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Porque acabaram com as touradas na cidade do Porto?

À semelhança de qualquer localidade da lezíria do Tejo, o Porto foi igualmente palco de inúmeros festejos tauromáquicos. Porque acabaram com as touradas?

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Porque acabaram com as touradas na cidade do Porto?
Porque acabaram com as touradas na cidade do Porto?

Porque acabaram com as touradas na cidade do Porto?

À semelhança de qualquer outra localidade da lezíria do Tejo, o Porto foi igualmente palco de inúmeros festejos tauromáquicos. Porque acabaram com as touradas?

À semelhança de qualquer outra localidade da lezíria do Tejo, a cidade do Porto foi igualmente palco de inúmeros festejos tauromáquicos durante a idade média, que decorreram com grande fervor nas ruas e praças da invicta até ao século XIX, mas que acabaram por desaparecer com o fim da monarquia pelo desinteresse e repúdio da população portuense em relação ao maltrato injustificado e cruel dos animais.

Porque acabaram as touradas na cidade do Porto?
Real Coliseu Portuense, a mais importante praça de touros que existiu na cidade – Porque acabaram com as touradas na cidade do Porto?

O repúdio dos portuenses pelas touradas levou à falência das empresas tauromáquicas, e no século XIX a atos mais exacerbados que culminaram com a demolição e, em alguns casos, a queima das praças de touros da cidade (casos das praças da Aguardente e da Areosa).

Porque acabaram as touradas na cidade do Porto?
O Real Coliseu Portuense, construído em 1899 na Rotunda da Boavista, foi
a mais emblemática e mais importante praça de touros das oito que existiram
na Cidade Invicta. Tinha capacidade para 8 mil espectadores

As touradas começaram a perder fulgor no Porto a partir de 1830, altura em que muito se contestava o espetáculo pelo uso e abuso dos animais. Várias tentativas foram feitas nas décadas seguintes para trazer de volta os touros à cidade mas sempre sem sucesso.

Na década de 70 do século XIX assistiu-se a uma súbita edificação de praças de touros por todo o país e uma tentativa de impor à cidade do Porto a tradição das touradas com a construção de 3 praças de touros (Cadouços, Rua da Boavista e Largo da Aguardente). Mas a tentativa resultou num grande insucesso devido ao desinteresse da população.

Ramalho Ortigão satirizou o episódio como uma fugaz cópia dos hábitos da capital, considerando-o desgarrado e sem qualquer tradição: “Ao cabo de dois anos ninguém mais voltou aos touros.” Também Pinho Leal deixou registado o seu conformismo com o fracasso da reintrodução das touradas e os gostos dos portuenses “nada depõe contra o gosto e a humanidade dos portuenses”.

Porque acabaram as touradas na cidade do Porto?
Balão de ar quente na Praça de Touros da Rua da Alegria – Porque acabaram com as touradas na cidade do Porto?

As 3 praças desapareceram em menos de cinco anos, com fracas receitas e a falência das empresas que as geriam. A imprensa escrita da cidade fazia eco da antipatia e indignação popular em relação às touradas.

O Jornal Comércio do Porto em 1870 escrevia nas suas páginas: “Vê-se que infelizmente se porfia no intento de introduzir nesta cidade um divertimento contrário à índole e hábitos dos seus habitantes, porém ainda que o não fosse, nem por isso ele deixaria de ser menos condenável e digno de reprovação” – Comércio do Porto, 26 de janeiro de 1870.

(cont.)

7 COMENTÁRIOS

  1. Muito alegra-me saber que a cidade do Porto tem elevado senso moral, ao não permitir atividade que envolve maus tratos e crueldade contra seres sencientes e indefesos. No mundo todo, ativistas têm lutado árduamente para que práticas hediondas que só geram sofrimento, sejam definitivamente banidas . No Brasil não temos Touradas, porém, temos Vaquejadas, Rodeios e a criminosa Farra do Boi, que embora seja proibida por lei, acontece em algumas cidades do Estado de Santa Catarina, como tradição açoriana. Os embates entre polícia e farristas acontecem, porém, ainda não se conseguiu coibir esses eventos que acontecem durante a Quaresma. Os farristas são violentos, costumam ameaçar e agredir pessoas que opõem-se a eles. Ativistas brasileiros travam uma batalha a nível legal para também proibir Vaquejadas e Rodeios, entretanto, os interesses de grupos do agronegócio, representados no Congresso por políticos da Bancada Ruralista, que é maioria, estão conseguindo manter essas atividades que lhes garantem grandes lucros, a ponto de serem colocadas como patrimônio cultural nacional, através de emenda à Constituição. Ainda temos muita luta pela frente, para conseguir terminar com o sofrimento a que os animais são submetidos nas arenas. Parabéns cidadãos do Porto, pelo belo exemplo de civilidade que têm historicamente demonstrado à coletividade.

  2. Na realidade, o problema foi a “importação” de touros e toureiros do Ribatejo, os grandes industriais portuenses também queriam uma fatia dos lucros, mas a tourada era dominada pelos ribatejanos, o que não agradou aos portuenses. E os ricos do Porto investiram em ações antitaurinas no Porto. É só para esclarecer. Já agora. Para praças vazias até tão muito cheias nas fotos.

    • “Passado o período da curiosidade despertado pela imponência e o exotismo do edifício, o povo do Porto não se rendeu à tentativa de imposição de uma tradição, já na altura considerada anacrónica e sem raízes na região.”

      O artigo tem 3 páginas…
      Como qualquer arena, estádio ou circuito novo que abre, existe sempre curiosidade.

  3. Fantástico! Os alfacinhas deveriam copiar e eu sou um deles. Sugestão: acabem tb com as “francesinhas”, coisa pior de comer é dificil encontrar.

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