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5 receitas divinais da doçaria conventual portuguesa

Estas receitas divinais da doçaria conventual portuguesa são muito tentadoras e absolutamente deliciosas. Para comer e chorar por mais!

receitas divinais da doçaria conventual
5 receitas divinais da doçaria conventual portuguesa

5 receitas divinais da doçaria conventual portuguesa

Estas receitas divinais da doçaria conventual portuguesa são muito tentadoras e absolutamente deliciosas. Para comer e chorar por mais!

A doçaria conventual portuguesa é riquíssima e deve-se ao facto de serem doces criados por freiras que viviam em Conventos.

Portugal é dos países em que a doçaria conventual tem maior destaque e mais enriqueceu a gastronomia portuguesa, tendo sido a base para muitas receitas de doces tradicionais e regionais.

Barriga da Freira

Barriga de Freira – 5 receitas divinais da doçaria conventual portuguesa

Pensa-se que este doce conventual tenha sido criado pelas freiras da Ordem das Ursulinas, do Convento situado em Vale da Mó, no concelho da Anadia. Esta variante da Barriga de Freira é atualmente um doce regional típico daquela localidade, fazendo lembrar a charcada na sua apresentação e textura.

A sobremesa deve ser confecionada em tacho de cobre com 20 cm de diâmetro, devendo o mesmo ser polido no momento. No entanto, o doce pode ser feito num tacho de aço inoxidável ou de alumínio com as mesmas dimensões.

Ingredientes: (para o doce)

  • 18 gemas
  • 350 ml de água
  • 4 ovos inteiros
  • 500 g de açúcar
  • manteiga q.b.

Para a decoração (opcional)

  • fios de ovos

Confeção:

Leve o açúcar ao lume com a água e deixe ferver até a calda atingir o ponto de pasta (atinge-se o ponto aos 101° C, após aproximadamente 1 minuto de fervura. O ponto atinge-se assim que, ao mergulhar uma colher na calda, começar a aderir uma pequena camada de açúcar).

À parte, misture, com um garfo, as gemas e as claras, de modo a obter um preparado homogéneo, mas não espumoso. Deite suavemente os ovos na calda de açúcar e deixe cozer ligeiramente. Vá rodando o doce usando dois garfos.

Adicione um pouco de manteiga, deixando-a escorregar pelos bordos do tacho, a fim de evitar que pegue. Pelo mesmo motivo, deverá também picar o centro do doce.

Quando o açúcar caramelizar, a barriga de freira está pronta.

Sirva num prato um pouco fundo e, se desejar, enfeite o centro com fios de ovos.

Pudim de Ovos do Mosteiro de Alcobaça

Pudim de Ovos do Mosteiro de Alcobaça – 5 receitas divinais da doçaria conventual portuguesa

A região de Alcobaça é conhecida pela produção de frutas de grande qualidade, sendo uma referência em Portugal e além fronteiras. As frutas são, pois, uma presença marcante na doçaria tradicional da região. No entanto, a cidade também está muito ligada à Ordem de Cister, que outrora habitava no Convento integrado no Mosteiro de Alcobaça.

O pudim de ovos dos Frades do Mosteiro de Alcobaça é uma das especialidades da doçaria conventual que integra o riquíssimo património gastronómico da região. Mantém os traços típicos dos doces conventuais, sendo feito à base de ovos e açúcar.

Ingredientes:

  • 1 kg de açúcar
  • 14 gemas
  • 2 ovos
  • 250 ml de água
  • 50 g de manteiga

Confeção:

Leve ao lume o açúcar com a água até obter uma calda em ponto de pasta.

Deixe arrefecer um pouco e adicione as gemas, juntamente com os ovos inteiros e a manteiga, mexendo bem até obter um preparado homogéneo.

Deite a mistura numa forma de pudim bem untada e leve a cozer, no forno, durante cerca de 1 hora, em banho-maria. Verifique a cozedura espetando um palito, o qual deverá sair húmido mas limpo.

Quando estiver cozido, deixe o pudim arrefecer e desenforme.

Pastéis de Santa Clara

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Pastéis de Santa Clara – 5 receitas divinais da doçaria conventual portuguesa

Os Pastéis de Santa Clara, também designados Meias-Luas, são uma especialidade do Convento de Santa Clara, em Vila do Conde. Estes pastéis são muito semelhantes, na forma e ingredientes usados, aos de Coimbra e de Portalegre.

A razão da existência em Portugal de tantos doces conventuais com o mesmo nome. oriundo de locais diferentes. como é o caso destes pastéis, decorrerá provavelmente da migração de religiosas para outros conventos da ordem existentes no país. Com as freiras iam os conhecimentos gastronómicos adquiridos no convento onde se encontravam anteriormente e era comum a transmissão oral de algumas das receitas que conheciam. É, pois, natural que essa tradição de transmissão oral de receitas, sem qualquer registo escrito, tenha originado algumas variações no receituário de cada convento, embora o nome e a base do doce permanecessem os mesmos.

Estes pastéis caracterizam-se pela sua forma de meia-lua, com um recheio cremoso e consistente — feito a partir da sábia combinação do açúcar, com os ovos e as amêndoas -, envolto numa massa externa feita com farinha, açúcar, manteiga e sal. No final, como todas as variantes dos pastéis de Santa Clara existentes no país, são polvilhado com açúcar. A massa exterior é feita com farinha de trigo, açúcar, manteiga e um pouco de sal. Para o recheio é colocado açúcar em ponto de estrada e depois adiciona-se amêndoa ralada e gemas de ovo. Vai a fritar e depois é polvilhado com açúcar em pó.

