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Cinco asneiras da língua portuguesa

A fúria de encontrar erros em todo o lado é tanta que, às vezes, os caçadores de erros caem, também eles, em asneiras. Cinco asneiras da língua portuguesa.

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Cinco asneiras da língua portuguesa
Cinco asneiras da língua portuguesa

Cinco asneiras da língua portuguesa

A fúria de encontrar erros em todo o lado é tanta que, às vezes, os caçadores de erros caem, também eles, em asneiras. Cinco asneiras da língua portuguesa.

Marco Neves
Marco Neves

A fúria de encontrar erros em todo o lado é tanta que, às vezes, os caçadores de erros caem, também eles, em asneiras. Assim, tenho visto por aí acérrimos defensores das seguintes expressões:

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Cinco asneiras da língua portuguesa
Cinco asneiras da língua portuguesa

«Bicho pelo corpo inteiro.» Por amor da língua, salvem o bicho-carpinteiro! Algumas pessoas, que não sabem o que é uma expressão idiomática, ficam irritadas quando alguém diz «estás com bicho-carpinteiro».

Acham que o bicho não existe e, logo, não podemos ter uma expressão com um animal inexistente. Depois, inventaram esta do «bicho pelo corpo inteiro» (a alternativa supostamente «correcta») e acham-se, de repente, mais espertos que os outros falantes da língua.

Como quase sempre, nesta tropa dos inventores de erros, há alguma falta de respeito pelos outros falantes da língua e, por conseguinte, falta de respeito pela própria língua — algo muito mais grave do que qualquer gralha.

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Cinco asneiras da língua portuguesa
Cinco asneiras da língua portuguesa

«Mal e parcamente.» Parece ser a origem da expressão «mal e porcamente». E, segundo a lógica de algumas pessoas, uma expressão uma vez inventada tem de ficar igual para todo o sempre.

Ora, sendo esta expressão típica do registo popular, é habitual que mude ao longo das décadas e dos séculos. Depois, é praticamente impossível encontrar «mal e parcamente» nos registos escritos da língua (excepto em textos que querem matar o «mal e porcamente»).

Ou seja, quem acha que só podemos usar «mal e parcamente» está a pensar mal e porcamente sobre a língua.

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Cinco asneiras da língua portuguesa
Cinco asneiras da língua portuguesa

«Há nada que me impeça de falar com ele.» Sim, há quem trema e chame de ignorantes quem diz «não há nada». Não pode ser, não pode ser! É uma dupla negativa! Temos de escrever «há nada»!

Ora, tenham lá paciência. A oração «não há nada» está na negativa e, no caso, a língua portuguesa obriga-nos a usar duas palavras para expressar essa negativa. Dizer «há nada» é insistir num erro verdadeiro para corrigir um erro falso.

A língua é complicada e desarrumada. Não sejamos simplistas nem facilitemos nestes assuntos, vale?

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Cinco asneiras da língua portuguesa
Cinco asneiras da língua portuguesa

«Pelo visto.» A expressão fixa é, desde há muito, «pelos vistos». Falta-lhe alguma lógica interna? Pois falta.

Mas se é para arrumar a língua dessa maneira simplista, comecem pelo verbo ser, que tem muita falta de lógica, coitadinho.

Arrumem esse e avancem depois para o resto da língua. Cá vos espero daqui a uns séculos.

(cont.)

2 COMENTÁRIOS

  1. De acordo em quase tudo com você, Marco Neves! Mas, não entendo a lógica de “Pelos Vistos”. Entendo que a expressão é “Pelo visto”, isto é, (“pelo que foi visto”, “pelo que foi percebido”) e, do meu ponto de vista, é correta, muito lógica. Também sou linguista e professora de português. Sei que a falta de instução e incultura fazem cometer muitos erros que não deveriam suceder, mas…

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