que havia levado, vivia em aposentos de luxo.

Henriqueta Emília da Conceição e Sousa manteve um relacionamento com Teresa Maria de Jesus, que faleceu em 1868.

Henriqueta perdeu então a alegria de viver, a saudade foi tanta que engendrou uma situação peculiar que lhe permitisse estar em contacto com esta.

Assim, em 21 de Outubro de 1868, comprou terrenos no Cemitério do Prado Repouso e aí manda construir um mausoléu enriquecido com uma belíssima imagem de S. Francisco, que manda propositadamente vir de Itália.

Continua então a fazer diligências para dar seguimento ao seu plano. Um passo importante nesta operação foi o requerimento apresentado ao Deão Capelão do Cemitério de Agramonte para a exumação do corpo de Teresa.

Em dezembro de 1868, efetiva-se a trasladação, e no momento em que na nova urna se encontra Tereza de Jesus, pede a todos os presentes para a deixarem a sós, para que esta pudesse sozinha despedir-se desta grande amiga, pela última vez.

Henriqueta degolou a cabeça da amiga, embrulhando-a numa toalha e guardando-a rapidamente numa bolsa. Depois e como se nada tivesse acontecido e já na presença dos funcionários do cemitério e amigos presentes, assiste à cerimónia fúnebre.

Mas esta mulher de espírito livre acha muito natural esta presença estranha, por isso não a esconde, dando lhe até lugar de destaque.

Recebendo visitas com regularidade, começa evidentemente a circular pela cidade, este caso tão bizarro. Assim, e por ordem do Administrador do Bairro oriental, no dia 8 de março de 1869, dois oficiais de diligências entraram em sua casa e apreenderam esta doentia relíquia.

Assumiu toda a verdade e pagou uma multa, saindo em liberdade. Mas o processo tinha de seguir os normais procedimentos.

Assim, o juiz do primeiro distrito criminal, foi ao Cemitério proceder às necessárias averiguações respeitantes à profanação do cadáver de Teresa Maria de Jesus.

No entanto, o Dr. Nogueira Soares foi eleito deputado partisse para Lisboa para ocupar o seu lugar no Parlamento. Esta substituição no 1º Distrito Criminal atrasou o processo, situação altamente vantajosa para Henriqueta Emília, que conseguiu ainda que com dificuldade esquivar-se à ação da justiça.

(cont.)

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