Início Cultura «Concerteza» e «há des» são erros de português?

«Concerteza» e «há des» são erros de português?

A língua portuguesa é um terreno fértil para erros ortográficos. São esses erros mais comuns os que mais se notam, mas não são 
os únicos.

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Os 10 erros mais comuns de português
Os 10 erros mais comuns de português

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Os 10 erros mais comuns de português
Os 10 erros mais comuns de português

Entre os erros mais frequentes na oralidade há um bastante comum e fácil de identificar: confundir a segunda pessoa do singular com a segunda pessoa do plural. São os casos de ‘fizestes’, ‘comestes’, ‘fostes’… O mau domínio do português vê-se também na pontuação.

Uma vírgula parece um elemento simples, mas não é. “Os portugueses dominam mal a língua, no geral. Não sabem acentuar nem pontuar. Uma vírgula tem muito que se lhe diga. E pode-se dizer muito apenas com uma vírgula”, continua Lúcia Vaz Pedro.

Já muito se escreveu sobre erros de ortografia e fonia. E às vezes as figuras públicas cometem erros, como aconteceu em junho com os DAMA, que escreveram “se sim tasse bem, se não tasse bem também” numa publicação no Facebook. O post correu a internet com frases de gozo, mas também motivou artigos sobre como escrever em português correto.

É normalmente nessa altura que se recorre ao “Dicionário de Erros Frequentes da Língua”, de Manuel Monteiro, para relembrar que Hádes é um deus grego e não a conjugação do verbo haver; que se diz e escreve derivado de; que cerca é uma vedação e que acerca é um advérbio; e que um concelho é um distrito administrativo…

Quem erra mais

No campeonato do erro, não são apenas os falantes de língua portuguesa que têm problemas. Os idiomas não são comparáveis, mas não se pode dizer que os portugueses escrevam pior do que os britânicos.

O que se pode afirmar é que, por exemplo, no Reino Unido há probabilidade de enganos. O risco de errar é maior, porque a língua é menos transparente. “Há línguas mais transparentes e outras mais opacas. Já o catalão é uma língua mais transparente, porque há menos dupla interpretação”, explica Luís Ramos.

Mas, afinal, qual é a gravidade de um erro? Qualquer um é motivo de vergonha para enterrar a cabeça na areia? “Não há ninguém que escreva ou fale sem erros”, afirma o professor de português. Depende sempre da posição de quem o diz. Se for um político a discursar durante uma sessão na Assembleia da República, há menos desculpas, já que a exigência é maior. Porém, há sempre um rótulo que fica. E os erros ortográficos rotulam mais.

“Há um discurso por aí que valoriza demasiado os erros ortográficos, quando há erros mais graves, como os sintéticos, os semânticos, a utilização de expressões erradas, erros de composição, de discurso, de construção textual. São esses os mais difíceis de corrigir”, sublinha Luís Ramos. Não sendo uma língua muito opaca, escrever em bom português requer um crescendo grau de complexidade.

Autora: Carolina Reis
Infografia: Carlos Esteves
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