Ingredientes:

Para a massa

  • 1 pitada de sal
  • 2 colheres (sopa) de açúcar
  • 2 colheres (sopa) de manteiga
  • 300 g de farinha de trigo

Para o recheio

  • 10 gemas
  • 100 g de amêndoas raladas
  • 250 g de açúcar

Para a fritura e polvilho

  • azeite q.b.
  • 1 casca de limão
  • açúcar em pó p/ polvilhar

Confeção:

Faça a massa, trabalhando bem todos os ingredientes. Comece pela farinha. à qual junta, fazendo uma cavidade no centro desta, o açúcar, a manteiga e o sal.

Estenda a massa sobre uma superfície lisa. Divida-a depois em várias partes, pressionando um objeto redondo sobre ela (pode ser um cortador de massa ou, por exemplo, um pires de tamanho médio voltado para baixo).

Passe a carretilha em volta das partes de massa que cortou anteriormente. Reserve enquanto prepara o recheio.

Leve o açúcar o lume brando até atingir o ponto de estrada (110° C — ao passar a colher na calda. é feita uma abertura que permite ver o fundo do tacho).

Junte a amêndoa ralada e, por fim, as gemas. Mexa até engrossar um pouco.

Deite um pouco de recheio de um dos lados da massa cortada em circunferência, de forma a que a possa dobrar e ficar em meia-lua.

Ponha o azeite ao lume e, depois de quente, deite-lhe a casca do limão.

Frite os pastéis no azeite, deixe escorrer um pouco a gordura e polvilhe-os com açúcar em pó.

Pequeno Glossário:

Carretilha: Utensílio próprio para cortar massas (muito usado em pastéis), dando-lhes normalmente uma forma ondulada. Encontra-se facilmente à venda nas grandes superfícies comerciais.

Bolo Real (Alentejo)

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Bolo Real (Alentejo) – 5 receitas divinais da doçaria conventual portuguesa

Este bolo é uma receita típica do Alentejo e mais uma maravilhosa iguaria da doçaria conventual. A amêndoa e a chila são ingredientes comuns na doçaria alentejana e, como doce conventual que é, não poderiam faltar os ovos em abundância.

O acentuado sabor a amêndoa e a chila fazem deste bolo uma verdadeira delícia, digno dum manjar dos deuses. É daqueles bolos de que só se pode comer um bocadinho, pois é altamente calórico, mas é de comer e chorar por mais!…

Ingredientes:

  • 125 g de doce de chila
  • 250 g de açúcar + 1 colher p/ juntar às claras
  • 250 g de miolo de amêndoa moído
  • 3 claras
  • 6 gemas
  • açúcar em pó p/ polvilhar

Confeção:

Unte uma forma redonda e polvilhe-a com farinha. Reserve. Bata as gemas com o açúcar até obter um creme fofo e esbranquiçado. Adicione o miolo de amêndoa e o doce de chila, envolvendo bem de forma a ligar os ingredientes.

Bata as claras em castelo bem firme e, quando estiverem quase no ponto, adicione 1 colher de açúcar para que fiquem mais seguras.

Misture delicadamente os dois preparados.

Deite na forma e leve ao forno (160º C) cerca de 45 minutos. Não deixe secar muito, pois o bolo real deve ficar húmido.

Retire e polvilhe com açúcar em pó.

Pudim de Abade de Priscos

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Pudim de Abade de Priscos – 5 receitas divinais da doçaria conventual portuguesa

O Pudim Abade de Priscos, ou Pudim de Toucinho, é um doce de origem conventual, sendo um dos marcos gastronómicos da cidade de Braga e, de certa forma, da região do Minho. O toucinho dá a este pudim a sua consistência e aspeto característicos, sendo também evidente o sabor que lhe confere o vinho do Porto e a canela.

A receita é do final do século XIX, tendo sido das únicas deixadas pelo abade de Priscos, que foi um dos grandes cozinheiros do seu tempo, chegando mesmo a cozinhar para o Rei. Além da receita, o abade deixou um alerta no que respeita à sua confeção, ao dizer que “A receita é só o principio… As mãos, o olfato, o paladar do verdadeiro cozinheiro fazem o principal”.

Experimente este maravilhoso doce, ideal para uma mesa de festa — o sucesso é garantido…

Ingredientes:

  • 15 gemas
  • 1 cálice de vinho do Porto
  • 1 casca de limão
  • 1 pau de canela
  • 500 ml de água
  • 500 g de açúcar
  • 50 g de toucinho gordo
  • caramelo líquido p/ untar a forma

Confeção:

Coloque um tacho ao lume com a água e, quando ferver, adicione o açúcar, a casca de limão, o toucinho e o pau de canela. Deixe ferver durante 2 minutos e passe depois a calda por um passador de rede.

Bata as gemas e junte-lhes o cálice de vinho do Porto, batendo bem.

Deite a calda de açúcar sobre o preparado de gemas, passando-a por um coador fino. Envolva bem. Deite o preparado numa forma de pudim caramelizada e leve a cozer em banho-maria durante 30 minutos. Retire o pudim depois de cozido, deixe arrefecer e desenforme.


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