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A pedido do Rei D. José I, a aldeia de Santo António das Neves negociou… neve!

Na história do nosso país existem curiosidades verdadeiramente irresistíveis: um Rei que sugere que a aldeia de Santo António das Neves negoceie... neve!

a aldeia de Santo António das Neves
A pedido do Rei D. José I, a aldeia de Santo António das Neves negociou... neve!

A pedido do Rei D. José I, a aldeia de Santo António das Neves negociou… neve! Na história longa e rica do nosso país, existem curiosidades que são verdadeiramente irresistíveis: um Rei que sugere a venda de… neve!

Portugal é um país belíssimo, com uma beleza natural fantástica e, antes de ser nosso, já encantava diferentes povos que por cá passavam. Ao longo de quase 9 séculos de existência, Portugal teve diversos reis. A Monarquia representa um período histórico importante, repleto de conquistas, de glórias, de batalhas, também de insucessos, de lágrimas, de desilusões.

D. Afonso Henriques foi o primeiro de 34 reis, tendo existido 4 dinastias. Ao longo de tanto tempo, não faltam curiosidades que ligam os reis a momentos inesperados. Neste artigo, centramos a nossa atenção na aldeia de Santo António das Neves e no Rei D. José I.

aldeia de Santo António das Neves
A pedido do Rei D. José I, a aldeia de Santo António das Neves negociou… neve!

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A aldeia

Era uma aldeia insólita e mais especial se tornou quando, a pedido do rei D. José, se negociou… neve! A ideia não era propriamente inovadora, já na dinastia filipina (em que o Rei Espanhol era simultaneamente Rei de Portugal) se tinha iniciado o negócio da neve. Contudo, foi com D. José I que o negócio da neve foi tido como mais sério em Portugal.

No reinado de “O Reformador”, mais precisamente no século XVIII, Julião Pereira de Castro assumiu a função de neveiro-mor, fixando-se na aldeia de Santo António das Neves por largos períodos de tempo.

Santo António das Neves fica no concelho de Castanheira de Pêra, na Serra da Lousã. Santo António das Neves tornou-se a “capital” portuguesa do fornecimento de neve, aproveitando os efeitos de um inverno rigoroso para refrescar o verão.

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O neveiro-mor

Na década de 70 do século XVIII, Julião Pereira de Castro construiu a sua casa na localidade. O espaço sobreviveu até aos nossos dias, mas hoje apresenta-se num estado de degradação assinalável.

Ao serviço de sua majestade, fundou 7 poços de xisto, tendo como propósito guardar a neve recolhida. Como estratégia, foram feitos buracos em redor dos poços. Foi uma simplificação do trabalho, pois a água que se infiltrava transformava-se depois em gelo. A neve era conservada nestes amplos reservatórios até ao verão, sendo protegida de qualquer contacto com a luz solar.

Várias pessoas eram contratadas nas aldeias próximas para fazer a recolha da neve. Portanto, a neve representava outra importante fonte de rendimento para pessoas que estavam dependentes do trabalho agrícola.

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A venda

O processo era “simples”. Depois dos poços estarem cheios, eram cobertos com fetos e palha, de modo a preservar a neve. O negócio era feito quando chegava a época quente. Nessa altura, a neve dos poços era dividida, sendo colocada em cofres de madeira, em grandes pedaços e enrolada na palha, fazendo-se depois um longo percurso, uma viagem longa, em carros de bois, até Constância.

Aí, cabia ao almoxarife testar a qualidade do gelo. Sendo aprovado, era através de barca que o gelo seguia até Lisboa, mais precisamente, até aos Paços do Concelho (hoje Praça do Comércio), atravessando assim o rio Tejo.

A chegada a Lisboa

O neveiro-mor e a sua esposa recebiam o gelo na capital, sendo posteriormente vendido para a Casa Real e para vários estabelecimentos. O Rei e sua corte saboreavam gelados deliciosos feitos com o gelo. Mas os Lisboetas também os podiam saborear.

No espaço hoje designado São Martinho da Arcada, estava a “Casa da Neve” e na época o gelo era convertido em gelados. Tal também era feito noutros estabelecimentos.

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A capela

No antigo Cabeço do Pereiro, perto dos Poços, está uma pequena capela que foi feita em homenagem a Santo António. Foi mandada construir por Julião Pereira de Castro, neveiro-mor da casa Real. Assim, a aldeia passou a chamar-se “Santo António das Neves”.

Dos 7 poços da época de Julião de Castro, apenas 3 poços permanecem conservados. Os três poços são de construção tosca, redondos no interior. Enquanto dois poços são octogonais no seu exterior, um deles é circular.

Os poços estão cobertos por abóbadas de pedra em forma de sino achatado e era uma construção edificada com a pedra negra da região. Há uma só porta para cada poço. Elas são estreitas. As portas estão viradas para nascente, assim consegue-se evitar o Sol quando este é mais forte, conseguindo-se assim proteger a neve, impedindo que ela derreta.

A inscrição

São espaços considerados de interesse público, dada a sua relevância histórica. Visando recordar e celebrar este grande momento da história da terra. São realizados na localidade diversos eventos, destacando-se as iniciativas que pretendem recriar o transporte do gelo.

Na capela, é possível ler a inscrição: “Esta capela do glorioso Santo António de Lisboa a mandou fazer Julião Pereira de Castro reposteiro do nosso reino da câmara de sua Magestade e neveiro de sua Real casa em terra sua ano 1786.”

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