As ligações históricas entre Portugal e Catalunha
Ao contrário do que possa parecer, entre Portugal e Catalunha existem imensos laços históricos. Fique a conhecer algumas curiosidades sobre esta relação.
A Catalunha anda nas bocas do mundo nos últimos tempos. Desejo antigo e por várias vezes tentado, a independência nacional foi votada pelo parlamento regional catalão, que assim se autoatribuiu poderes de representação nacional. E a polémica promete continuar.
Ao contrário do que possa parecer, Portugal e Catalunha têm imensos laços históricos. Fique a conhecer algumas curiosidades sobre esta relação.
História medieval: ligações dinásticas
Infantas aragonesas como rainhas de Portugal

D. Sancho I, segundo rei de Portugal, casou-se em 1175 com Dulce de Aragão. Foi o início de uma grande ligação real entre Portugal e Aragão.

A segunda rainha aragonesa foi D. Isabel, mais conhecida entre nós como Rainha Santa Isabel, uma das figuras mais marcantes da história de Portugal. Nasceu na cidade de Zaragoza, em 1270, filha do rei D. Pedro III de Aragão. Aos 12 anos, o seu casamento com D. Dinis foi feito por procuração, em Barcelona.
Outras princesas de Aragão que acabaram por se tornar rainhas consortes de Portugal foram (a outra) D. Isabel de Aragão, casada com o rei D. Duarte, e D. Maria e D. Isabel (ambas filhas de Fernando II de Aragão e Isabel de Castela), casadas com D. Manuel I.
A portuguesa que foi rainha de Aragão

Leonor de Aragão foi a única portuguesa que se tornou rainha do grande reino medieval do oriente da Península. Filha do rei D. Afonso IV e de Beatriz de Castela, foi casada com D. Pedro IV de Aragão.
Pedro de Coimbra, o Duque de Aragão

Filho do Duque de Coimbra (e também regente de Portugal), o Infante D. Pedro, e de Isabel de Urgel de Aragão, D. Pedro alcançou o título de Conde de Barcelona e de Valência.
As Revoltas de 1640

Segundo o historiador Josep Sánchez Cervelló, a Catalunha deu uma ajuda para a restauração de independência de Portugal em relação a Espanha a 1 de dezembro de 1640.
A revolta catalã, também conhecida como Guerra dels Segadors (trad. livre: “Guerra dos Ceifeiros”) a 7 de Junho (dia de Corpo de Cristo) de 1640, que contou com o apoio da França, “ficou marcadas pela rebelião dos segadors catalães contra os representantes da monarquia espanhola. Mais de uma dezena de representantes de Madrid perdem a vida”, de acordo com o site da RTP.

A Espanha, envolvida na guerra dos 30 anos, ganhou subitamente duas frentes de batalha no interior da Península Ibérica, e acabou por dar à prioridade à revolta catalã, deixando Portugal para uma segunda fase.
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