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5 episódios da História de Portugal que não aconteceram bem assim

O Milagre das Rosas nunca existiu e o Infante Santo nunca o foi nem o quis ser. Conheça 5 episódios da História de Portugal que não aconteceram bem assim.

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4 – D. Pedro I, o monarca que perdeu a cabeça por Inês, mas também por Afonso

5 episódios da História de Portugal que não aconteceram bem assim
D. Pedro I, de Portugal

A relação amorosa entre D. Pedro I e a galega Inês de Castro é tida como a mais emblemática e trágica da História de Portugal, cantada por poetas, dramaturgos, escritores, pintores e músicos. No entanto, parecem existir razões para concluir que afinal aquele que combateu o pai, D. Afonso IV, e colocou o país a ferro e fogo por amor à Castro, também se terá perdido de amores por homens.

5 episódios da História de Portugal que não aconteceram bem assim
D. Pedro I, de Portugal

Escrevendo anos depois dos acontecimentos, Fernão Lopes dedica um capítulo inteiro a um episódio muito curioso que indicia que D. Pedro teve um relacionamento homossexual com um escudeiro, Afonso Madeira. Fernão Lopes refere que D. Pedro «o amava muito, e lhe fazia muy grandes mercès».

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D. Pedro I, de Portugal

A verdade é que o escudeiro se apaixonou por uma mulher casada, Catarina Toce, mulher de um importante corregedor da corte e a relação entre ambos acabou por chegar ao conhecimento de D. Pedro que, sentindo-se traído, acometido por um ataque de ciúmes, mandou castigar exemplarmente o escudeiro, castrando-o.

5 – «Deus, Pátria, Família»: uma trilogia que afinal era uma tetralogia

5 episódios da História de Portugal que não aconteceram bem assim
Discurso de Salazar

Durante o célebre discurso do décimo aniversário do 28 de Maio, em Braga, o presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar, proferiu as «verdades indiscutíveis» da Revolução Nacional. «Não discutamos», dizia ele, «Deus e a virtude», não discutamos a «Pátria e a sua História», não discutamos a «Autoridade e o seu prestígio», «a Família e a sua moral», «o trabalho e o seu dever». Dois anos depois, um cartaz da «Lição de Salazar» intitulava-se «Deus, Pátria, Família: a Trilogia da Educação Nacional».

Sempre associámos esta trilogia a Salazar, que durante quarenta anos governou o país com mão de ferro, pensando que ele foi o seu autor. Mais uma vez trata-se de uma partida da História. Ainda que Oliveira Salazar tenha adotado esta trilogia como pilar fundamental do país que pretendia moldar, a verdade é que esta frase foi proferida, segundo consta, a 14 de junho de 1909 por Afonso Pena, presidente do Brasil, no seu leito de morte, vítima de pneumonia. A frase original seria: «Deus, Pátria, Liberdade, Família».

Salazar teria tido conhecimento destas palavras basilares quando fora prefeito no colégio da Via Sacra, em Viseu, já que elas se encontravam em epígrafe na revista Echos da Via-Sacra, publicada por aquela instituição católica. Anos mais tarde, estas palavras tornar-se-iam a síntese da pedagogia e da moral salazarista, com uma particularidade: Salazar deixou cair a Liberdade, ficando assim a tetralogia transformada numa trilogia.

Autor: Ricardo Raimundo, historiador e autor de vários livros, sendo o mais recente «Episódios da História de Portugal que não aconteceram bem assim» (Manuscrito).

Capa do livro “Episódios da História de Portugal que não aconteceram bem assim…”

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